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História sobre a guerra 7 a 8 anos Leitura 11 min.

Sofia e o mapa da paz

Sofia aprende a enfrentar a violência e o preconceito na escola, defendendo um novo colega e descobrindo que dizer "pare", ouvir e pequenas ações de solidariedade ajudam a construir paz.

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Sofia, 8 anos, rosto determinado, bochechas rosadas, cabelo castanho-claro em duas tranças, mão estendida dizendo "pare" com postura calma; Tomás, ~9 anos, tímido e aliviado, cabelo preto, sentado no banco à direita de Sofia segurando um pequeno desenho junto ao peito; três meninos (8–10 anos) à esquerda, rindo e apontando uma bola vermelha, um deles arremessando-a; Dona Marta, professora adulta, cabelos grisalhos presos, sorriso atento, mãos cruzadas, em pé junto a uma árvore atrás das crianças; pátio de escola ensolarado em piso de concreto claro com linhas azuis, grande árvore de folhas verde-escuro projetando sombras manchadas, banco de madeira e bola vermelha no chão; cena principal: Sofia protege Tomás dizendo "pare" firmemente, expressão calma e corajosa, os outros hesitam e a tensão diminui, cores vivas, formas simples e contornos nítidos. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1

Na escola, as janelas deixavam entrar a luz do fim de tarde. Sofia, de oito anos, observava as sombras das folhas no chão. Ela desenhava mapas simples no caderno. "Isto é como explicar o caminho de casa", disse ela a si mesma.

A professora, Dona Marta, falou sobre um assunto sério. "Hoje vamos conversar sobre conflitos", disse ela com voz calma. "Um conflito é quando pessoas ou grupos não concordam e brigam por ideias, lugares ou coisas. Às vezes, isso vira violência. Mas também existem formas de resolver sem machucar."

Sofia levantou a mão. "Como se resolve sem machucar?" perguntou. A pergunta saiu suave, curiosa.

"Com diálogo, negociação e ajuda de outras pessoas", respondeu Dona Marta. "E com pequenas ações de cada dia. Ajuda mútua e respeito evitam que o conflito cresça."

Na saída, Sofia caminhou até o parque. Viu dois meninos discutindo por uma bola. Um empurrou o outro e a bola foi longe. Sofia sentiu o peito apertar. Lembrou-se das palavras da professora sobre violência e sobre maneiras de não usar força.

"Sofia!", chamou sua amiga Lara. "Venha brincar conosco!"

Sofia queria ajudar, mas não sabia como. "Posso dizer 'pare'?" pensou. A palavra era curta, clara. Ela pensou também no que a professora dissera sobre diálogo. "Talvez dizer 'pare' e perguntar 'por que?'", murmurou.

No dia seguinte, em casa, o pai de Sofia contou uma história simples sobre uma família que tinha de mudar de cidade porque havia um conflito na vizinhança. "Eles ficaram com medo", disse o pai com voz baixa. "Mas muitas pessoas ajudaram. Eles receberam roupas, comida, e um lugar para ficar. E também conversaram com os vizinhos para entender o que aconteceu."

Sofia ouviu com atenção. A ideia de ajudar ficou na cabeça dela como uma semente.

Capítulo 2

Na semana seguinte, na escola, apareceu um novo aluno. Chamava-se Tomás. Ele era quieto e parecia cansado. Alguns colegas cochicharam. "De onde ele veio?" perguntou um. "Ele fala diferente", disse outro.

Algumas crianças começaram a imitar o jeito como Tomás falava. Riram. Sofia viu Tomás encolher os ombros. Seu rosto ficou vermelho. Sofia lembrou das palavras do pai e da professora. Sentiu que precisava agir.

Ela foi até Tomás e falou: "Oi, eu sou a Sofia. Quer brincar de bola?"

Tomás olhou surpreso e sorriu timidamente. "Gosto", disse.

Antes de a brincadeira começar, um grupo de alunos começou a provocar. "Você fala engraçado!", gritaram. Outros riram. Tomás fechou os olhos por um instante. Sofia sentiu raiva, mas também um calor de coragem.

