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Humor fantástico 7 a 8 anos Leitura 9 min.

O travesseiro do sol

Lúcia, uma menina de sete anos, parte numa aventura para convencer o Sol a tirar uma pequena soneca e restaurar a justiça no seu bairro, enfrentando quem quer explorá-lo.

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Uma menina de 8 anos, entusiasmada e travessa, cabelos castanhos em couettes, veste um casaco amarelo invertido, segura um grande embrulho listrado e um pequeno apito de madeira, estende a mão ao Sol cantando; um gato tigrado cinza (Pisco), pequeno e espevitado, olhos verdes, agarra-se aos sapatos dela e mia equilibrado numa pedra; o Sol é um rosto redondo idoso, bigodudo de raios dourados, olhos doces e cansados, fecha um olho e segura um travesseiro de nuvem; uma nuvem branca sorridente, fofa, flutua acima oferecendo um lençol macio com um pequeno arco-íris no canto; cenário de céu pastel baixo sobre um pequeno monte gramado com flores coloridas, uma praça pavimentada no canto inferior direito e uma sorveteria ao fundo; a cena mostra a menina embalando o Sol para uma soneca de dez minutos, tom engraçado e terno, cores quentes, traços nítidos e contornos levemente entintados, luz suave e jogos de sombras. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — O Plano de Lúcia

Lúcia tinha sete anos e uma cabeça cheia de perguntas. Na sua rua, o sol era pontual demais: aparecia, brilhava, e fazia todo mundo suar. Lúcia achava isso injusto. "O sol trabalha demais", disse ela uma manhã, de pijama e meias coloridas.

"Trabalha? Ele é o sol..." murmurou a sua avó, que plantava tomates.

"Isso é exatamente o problema!" Lúcia bateu o pé. "E se eu pusesse o sol em espera por dez minutinhos? Só pra ele descansar. Justiça solar!"

A avó sorriu com dentes de quem sabe muitas histórias. "E como é que se põe um sol em espera?"

"Com jeitinho e um travesseiro grande", anunciou Lúcia. "E um plano."

Ela foi para o sótão e trouxe um lenço listrado, um apito que fazia "piu-piu" e um balão amarelo que comprou numa loja de festas. Lúcia vestiu a capa de chuva ao contrário, prendeu o lenço na cabeça e fez uma lista em letras enormes:

1. Encontrar o sol.

2. Pedir licença.

3. Sussurrar "boa noite" e dar o travesseiro.

4. Voltar para casa antes do lanche.

"E se o sol não quiser?" perguntou o seu gato, Pisco, que apenas piscou.

"Converso com ele", disse Lúcia. "Sou ótima em conversas."

Capítulo 2 — A Jornada até o Céu

Na praça, um homem vendia sorvetes e deixou Lúcia segurar um cone vazio. "Para o caminho", disse ele, confiante de que crianças costumam demorar.

"Sol, sol!" gritou Lúcia, subindo num monte de pedras como se fosse uma montanha. As nuvens cochichavam. Um pássaro fez "cururú" e pousou na sua orelha.

"Olá, pequena arrancadora de sorrisos", disse uma nuvem que, por acaso, era falante. Lúcia quase deixou cair o apito.

"Bom dia, nuvem", respondeu ela. "Vou pôr o sol em espera. Você poderia avisá-lo?"

A nuvem sorriu, o que fez um pequeno arco-íris. "O sol está ocupado com cartas de trabalho. Mas gosta de descansos."

"Acredita em descansos?" perguntou Lúcia como quem descobre um segredo.

"Claro. Todos nós precisamos", disse a nuvem. "Mas o sol só dorme quando recebe um bom motivo. Ele gosta de justiça."

"Perfeito!" Lúcia bateu palmas. "Então é justo pedir."

A nuvem soprou um fio de vento, que levou Lúcia como se fosse um barco num rio de ar. Eles flutuaram até um lugar onde o céu parecia mais baixo, quase ao alcance das mãos.

"Ali está!" sussurrou Pisco, que agora usava óculos imaginários.

E lá estava o sol. Não era uma bola comum. Era um senhor redondo, com bigode feito de raios. Estava a ler uma lista enorme, cheia de tarefas: acordar as flores, aquecer o cachorro da esquina, iluminar o gato que estranhamente não gostava de sol.

Lúcia levou um suspiro e aproximou-se. "Senhor Sol?"

O sol ergueu uma sobrancelha de luz. "Quem chama o meu nome com tanto apito?"

"Sou Lúcia. Tenho sete anos e um travesseiro." Ela ergueu o balão amarelo como sinal de paz.

O sol coçou o bigode. "Um travesseiro? Para quem?"

"Para você. Para você pôr em espera. Só dez minutos."

Capítulo 3 — Negócios, Travessuras e Justiça

"Por que eu deveria?" perguntou o sol. Sua voz era quente como sopa bem temperada.

"Porque... porque é justo", disse Lúcia. "Hoje foi a vez da senhora da mercearia cuidar do cão, e ela teve que sair cedo. O carteiro recebeu um abraço do vento. E o jardineiro plantou flores na chuva. Todos trabalharam para fazer o dia perfeito. Você também merece um descanso."

