Capítulo 1 — O convite que tocou
Tomás acordou com um som alegre. "Tum-tum-pam!", vinha da rua. Ele abriu a janela e o vento trouxe confete colorido até o seu travesseiro.
"Hoje é dia de Carnaval!", exclamou a mãe. Tomás tinha oito anos e um sorriso que brilhava como purpurina. Ele pulou da cama. "Eu quero um desfile! Eu quero música!"
No café da manhã, o pai bateu com a colher na caneca como se fosse um tambor. "Vai ter desfile no bairro. Todos vão dançar." A vizinha Dona Lúcia passou cantando com um chapéu enfeitado de flores. "Venham, venham, tragam seus passos!"
Tomás pegou sua máscara velha. Era azul com uma estrela amassada. Ele tocou a estrela. "Hoje vou fazer a melhor fantasia de todas", prometeu. O feijão, o pão e o café pareciam aplaudir. A cidade inteira cheirava a alegria.
Capítulo 2 — A fantasia que cresceu
Na sala, havia caixas com lantejoulas, penas e fitas. Tomás e sua irmã pequena, Lila, começaram a inventar. "Quero asas!", disse Lila. "Quero uma capa que brilha!" Tomás pensou. "E se minha fantasia tivesse música dentro?"
"Vamos fazer um fantasma que toca trompete!" sugeriu Lila, rindo. Tomás bateu palmas. "Ou um robô que dança!" Eles costuraram com cola, cortaram com tesoura (com cuidado) e cantaram. "Plim-plim, faz assim!" repetiam, enquanto o relógio batia alegre.
A vizinha Dona Rosa apareceu com um saco misterioso. "Trouxe algo para vocês", disse ela. Tirou de dentro um pequeno tambor dourado. "É mágico", piscou ela. "Quando vocês tocarem junto, ele transforma passos em risos." Tomás segurou o tambor e sentiu uma vibração quentinha, como se fosse um abraço.
"Vamos ao espelho!", sugeriu o pai. Tomás vestiu a capa feita de retalhos coloridos. Colocou a máscara azul. Lila colocou as asas de papel brilhante. O tambor de Dorana soou: "tum-tum". Eles bateram os pés. O espelho sorriu de volta. "Estamos prontos", disse Tomás. "Parece que até o espelho quer dançar."
Capítulo 3 — O desfile que virou festa
Na rua, a banda começou a tocar. Havia flautas, pandeiros e uma sanfona que suspirava notas doces. "Vem, Tomás!", chamou o amigo João. "Vamos virar a esquina do vento dançante."
Tomás apertou o tambor dourado. "Tum-tum!" A batida abriu caminhos. As pessoas abriram os braços. A pequena cadelinha Mimi usava uma gravata de papel e latia no ritmo. O bloco passou; tinha um carro coberto de balões que se mexiam como nuvens sorridentes.
Muitos olhares acompanharam Tomás. Ele pisava com cuidado. "Olha, ele tem música dentro da capa!" murmurou uma senhora. "Olha, as fitas estão cantando!" gargalhou outro senhor. Tomás percebeu que cada passo dele deixava um rastro de brilho no chão. Era como se o asfalto tivesse virado pintura.
No meio da rua, uma surpresa: um grupo de crianças com tambores fez uma roda. "Vamos ver quem cria a batida mais engraçada!" desafiou João. Tomás e Lila tocaram com força. O tambor dourado respondeu com risadinhas: "tra-lá-lá". As risadas se transformaram em notas que faziam todo mundo girar como helicópteros coloridos.
"Olhem!" gritou Lila, apontando para o céu. Papagaios de papel voavam em fila, puxados por balões. Eles pareciam escrever palavras no ar: AMOR, RISO, SAMBA. O prefeito da praça, que usava um chapéu maior que a própria cabeça, bateu palmas com as mãos e os sapatos. "Esse é o melhor Carnaval que já vi!" disse ele, e até os sapatos dele começaram a dançar sozinhos.
Capítulo 4 — O confete que ficou e a promessa
A tarde foi um carrossel de canções. Teve marchinha, teve forró, teve uma música que misturava todos os ritmos. Tomás sentiu as pernas cansadas, mas a alegria dava energia. Ele se sentou num banco para comer um pedaço de bolo com cobertura que brilhava. "Está parecendo nuvem de mel", disse ele.
Lá vem o grupo de capoeira com fitas azuis. Lá vem Dona Lúcia com seu chapéu novo. Lá vem o velho do saco, soltando balões que, ao estourarem, soltavam confete em forma de estrelas. O confete voou e caiu devagar, como se o céu também tivesse decidido brincar.
No fim do dia, as luzes da praça ficaram como lanternas de sonho. As pessoas começaram a se despedir, mas o Carnaval não queria ir embora. O tambor de Tomás bateu uma última vez: "tum-tum-pam!" E do tambor saiu uma nuvem pequenininha de confete que pousou na mão de Tomás. "Fica com você", sussurrou o tambor. "Assim você sempre vai lembrar de dançar."
Tomás guardou o confete num pote de vidro sobre a janela. "Prometo que vou dançar todos os dias", disse ele. Lila fez uma reverência. O pai e a mãe sorriram. Dona Rosa acenou do outro lado da rua, e o tambor dourado piscou como um farol.
Antes de deitar, Tomás olhou para o pote. As estrelas de confete brilhavam no escuro. Ele pensou nas músicas, nas risadas, nas fitas que cantavam. "Amanhã eu conto tudo para a Mimi", murmurou ele.
"Boa noite, cidade que dança", disse Tomás, bocejando. A lua respondeu com um acorde suave. E nas ruas, ainda ecoavam sapatos que batucavam, como quem ensaia para o próximo grande Carnaval. Tomás fechou os olhos com o sorriso de quem sabe que a festa mora dentro do peito.