Era uma vez dois amigos que adoravam brincar juntos: o Miguel e a Sofia. Miguel usava sempre um boné azul, e Sofia gostava de laços coloridos no cabelo. Tinham quase quatro anos e gostavam muito de desenhar, correr e rir.
Numa manhã ensolarada, Miguel acordou com o sol a entrar pela janela. Mas, por dentro, sentia algo diferente. O seu coração estava um bocadinho apertado. Não sabia bem porquê, mas não tinha vontade de brincar. Miguel sentia-se triste.
A mamã percebeu e perguntou: “Miguel, queres um abraço?” Miguel abanou a cabeça e sussurrou: “Hoje não quero brincar. Sinto-me triste.” A mamã apertou-o com carinho e disse: “Está tudo bem sentir tristeza. Queres que a mamã sente contigo?”
Miguel assentiu e ficou encostadinho à mamã. Passado um bocadinho, ouviu Sofia a bater à porta. “Miguel, vens brincar?” perguntou Sofia, com um sorriso doce.
Miguel olhou para Sofia e disse, baixinho: “Hoje estou triste, Sofia.” Sofia pensou e depois sentou-se ao lado dele. “Eu também já fiquei triste um dia. Sabes o que fiz? Desenhei um grande sol amarelo e fiz-lhe um sorriso gigante!” disse Sofia, mostrando os seus lápis de cor.
Miguel olhou para os lápis. “Posso desenhar contigo?” perguntou, com um olhar curioso. Sofia acenou com a cabeça e disse: “Sim! Vamos desenhar juntos! Podemos desenhar tudo o que sentimos.”
Miguel escolheu o lápis azul e desenhou uma nuvem, depois desenhou uma lágrima pequenina. Sofia desenhou um coração vermelho ao lado da nuvem. Os dois riram-se quando a mamã apareceu com bolachas de chocolate. “Desenhar as emoções é uma ideia maravilhosa,” disse a mamã, sorrindo.
Enquanto desenhavam, Miguel foi contando o que sentia. “O meu coração parece um bocadinho pesado hoje.” Sofia respondeu: “Quando estou assim, gosto de respirar fundo.” Juntos, respiraram fundo, lentamente, como se estivessem a cheirar flores.
Miguel sentiu-se melhor. A tristeza ficou mais pequenina, como um passarinho a descansar. “Agora sinto o coração mais leve,” disse Miguel. Sofia deu-lhe a mão e disse: “Sempre que quiseres, podes contar comigo.”
Miguel sorriu, muito mais tranquilo. Sabia que às vezes podia sentir-se triste, mas que podia desenhar, respirar fundo, e pedir um abraço. Olhou para a sua amiga e disse: “Obrigado, Sofia. Gosto muito de ti.” Sofia respondeu: “Eu também gosto muito de ti!”
E assim, juntos, aprenderam que a tristeza pode aparecer, mas que temos sempre formas de a acalmar. No fim do dia, Miguel adormeceu feliz, com desenhos coloridos e o coração quentinho.