Parte 1
O Tomás bocejou e apertou o ursinho no peito. A mamã tocou na testa dele com a mão morna.
“Parece que tens o nariz entupido, meu querido.”
“É só um espirro”, disse o Tomás, com voz fininha.
O papá vestiu o casaco e sorriu. “Vamos ao médico. O doutor Miguel é muito calmo. E ele explica tudo.”
Tomás olhou para a caixa dos lenços. “Eu não gosto de agulhas…”
“A consulta pode ter só conversa e escuta”, respondeu o papá. “E combinamos regras simples: esperar a nossa vez, falar baixinho e lavar as mãos.”
Na rua, o ar estava fresco e cheirava a pão. Tomás andou devagar, de mão dada com o papá. A cada passo, o papá repetia: “Devagarinho, com calma. Regras ajudam.”
Na sala de espera havia livros e um tapete macio. Tomás sentou-se. Um menino correu, mas a mãe dele disse: “Aqui andamos devagar.” Tomás gostou. Parecia um lugar que pedia silêncio como um ninho.
A porta abriu. “Tomás?” chamou uma voz amiga. Era o doutor Miguel, um homem alto, de óculos redondos e sorriso de chá quente.
Parte 2
No consultório, tudo parecia limpo e brilhante, como uma cozinha arrumada. Havia uma mesa, uma cadeira grande e outra pequena, e um boneco de peluche com um penso de brincar.
“Olá, Tomás. Podes sentar-te aqui”, disse o doutor Miguel. “E podes dizer-me o que sentes.”
Tomás apontou para o nariz. “Está fechado. E eu faço ‘atchim'.”
“Entendi”, disse o doutor. “Vamos ver com calma.”
Ele lavou as mãos e mostrou o gesto. “Assim, para afastar os micróbios. Queres tentar também?”
Tomás esfregou as mãos com sabão. “Assim?”
“Muito bem. Respeitar estas regras protege-te e protege os outros.”
O doutor pegou no estetoscópio. “Isto é como um ouvido de metal. Ele escuta o teu peito.”
Tomás ficou quietinho. “Está frio.”
“É só um bocadinho. Depois aquece”, respondeu o doutor.
O doutor ouviu. Depois olhou para a garganta com uma luz pequena. “Abre a boca como um leão… aaah!”
“Aaah!” fez o Tomás, a rir.
“Agora vou explicar uma coisa importante”, disse o doutor Miguel, sentado ao lado dele. “Um resfriado é quando o nariz fica a pingar ou entupido, tens espirros e, às vezes, uma tosse leve. O corpo está a lutar contra um vírus pequenino. Normalmente passa com descanso, água e carinho.”
Tomás piscou os olhos. “E ‘outra coisa'?”
“Outra coisa pode ser, por exemplo, uma infeção mais forte, como uma amigdalite, ou uma gripe. Aí podes ter febre alta, muita dor no corpo, ou dificuldade em respirar. E isso pede mais atenção. Por isso eu ouço, vejo e faço perguntas.”
“Eu tenho febre alta?” perguntou o Tomás, preocupado.
O doutor abanou a cabeça. “Não. A tua febre é baixinha, e o teu peito está a respirar bem. Parece um resfriado.”
O papá suspirou aliviado. “O que fazemos?”
“Regras de cura”, disse o doutor, contando nos dedos. “Beber água. Dormir. Soar o nariz com lenço e deitar o lenço no lixo. Tossir para o cotovelo. E lavar as mãos. Se a febre subir muito ou se a respiração ficar difícil, voltam cá. Combinado?”
“Combinado”, disse Tomás, firme.
Parte 3
Antes de saírem, o doutor Miguel deu um autocolante de estrela. “Para o Tomás, que cooperou muito bem.”
Tomás sorriu. “Eu fui corajoso.”
“E educado”, acrescentou o papá.
O doutor guardou tudo no lugar: o estetoscópio no gancho, os pauzinhos novos na caixa, os papéis numa pilha direita. Passou um pano na mesa. O consultório ficou arrumado, quieto e seguro, como um quarto pronto para dormir.
Lá fora, o céu já estava mais cor-de-rosa. Em casa, Tomás bebeu água, assoou o nariz e deitou o lenço no lixo. Depois deitou-se com o ursinho.
“Papá?”
“Sim?”
“O resfriado é um vírus pequenino. E as regras ajudam.”
“Ajudam muito”, disse o papá, dando um beijo leve. “Boa noite, Tomás.”
Tomás fechou os olhos. No pensamento dele, o doutor Miguel era como um farol gentil: claro, calmo, e sempre com tudo no sítio.