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As Mil e Uma Noites 9 a 10 anos Leitura 7 min.

Yasmin e o segredo da fonte justa

Yasmin, dita filha da Lua, parte em busca de uma fonte seca no oásis, enfrentando sombras, espelhos e enigmas, guiada pela justiça do coração.

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Yasmin, jovem e doce, rosto redondo, pele oliva e olhos negros brilhantes, sorri serena e coloca delicadamente uma pequena pedra azul cintilante no fundo de um poço de pedra seca; um guardião idoso, com barba grisalha e olhar profundo, está sentado à esquerda do poço, orgulhoso e de mãos postas; à direita, um menino de cerca de 8 anos, cabelos encaracolados e túnica simples, observa a água jorrar com a boca aberta de espanto; três corvos de penas brilhantes com reflexos azulados empoleirados na borda do poço, imóveis e atentos; o cenário é um oásis noturno com palmeiras altas, um tapete de flores brancas, dunas escuras ao fundo e uma lua cheia baixa que lança luz prateada; a água sai em arco claro do poço, gotas como pérolas salpicando a pedra e iluminando os rostos; estilo visual de cores quentes e contrastadas, contornos nítidos, texturas de pedra e tecido visíveis, atmosfera mágica inspirada nas Mil e Uma Noites. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 – A Filha da Lua e o Sussurro da Fonte

Num oásis escondido sob o véu prateado da noite, entre palmeiras que balançavam como dançarinas ao vento, vivia Yasmin, uma jovem de olhos escuros e brilho discreto, como uma estrela tímida no céu. Diziam que Yasmin era filha da Lua, pois toda noite caminhava entre as sombras e os silêncios, espalhando paz com seu sorriso suave.

Certa noite, enquanto colhia tâmaras douradas para o chá da avó, Yasmin ouviu um sussurro vindo do coração do jardim. “Procura-me, Yasmin...”, murmurou uma voz fina, como se a própria brisa falasse. Sentiu um arrepio, mas não de medo; era um chamado antigo, como uma canção esquecida. Aproximou-se do velho poço, coberto de musgo e de histórias, e espiou lá dentro. Não viu água, apenas a sua imagem refletida entre as pedras.

“Fonte querida, onde estás?”, perguntou Yasmin, em voz baixa.

O poço respondeu apenas com o eco do seu desejo. A fonte, que antes jorrava água cristalina e dava vida ao oásis, estava seca há tempos. Diziam os mais velhos que ela só voltaria a brotar quando alguém de coração justo descobrisse o segredo escondido pela noite.

Yasmin, com o coração palpitando como um beija-flor, decidiu que encontraria a fonte perdida, mesmo que tivesse de atravessar desertos de silêncio e labirintos de sombra.

Capítulo 2 – O Guardião das Sombras

Nessa mesma noite, Yasmin preparou uma pequena trouxa: tâmaras, pão de figo, e um fio de esperança. Partiu guiada pela luz azulada da lua, que parecia sorrir-lhe entre as nuvens.

Logo adentrou a parte mais escura do oásis, onde as árvores se entrelaçavam como dedos de gigantes adormecidos. De repente, um vulto emergiu das sombras. Era um velho com olhos de areia e barba de névoa, sentado sobre uma pedra.

“Para onde vais, jovem Yasmin?”, perguntou ele, a voz grave como trovão distante.

“Procuro a fonte que se escondeu”, respondeu, tentando soar corajosa.

O velho sorriu com lábios finos. “A fonte só aparece para quem vê com o coração. Muitos tentaram, poucos voltaram.”

Yasmin olhou para ele com respeito. “O que preciso fazer?”

O velho pensou, coçando a barba. “Antes, responde: se encontrares a fonte, a guardarás só para ti?”

Yasmin balançou a cabeça. “Se encontrar, quero partilhar sua água com todos. Ninguém deve ter sede no oásis.”

O velho sorriu, um sorriso que iluminou o espaço entre as árvores. “Segue, então. Mas lembra: a justiça é o mapa que abre portas invisíveis.”

E, como um suspiro, o velho desapareceu, deixando Yasmin com uma chave de prata na mão.

Capítulo 3 – O Labirinto de Espelhos

Yasmin caminhou até encontrar uma porta de pedra, encravada entre duas palmeiras retorcidas. Usou a chave de prata, que se ajustou magicamente à fechadura, e a porta se abriu com um gemido suave.