Ela respirou fundo. Lembrou que não precisava empurrar ou responder com xingamentos. Lembrou de dizer "stop" — ou, em português, "pare". Preferiu algo claro e firme: "Parem com isso agora."

Houve silêncio. Alguns viraram-se para ela com surpresa.

"Por que a Sofia está dizendo isso?" murmurou alguém.

"Porque isso machuca", respondeu Sofia. "Não é engraçado. Tomás é nosso amigo."

Um dos meninos, muito bravo, falou: "Quem é você para dizer o que a gente faz?"

Sofia deu um passo à frente. "Sou eu. E quero um lugar onde todos se sintam seguros. Se você quer conversar, podemos conversar. Mas não rir dele."

A voz de Sofia era firme, sem gritos. Dona Marta, que observava de perto, aproximou-se ao perceber o tom calmo. "Obrigada por ter falado, Sofia", disse ela. "Dizer 'pare' é importante. Depois podemos falar juntos sobre por que isso aconteceu."

Sofia sentiu o coração bater forte, mas bom. A conversa continuou. Alguns alunos murmuraram desculpas. Outros ainda riam, mas menos. Tomás respirou aliviado. "Obrigado", sussurrou.

No recreio, Sofia ouviu um menino dizer: "Ele está diferente, veio de longe." Dona Marta aproveitou para explicar. "Às vezes, quando as pessoas vêm de outros lugares, tiveram experiências difíceis. Podemos ajudar perguntando e ouvindo. Ajudar é uma forma de paz."

Sofia aprendeu que dizer "pare" não era ser mandona. Era cuidar de alguém.

Capítulo 3

Em casa, Sofia contou tudo à mãe. "Eu disse 'pare' e defendi o Tomás", contou, as palavras saindo rápido. A mãe sorriu. "Fiquei orgulhosa. E você fez bem em pedir calma."

Nos dias seguintes, a turma fez um trabalho sobre conflitos. Cada grupo escolheu um pequeno problema para resolver com ajuda e diálogo. A turma de Sofia criou um teatro sobre dois irmãos que brigavam por um brinquedo. No fim, eles pediam desculpas, partilhavam o brinquedo e chamavam um adulto para ajudar a conversar.

"Este teatro mostra que quando as pessoas param de usar força e usam palavras, a solução aparece", explicou Sofia no palco, segurando o brinquedo.

Lá fora, no recreio, quando alguém começava a provocar, outros alunos lembravam: "Diga 'pare' e conte a um adulto." Tornou-se uma regra simples. Dizer "pare" funcionou como uma campainha que avisava: aqui temos um problema, precisamos conversar.

Um dia, Sofia encontrou Tomás sozinho perto do muro, olhando para um desenho. Era um mapa desenhado com lápis de cor. "Você gosta de mapas?", perguntou ela.

Tomás assentiu. "Minha casa tinha um mapa parecido", disse ele. "Quando tivemos que sair, deixei alguns desenhos para trás. Eu desenhei o caminho até onde ficava a minha escola."

Sofia sentiu vontade de ouvir. "Você pode me contar como era", disse. Eles sentaram no banco e Tomás começou a falar. Falou sobre a rua com árvores azuis — na lembrança, as árvores eram só verdes, mas ele chamava de azuis como as memórias. Falou sobre amigos e um cão que gostava de pular. Havia tristeza, mas também lembranças boas.

Enquanto Tomás contava, outros colegas se aproximaram. Um por um, começaram a perguntar: "Como era seu cachorro?" "Você sente falta da sua casa?" "Quer desenhar comigo?" As perguntas eram simples, cheias de interesse genuíno. Ninguém zombou. Ninguém riu.

A professora explicou que ouvir é um tipo de ajuda. "Quando alguém conta algo difícil, não precisamos resolver tudo", disse Dona Marta. "Basta ouvir com atenção. Isso já dá força."

Sofia aprendeu que a solidariedade pode começar com uma pergunta e um lápis para desenhar.

