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História sobre o assédio 9 a 10 anos Leitura 7 min.

Quando Amendoim disse basta

Amendoim, um esquilo tímido, enfrenta palavras e empurrões que o magoam na escola da Floresta; com apoio da professora e de amigos, precisa encontrar uma maneira de lidar com isso.

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O personagem principal é um pequeno esquilo chamado Amendoim, pelo castanho claro, grande cauda fofa, olhos redondos brilhantes, expressão determinada porém ligeiramente vulnerável, de pé com a pata dianteira levantada falando e segurando uma lancheira aberta com uma avelã caída no chão; três jovens guaxinins estão reunidos em frente a ele, peles listradas, surpresos e um pouco envergonhados — um recua como se tivesse impedido a lancheira, outro ergue a pata como para se proteger, o terceiro desvia o olhar; Amora, uma esquila mais velha de pelo mais escuro e olhar calmo e benevolente, está logo atrás de Amendoim, inclinada para apoiá‑lo com as mãos nos ombros; ao fundo, uma professora coruja observa desde a porta oca de um tronco, empoleirada num galho baixo, penas bem cuidadas e expressão atenta; o cenário é um corredor‑escola na floresta com paredes de madeira esculpida, raízes pelo chão, longas mesas e bancos e folhas caindo por uma janela em forma de folha; a cena mostra o momento em que Amendoim diz "por favor, parem", instante de confrontação calma: postura firme, silêncio respeitoso ao redor, olhares mudando e tensão se transformando em compreensão. reportar um problema com esta imagem

O primeiro sinal

Naquela manhã, Amendoim, o esquilo de rabo fofo, saiu da cantina com a lancheira nas patas. A escola da Floresta tinha mesas longas onde os animais comiam: corujas cochichavam, coelhos trocavam cenouras, e sapos riam com pequenas bolhas. Amendoim gostava da cantina porque ali podia comer tranquilamente uma bolinha de noz e observar as folhas que caíam pela janela.

No caminho para a sua sala, por um corredor de troncos e raízes, passou por um grupinho de guaxinins que costumavam brincar alto. Hoje, no entanto, o riso deles soou diferente. Um dos guaxinins empurrou a lancheira de Amendoim só para rir, e outro disse uma palavra que fez o coração do esquilo encolher. Não era físico — eram palavras que cutucavam, chamando-o de "medroso" por gostar de ficar sozinho. Amendoim tentou rir junto, mas sentiu um gosto amargo na boca.

Ele sabia, lá no fundo, que tinha direito de ficar tranquilo. Mas a voz que morava atrás do peito, a mesma que diz "vai dar certo", ficou pequena. Amendoim seguiu até a sala com passos curtos, tentando entender o que tinha acontecido.

Palavras que pesam

Durante a aula, a professora coruja falava sobre mapas das raízes. Amendoim não conseguia se concentrar. As palavras dos guaxinins rodopiavam dentro da cabeça. Ele percebeu que aquilo não era uma brincadeira para ele — era desconforto, era ficar menor. A professora notou que o esquilo estava quieto e pediu que desenhasse uma raiz. Amendoim desenhou linhas fortes, traços firmes, e pela primeira vez em horas desenhou também uma pequena porta, como se precisasse de um lugar seguro.

No recreio, um esquilo mais velho, Amora, aproximou-se. Ela sempre tinha um olhar calmo. "Está tudo bem?" perguntou sem pressa. Amendoim contou, com a voz apertada. Amora escutou até o fim — não interrompeu, não minimizou. Quando o esquilo terminou, Amora disse: "Sinto que isso te magoou. Posso ficar com você quando for de novo?" Amendoim sentiu o peso sair um pouco do peito. Era a primeira ajuda que não dizia o óbvio, apenas se oferecia.

Aprender a dizer não

Naquele dia, a caminho da sala depois do almoço, Amendoim pensou em encontrar os guaxinins. Sentiu o estômago dar um nó. Lembrou-se das palavras que a professora coruja usava quando falavam de coragem: não é não faltar medo, é saber o que fazer quando o medo aparece. Amendoim respirou fundo e praticou uma frase curta que Amora lhe sugerira: "Por favor, pare. Eu quero ficar em paz."