Do outro lado, havia um labirinto de espelhos altos e antigos. Cada espelho refletia não apenas sua imagem, mas também seus pensamentos e desejos. Yasmin viu-se como uma princesa, como uma mendiga, como um pássaro e até como a própria fonte.

Enquanto caminhava, um dos espelhos falou: “Por que procuras a fonte, Yasmin?”

“Para que todos possam beber e viver em paz”, respondeu ela, firme.

Outro espelho, em forma de lua, zombou: “E se alguém tentar tomar a fonte para si?”

“Defenderei com justiça. A água pertence a todos, como a luz da lua”, declarou Yasmin.

Os espelhos brilharam, refletindo sua honestidade. Um deles girou, revelando uma passagem secreta. Yasmin atravessou, sentindo-se mais leve, como se cada resposta justa a libertasse de um peso invisível.

Capítulo 4 – O Enigma do Coração Oculto

A passagem a levou até uma clareira onde a noite parecia mais clara e o ar, perfumado de jasmim. No centro, um pedestal de mármore sustentava um pequeno baú de madeira entalhada. Ao redor, três corvos de penas brilhantes a observavam em silêncio.

Um dos corvos grasnou: “Só abrirás o baú se responderes ao enigma do coração oculto.”

Yasmin inclinou-se, atenta.

O segundo corvo falou: “O que é que, mesmo dividido, nunca diminui?”

A jovem pensou, olhando para as estrelas. Lembrou-se da avó, que dividia o pão mesmo quando pouco tinha, e ainda assim, todos ficavam satisfeitos.

“Sinto que é o amor”, respondeu Yasmin. “Quanto mais se partilha, mais cresce.”

Os corvos bateram asas em aprovação e o baú se abriu, revelando uma pequena pedra azul, brilhando como o céu ao amanhecer.

“Leva-a à fonte seca”, disse o terceiro corvo. “A justiça do coração é a única magia verdadeira.”

Capítulo 5 – A Água Invisível

Yasmin voltou ao poço velho, sentindo o peso suave da missão cumprida. Colocou a pedra azul no fundo seco do poço e esperou, ouvindo o silêncio que parecia conter mil histórias.

De repente, um fio de água brotou, tímido como um sorriso, crescendo até transbordar. Logo, a fonte cantava novamente, espalhando frescor pelo oásis. As árvores suspiraram de alegria, as flores abriram-se como pequenos sóis noturnos, e os animais vieram saciar a sede.

O povo do oásis acordou com o rumor da água e acorreu ao poço. Yasmin, porém, ficou um pouco afastada, observando com olhos de luar. Sabia que não era a dona da fonte, mas apenas sua guardiã justa.

Um menino se aproximou dela e perguntou: “Como fizeste a fonte voltar?”

Yasmin sorriu, acariciando os cabelos do menino. “Só ouvi o que a noite e meu coração disseram. A justiça é como a água: deve correr para todos, sem escolher caminhos.”

O velho guardião das sombras reapareceu, agora com ares de sábio contente. “A fonte voltou porque encontraste o segredo das portas invisíveis: a justiça do coração.”

E assim, sob a luz suave da lua, Yasmin entendeu que sua maior magia era a generosidade justa, que transforma até o mais seco dos desertos em jardins de esperança.

E todas as noites, quando o silêncio caía sobre o oásis, a fonte cantava baixinho, lembrando a todos que a justiça é a água invisível que faz florescer até os sonhos adormecidos.

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Oásis
Lugar no deserto com água e plantas onde as pessoas e animais podem descansar.
Véu prateado
Imagem poética da luz da lua cobrindo algo como um tecido brilhante.
Sussurro
Som muito baixo feito com a voz, como um segredo falado devagar.
Musgo
Planta pequena e macia que cresce sobre pedras ou troncos úmidos.
Labirinto
Conjunto de caminhos confusos onde é fácil se perder.
Pedestal
Base ou suporte onde se coloca algo importante para ficar visível.
Entalhada
Feita com cortes e desenhos em madeira ou pedra, com detalhes.
Corvos
Pássaros de penas escuras, inteligentes e que costumam observar tudo.
Transbordar
Quando um líquido sobe e sai do recipiente porque está cheio.
Guardião
Pessoa ou ser que protege e cuida de um lugar ou objeto.
Justiça
Tratar as pessoas de forma correta, sem favor ou maldade.
Clareira
Lugar aberto no meio de árvores onde há mais luz e espaço.

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