Era uma noite calma. O pequeno lobo Léo olhava a lua pela janela. Ele bocejou e contou as estrelas com o dedo. "Uma, duas, três", sussurrou. A mãe veio pôr a manta. Ela sorriu. "Pronto para brincar de contar histórias?" perguntou. Léo pulou na cama. "Sim!"
Léo fechou os olhos. Imaginou um vilarejo com casas coloridas. No vilarejo moravam amigos de todo tipo: meninas, meninos, pessoas que gostavam de roupas diferentes e pessoas que se diziam simply gente. Todos tinham tarefas no dia a dia. No imaginário de Léo, as tarefas iam para quem quisesse ajudar.
Na manhã do vilarejo imaginado, Dona Rosa varria a rua. Ela cantava baixo. "Vem, João", chamou. João era um menino que gostava de flores. Ele trouxe um regador. "Posso regar as plantas?" perguntou. Dona Rosa sorriu. "Claro. Obrigada." João regou as plantas com cuidado. Léo ouviu o som da água na imaginação. Plic, plac, plic.
Na casa ao lado, o senhor Miguel cozinhava biscoitos. Ele tinha um avental com estrelas. A vizinha Ana entrou. Ana gostava de consertar coisas. "Posso mexer na massa?" perguntou. Miguel riu e ajudou. "Claro, venha, é gostoso misturar." Ana mexeu com as mãos e fez uma bola. "Hum, cheira bem!" disse ela. As crianças do vilarejo sentaram para aprender a fazer biscoitos. Ninguém ficou de fora.
No parque, a turma organizava um piquenique. Havia cestas, toalhas e canções. Léo viu uma menina chamada Luca que usava um chapéu verde e corria mais do que todos. Luca ajudou a estender a toalha. Um menino com trança trouxe suco. Uma pessoa com saia e tênis trouxe frutas. Eles conversavam assim: "Quem pega as garrafas?" "Eu pego." "Quem monta as luminárias de papel?" "Eu monto." Tudo era combinado com cuidado. Eles se ajudavam sem pensar em regras antigas.
Léo imaginou uma escola no centro do vilarejo. Na escola, o professor Rita ensinava matemática com pedaços de madeira. Um aluno que gostava de pintar deu cor aos números. Uma aluna que gostava de futebol ajudou a contar com passadas. Rita disse: "Cada um tem um jeito. Cada um dá sua parte." Todos aprenderam juntos. Quando alguém não sabia, os amigos explicavam com paciência. "Tente de novo", dizia Rita, e todos tentavam.
Durante a tarde, havia uma horta comunitária. As plantas precisavam de cuidado. Um menino que usava colar ajudou a regar. Uma menina que gostava de subir em árvores podou as plantas com tesoura pequena. Uma pessoa alta montou uma pequena cerca. Ninguém disse que algumas tarefas eram só de meninos ou só de meninas. As mãos se misturavam na terra. Cheiro de terra molhada enchia o ar. Léo sentiu vontade de tocar.
No meio da história imaginada, os amigos decidiram fazer um teatro sobre heróis do dia a dia. Eles escreveram um roteiro. "O herói da limpeza", disse uma voz. "A heroína das ferramentas", disse outra. Uma criança que gostava de dançar vestiu-se de princesa com botas e uma menina com cabelo curto foi o rei. Eles riram. No palco, o mais importante era tentar, não lembrar quem fazia o quê antes.
Uma voz mais velha perguntou: "E se alguém quiser mudar de tarefa amanhã?" A turma respondeu em coro: "Tudo bem!" Eles sabiam que aprender era bom e que experimentar era divertido. "Eu quero aprender a cozinhar", disse um menino com olhos grandes. "Eu quero aprender a consertar a bicicleta", disse uma menina com sorriso aberto. "Nós ensinamos", disseram os outros.
Léo viu que, na sua imaginação, todos praticavam respeito. Quando alguém errou, os amigos ajudaram com cuidado. "Não faz mal", disseram. "Vamos tentar de novo." As crianças aprendiam que ser forte não era só levantar coisas pesadas. Ser forte era também pedir ajuda, dizer o que sente e dividir o trabalho.
Ao entardecer, no imaginário, o vilarejo se reuniu para uma roda de conversa. Cada pessoa falou um pouco. "Hoje ajudei a regar", disse uma menina. "Hoje aprendi a costurar", disse um menino. Todos aplaudiram. A alegria era simples e tranquila. Léo gostou daquela parte. Ele sentiu o peito quentinho.
Quando a lua subiu alta, a imaginação de Léo mudou para a sua casa. Ele abriu os olhos devagar. A mãe ainda estava ali. "E a história?" perguntou ela, com voz doce. Léo sorriu e contou um pouco. "Eles partilhavam. Eles mudavam de tarefa. Eles ajudavam." A mãe acariciou a cabeça do pequeno lobo. "Isso é muito bonito", disse ela.
Léo bocejou novamente. Antes de dormir, ele pensou em uma coisa. Ele podia ser o que quisesse. Podia cozinhar, consertar, cuidar, correr e cantar. Podia trocar as tarefas com os amigos. Isso o deixou feliz e seguro. "Eu posso tentar amanhã", murmurou Léo.
A mãe apagou a luz. A lua ficou guardando a janela. Léo fechou os olhos com um sorriso pequeno. No sonho, o vilarejo continuava alegre. As vozes diziam, numa canção suave: "Juntos, a gente faz. Juntos, a gente cuida." Léo dormiu tranquilo, sabendo que ser ele mesmo era sempre bem-vindo.