Capítulo 1: O Desafio do Pote de Frutas
Era uma manhã muito alegre na floresta. O sol brilhava, os pássaros cantavam e as folhas dançavam com o vento. O pequeno renardinho, chamado Lico, acordou com um sorriso no rosto. Lico era um renardinho de pelo laranja e olhos brilhantes, muito curioso e brincalhão.
Lico ouviu sua amiga coelha, Lili, pulando animada.
— Lico, Lico! — chamou Lili. — Venha brincar comigo! Vamos procurar o pote de frutas que o esquilo escondeu!
Lico adorava brincar com Lili. Eles corriam, pulavam, riam e se divertiam juntos todos os dias.
— Vamos sim! — respondeu Lico, abanando o rabinho.
Eles seguiram juntos pela floresta, cheirando o ar fresco e ouvindo o barulho das folhas. O pote de frutas era colorido e cheirava muito bem. O esquilo tinha escondido o pote para um jogo especial.
— Quem achar o pote de frutas primeiro, pode escolher a primeira fruta! — disse Lili, pulando de alegria.
Lico sorriu. Ele adorava frutas e queria muito ser o primeiro. Mas Lili também queria muito. Os dois começaram a procurar, cada um para um lado.
Lico olhou debaixo de uma pedra. Nada. Olhou atrás de uma árvore. Nada. Lili pulou por cima de um tronco e deu risada.
— Achei uma pista, Lico! — gritou Lili.
Lico correu até ela. Era uma folha mordida, igual às que o esquilo gostava. Eles ficaram animados. Mas, quando estavam quase chegando perto, Lili foi mais rápida. Ela achou o pote de frutas escondido atrás de um arbusto.
— Achei! Achei! — gritou Lili, muito feliz.
Lico parou. Sentiu o coração apertar. Ele queria muito ter achado primeiro. Uma sensação estranha apareceu, e Lico ficou triste e com um pouco de raiva, mesmo gostando muito de Lili.
Capítulo 2: O Sentimento Verde
Lico ficou parado, olhando para Lili com o pote de frutas.
— Eu queria tanto achar primeiro… — pensou Lico baixinho.
Seu rabinho ficou caído, e seus olhos ficaram tristes. Ele sentiu o que chamam de “ciúmes”, um sentimento verde, como as folhas da floresta. É como se um bichinho dentro dele dissesse: “Eu queria! Eu queria!”
Lili percebeu que Lico estava diferente.
— Lico, o que foi? — perguntou Lili, olhando preocupada.
Lico não sabia o que dizer. Ele gostava de Lili, mas naquele momento queria que ela não tivesse achado o pote primeiro.
— Eu queria ter achado o pote… — disse Lico, bem baixinho.
Lili se aproximou, com o pote entre as patinhas.
— Eu também queria muito, Lico. Mas olha, tem frutas para nós dois! Podemos escolher juntos!
Lico olhou para o pote. As frutas eram vermelhas, amarelas e roxas, brilhando ao sol. Ele queria ficar feliz, mas o sentimento verde ainda estava lá, pulando no seu peito.
— Não é justo… — disse Lico, com a voz meio chorosa.
O esquilo apareceu, sorrindo.
— Sabem, amigos, às vezes a gente sente ciúmes. Mas os sentimentos vêm e vão, como o vento nas folhas. O importante é falar sobre eles.
Lico olhou para o esquilo. Será que o sentimento ia embora mesmo? Ele não sabia, mas queria tentar.
Capítulo 3: Conversando com o Esquilo
Lico e Lili sentaram perto do esquilo, embaixo de uma árvore bem grande.
— Como a gente faz para o sentimento ir embora? — perguntou Lico, curioso.
O esquilo pensou um pouquinho e respondeu:
— A gente pode respirar fundo. Vamos juntos? Inspire… expire…
Lico, Lili e o esquilo respiraram fundo, cheirando o perfume das frutas.
— Agora, Lico, pensa em outra coisa boa. Você gosta de brincar com Lili?
Lico balançou a cabeça.
— Sim, eu adoro brincar com ela!
— E você gosta de frutas?
— Gosto muito!
— Então, que tal dividir as frutas e brincar juntos? — sugeriu o esquilo, sorrindo de orelha a orelha.
Lico olhou para Lili. Ela estava sorrindo, segurando uma framboesa bem vermelha.
— Quer dividir comigo, Lico? — perguntou Lili, oferecendo a framboesa.
Lico sorriu. O sentimento verde ficou menor, bem pequenininho, quase sumiu. Ele pegou a framboesa.
— Obrigado, Lili! Eu também quero dividir com você.
Eles comeram as frutas juntos. O esquilo contou uma piada engraçada, e todos riram muito.
— Viu, Lico? Os sentimentos vão mudando. Agora você está feliz de novo! — disse o esquilo.
Lico percebeu que era verdade. O ciúmes tinha ido embora, e no lugar dele veio a alegria de brincar e dividir.
Capítulo 4: O Coração Leve
Depois de comerem as frutas, Lico e Lili correram pelo campo. O sol brilhava ainda mais forte, e o vento fazia cócegas nas orelhas deles.
— Lico, você está melhor agora? — perguntou Lili.
— Estou, sim! — respondeu Lico, pulando de alegria. — Senti ciúmes, mas agora estou feliz. Os sentimentos mudam, não é?
— Mudam sim! — concordou Lili. — E podemos sempre dividir e brincar juntos.
O esquilo pulou ao lado deles e disse:
— Quando sentir ciúmes de novo, lembre de respirar fundo, falar com os amigos e pensar nas coisas boas.
Lico sorriu. Ele aprendeu que sentir ciúmes é normal, mas que não dura para sempre. O importante é conversar, dividir e brincar juntos.
No fim do dia, Lico, Lili e o esquilo se deitaram na grama, olhando para o céu azul.
— Hoje foi um dia especial, não foi? — disse Lico.
— Foi sim! — responderam Lili e o esquilo.
Lico fechou os olhos, sentindo o coração leve e feliz. Ele sabia que, sempre que um sentimento estranho aparecesse, poderia conversar, respirar fundo e esperar. Porque os sentimentos vêm e vão, como o vento, e a alegria de estar junto dos amigos sempre volta.
E assim, Lico adormeceu, sonhando com frutas coloridas, brincadeiras e um coração cheio de carinho.
Fim.