Quando um guaxinim empurrou sua lancheira de novo, Amendoim deixou a bolinha de noz no chão, olhou para o grupo e falou com clareza: "Por favor, pare. Isso me magoa." A voz não tremeu como antes. Não foi um grito; foi uma frase simples, firme. Os guaxinins ficaram surpresos. Um deles fez cara de quem não sabia o que dizer. Outro deu um passo para trás.

Alguns animais que passavam pararam também. Tinham visto a cena: um coelho, uma coruja jovem e um sapo. O inesperado aconteceu: amparados pelo silêncio respeitoso, Amendoim sentiu-se maior. Aquele pequeno gesto de falar fez com que o grupo percebesse que tinha ido longe demais.

O papel de quem vê

Na sala, depois do incidente, a professora coruja convidou todos para um círculo. Não para humilhar ninguém, mas para conversar. A coruja explicou que na escola da Floresta todos têm o direito de se sentir seguros. Perguntou aos guaxinins por que haviam empurrado e escolhido palavras cortantes. Um deles disse: "Era só uma brincadeira, não pensei..." Outra guaxinina falou que tinha rido porque tinha medo de ficar de fora se não concordasse.

A coruja então pediu aos animais que se colocassem no lugar do outro. Amora falou claramente: "Quando alguém diz 'pare', escutar é importante. Às vezes um gesto pequeno ajuda muito." O coelho comentou que uma vez também já se sentiu empurrado quando era menor e agradeceu a quem ouvira. O grupo percebeu que rir quando outro está magoado não é coragem, é medo de parecer diferente.

A professora ensinou uma pequena regra prática: se vir alguém desconfortável, aproxime-se, pergunte "Está tudo bem?" e, se for preciso, diga "Pare, isso dói" junto com a pessoa que sofreu. Todos concordaram em tentar ser mais atentos. Amendoim sentiu uma onda de alívio. Não era só ele que precisava mudar a situação — os que olham têm poder para ajudar.

Pequena vitória, grande coração

Alguns dias depois, os guaxinins apareceram na fila da cantina. O maior hesitou, olhou para Amendoim e ofereceu uma bolinha de noz, devagar. "Desculpa", disse ele baixinho. Não era uma conversa longa, mas era sincera. Amendoim aceitou a desculpa e sorriu. A lancheira voltou ao lugar, as palavras cortantes foram guardadas.

Naquele trajeto entre a cantina e a sala, um momento que antes pesava, passou a ter pequenos sinais de respeito. Se alguém empurrava por acidente, uma pata amiga puxava para trás e um "Tudo bem?" surgia. Era um passo pequeno, mas o resultado era grande: Amendoim voltou a caminhar com as costas menos curvadas, a respirar melhor, a desenhar portas e raízes sem medo.

Antes de dormir, Amendoim contou a Amora o que tinha aprendido: que falar com frases claras ajuda, que pedir ajuda é corajoso, e que colocar-se no lugar do outro transforma brincadeiras que magoam em cuidado. Sentiu uma alegria morna no peito, como quando encontra uma noz perfeita no outono. A vitória não foi um troféu — foi a descoberta de que, juntos, eles podiam fazer da escola um lugar onde cada um tem o direito de ser tranquilo.

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Cantina
Lugar onde os animais comem na escola, como um refeitório pequeno.
Lancheira
Caixa ou bolsa onde se guarda o lanche para levar à escola.
Cochichavam
Falavam baixinho entre si, quase sussurrando para não ser ouvido.
Bolhas
Pequenas esferas de ar que aparecem, aqui como riso em forma de som.
Raízes
Partes da planta que ficam no chão e seguram a árvore.
Desconforto
Sensação ruim no corpo ou na mente, quando algo incomoda.
Traços firmes
Linhas desenhadas com força e segurança, sem tremor.
Aproxime-se
Ação de chegar mais perto de alguém para ajudar ou perguntar.
Praticou uma frase
Repetiu uma frase para treinar como dizer algo com calma.
Sincera
Que diz a verdade do coração, sem fingir.
Bolinha de noz
Pequena porção de noz que Amendoim comia como lanche.

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