O sol pensou. Seus raios piscaram. "Humm. Gosto dessa palavra: justo. Justiça gosta de sombra e de chá."

Lúcia abriu o apito. "E se eu provasse? Um jogo: dez minutinhos de espera por um trato de boa ação. Você fecha os olhos, eu canto uma canção, e depois você volta. Se você voltar, eu lhe coloco um travesseiro de nuvem todas as noites."

O sol riu, fazendo chuviscar confete de luz. "Um travesseiro de nuvem? Hm. Tem de ser fofinho."

"É o melhor travesseiro! Promesso!" Lúcia fez uma vénia tão dramática que quase voou.

"Está bem", disse o sol. "Mas uma condição: enquanto eu tirar a soneca, ninguém pode aproveitar para ser injusto ou maldoso. Justiça primeiro!"

"Combinado!" Lúcia estendeu a mão. O sol tocou-a com um raio que não queimou nada, apenas fez cócegas.

Lúcia colocou o balão amarelo e começou a cantar. "Dormes, sol, dormes devagar, deixa a lua passar... piu-piu!"

Pisco fez coro com um miado desafinado. A nuvem trouxe um cobertor macio. O sol fechou os olhos, e os raios diminuíram até virarem um brilho tímido. O céu ficou mais macio, como um cobertor estendido.

Mas então, uma sombra se movia apressada: era o Senhor Carrapato, o relojoeiro que ganhara fama por manipular horários para seu lucro. Ele queria que o sol trabalhasse sempre, para vender relógios que "funcionavam mais horas".

"Ah-ha!" exclamou o Senhor Carrapato. "Sem sol, minhas vendas caem!"

Lúcia arregalou os olhos. "Isso é injusto!"

"Exato", disse a nuvem. "A justiça é agora uma guarda que não permite trapaças."

Lúcia, com coragem e língua afiada, disse: "Senhor Carrapato, não se faz assim. O sol tem direito a um descanso."

O Senhor Carrapato tentou puxar o cordão que controlava os ponteiros do mundo. Mas Pisco saltou e enroscou-se nos sapatos do relojoeiro, fazendo-lhe trocar os ponteiros por risadinhas.

"Ha!" gritou Lúcia. "Seu tempo de enganar acabou!"

O vento levou o cordão e desenrolou uma fitinha colorida que virou laço no pulso do Senhor Carrapato. Ele soltou uma risadinha, e, surpreendentemente, sentiu vontade de tirar uma soneca também. Justiça fez cócegas e riu.

Capítulo 4 — Um Céu Acalmado

Dez minutinhos passaram — ou talvez terem sido ligeiramente mais, porque risadas às vezes esticam o tempo. O sol abriu um olho, espreguiçou-se e bocejou uma luz quentinha.

"Obrigada", sussurrou, colocando o travesseiro de nuvem cuidadosamente. "Foi um bom descanso."

"Obrigada por ser justo", respondeu Lúcia. "E obrigado por voltar."

O Senhor Carrapato ajustou os relógios e sentiu no peito uma coisa nova: vontade de repartir tempo. Ele começou a consertar relógios para as pessoas, sem querer mais ganhar horas demais. A praça sorriu.

"A justiça não precisa de martelo", disse a sua avó, que agora trazia biscoitos. "Às vezes, só precisa de coragem e um travesseiro."

O sol sorriu, aumentando o brilho só o suficiente para deixar as flores felizes. O céu estava calmo, com nuvens que pareciam algodão doce. Lúcia sentiu-se como podia: pequena, mas importante.

"Posso pedir um favor?" perguntou o sol.

Lúcia ficou em pé como se fosse uma heroína de histórias de capa e balão. "Claro!"

"Quando eu estiver cansado, posso chamar você?"

"Pode!" disse Lúcia, e fez uma reverência exagerada.

Capítulo 5 — Voltar para o Lanche

Lúcia voltou para casa com Pisco no colo e uma mão cheia de biscoitos. A avó bateu palmas. "E então, o sol está em boa forma?"

"Está", disse Lúcia, mastigando um biscoito. "E aprendi que justiça é deixar todos descansarem. Até os que brilham muito."

Pisco ronronou. A nuvem fez um desenho de coração no céu. O sol piscou uma última vez, prometendo que amanhã voltaria a trabalhar, mas com menos pressa e mais sorriso.

Lúcia olhou para o céu apaziguado e sentiu-se leve. "Missão cumprida", murmurou.

E o céu, agora calmo, respondeu com um abraço de luz.

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Travesseiro
Almofada para pôr a cabeça quando se dorme ou descansa.
Sótão
Cômodo no topo da casa, debaixo do telhado, onde se guarda coisas.
Lista
Conjunto de palavras ou itens escritos um abaixo do outro.
Cochichavam
Falavam baixinho, quase sussurrando, para não serem ouvidos.
Arco-íris
Cores no céu em forma de arco, que aparecem depois da chuva.
Vénia
Curvatura pequena do corpo para mostrar respeito ou cumprimentar.
Espreguiçou-se
Esticou o corpo e os braços para acordar ou ficar mais mole.
Confete
Pequenos pedaços coloridos de papel usados em festas.

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