Capítulo 4

Na escola houve ainda uma atividade maior. A comunidade foi convidada para um dia de partilha. Pais, vizinhos e representantes de uma ONG vieram falar sobre como ajudar quem passou por conflitos em outras cidades ou países.

Havia mesas com roupas, brinquedos e mantas. Havia também um mural onde as pessoas podiam colar mensagens. "Seja bem-vindo", dizia um bilhete. "Aqui você tem amigos", dizia outro.

Sofia ajudou a montar uma caixa com livros para as crianças novas. Ela colocou nela um livro de desenhos, um jogo de memória e um bilhete que escreveu com a ajuda da mãe: "Se quiser brincar, é só dizer."

Tomás veio com um pacote. Trazia uma foto do cão que gostava de pular. "Achei importante trazer algo de casa", explicou. "Algo que me lembre o que é bom."

Sofia sorriu. "Que bom que trouxe." Ela pensou em como as pequenas ações juntam-se e fazem diferença. A palavra guerra, que antes soava grande e confusa, ficou mais clara. Era um conflito grande entre adultos, entre cidades e países. Mas ali, naquele pátio, as crianças e os adultos mostravam o contrário: que é possível agir com cuidado e partilha.

Dona Marta fez uma roda. "A paz começa com pequenas atitudes", disse. "Dizer 'pare' quando alguém machuca, ouvir quando alguém está triste, dar um cobertor, fazer um cartão. Essas coisas ajudam muito."

No final do dia, um homem da ONG contou uma história curta. "Quando há conflito, muitas pessoas saem de suas casas. Elas precisam de ajuda e de respeito. A solidariedade é quando damos aquilo que pudemos. Nem sempre é muito. Às vezes é só um sorriso."

Sofia pensou em sorriso como um pedacinho de paz. E em como dizer "pare" tinha sido um gesto de paz também.

No caminho de volta, a mãe perguntou: "O que você aprendeu hoje?"

Sofia respondeu sem hesitar. "Que dizer 'pare' é cuidar. Que ouvir é ajudar. E que, juntos, podemos fazer pequenos acertos que viram grandes coisas."

A mãe segurou a mão dela. "E que nome você quer que eu diga quando tiver orgulho de você?"

Sofia olhou para o céu que já escurecia. Lembrou do Tomás, dos mapas, das árvores que ele chamava de azuis. Lembrou do teatro, do dia de partilha e de quando teve coragem de falar. Sentiu o coração leve.

"Chame-me Sofia", disse ela com voz firme e feliz.

"Eu ouvi", disse a mãe com sorriso.

"Então diga meu nome bem", pediu Sofia com uma pontinha de brincadeira.

"Está bem", respondeu a mãe, com cuidado e carinho. "Sof...ia."

Sofia sorriu grande. "Sofia", corrigiu, e disse seu próprio nome como se fosse um pequeno segredo que agora todos sabiam pronunciar certo.

No silêncio confortável do carro, a mãe repetiu o nome devagar: "Sofia."

E a palavra saiu certa, calorosa e completa. Sofia sentiu-se vista. Era simples, mas importante. Era um nome dito com amor e respeito. Foi assim que a história terminou: com um nome pronunciado do jeito certo — Sofia.

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Conflitos
Situações em que pessoas ou grupos não concordam e têm problemas entre si.
Violência
Quando alguém faz mal a outra pessoa usando força ou agressão.
Diálogo
Conversar com calma para entender o outro e resolver um problema.
Negociação
Quando pessoas falam e combinam para achar uma solução que agrade a todos.
Ajuda mútua
Quando pessoas se ajudam umas às outras, cada uma dando um pouco.
ONG
Organização que ajuda pessoas e comunidades, sem ser do governo.
Comunidade
Grupo de pessoas que moram ou vivem perto e se conhecerem.
Partilha
Dividir coisas ou atenção com outras pessoas para ajudar.
Mural
Lugar na parede para colar mensagens, desenhos e avisos.
Mantas
Cobertores que aquecem e protegem do frio.
Solidariedade
Sentir preocupação pelos outros e agir para ajudar quem precisa.
Recreio
Momento na escola para descansar e brincar com os colegas.

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