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História do Dia dos Namorados 9 a 10 anos Leitura 6 min.

O piscar do bosque

Luno, um pequeno lobo, prepara um piquenique e gestos de gratidão para agradecer Mira, a corça que o ajudou, e juntos partilham histórias e criam um laço especial no bosque.

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Um pequeno lobo (personagem principal) de pelagem cinza-pérola, macia e lanosa, olhos amarelos luminosos como lanternas, expressão calorosa e tímida, sentado sobre uma manta xadrez, segurando uma pequena caixa de bolo de frutas e mostrando um xale bordado com um coração; uma pequena corça (personagem secundário) de traços delicados, pelagem bege-rosada, olhos grandes e meigos, sorriso surpreso e emocionado, sentada em frente ao lobo na mesma manta, olhando o xale sobre os joelhos; à volta, uma pradaria de ervas altas e verdes salpicada de margaridas brancas e pequenas flores roxas, com luz alaranjada do pôr do sol; ao fundo, silhuetas estilizadas de carvalhos e um ribeiro prateado cintilante, pétalas e folhas levadas por uma brisa; cena principal: um piquenique íntimo de gratidão ao crepúsculo, atmosfera doce e benevolente, composições geométricas e cores contrastantes típicas do art déco, texturas visíveis no xale, no bolo e na pelagem. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 – O vento de fevereiro

Na manhã de dia dos Namorados, o bosque acordou com um cheiro doce de terra molhada. O vento trazia pétalas de flores selvagens e um riso distante das corujas. No meio das carvalheiras, vivia um pequeno lobo chamado Luno. Ele tinha o pelo macio como lã de nuvem e olhos que brilhavam como duas lanternas amarelas.

Luno era humilde e forte. Corria mais rápido do que as folhas ao vento e carregava galhos grandes para a toca. Mas, naquele dia, ele estava um pouco inquieto. Queria agradecer a alguém. Havia recebido uma ajuda sem pedir — alguém o ajudara a atravessar o rio barrento e a salvar seu xale de lã, que caíra entre pedras frias. Luno guardava esse favor no peito como um segredo quentinho.

Ele cheirou o ar. No caminho, ouviu risadinhas: esquilos escondiam nozes, raposas penteavam os bigodes. Luno decidiu que faria algo especial para dizer "obrigado". Foi até a margem do rio. Água fria tocou suas patas. Lá, encontrou pistas: pequenas pegadas de patinhas com hilhos de tinta vermelha — marca de quem gostava de desenhar corações na lama. Luno sorriu. Sabia de quem se tratava.

Capítulo 2 – O plano de Luno

Luno pensou e bateu com o rabo no chão. Não queria um presente grande. Queria algo simples e feito com cuidado. Doce de amor, ele pensou? Flores? Um desenho? Decidiu que faria um piquenique de gratidão — coisas que lembrassem aquele gesto gentil: um xale limpo, um bolo de frutas do bosque e um bilhete com um coração desenhado.

Primeiro, foi ao velho carvalho pegar mel de flor que pingava numa cabaça. O mel cheirava a verão. Depois, colheu amoras roxas e framboesas, estalando de suco entre os dedos. Cada fruto parecia um pequeno sol. Luno cantava baixinho para não assustar ninguém. A voz dele era quente, como sopro de lareira.

Enquanto preparava, lembrou-se do xale molhado que salvou. Lavou o tecido com água de limões silvestres e estendeu ao sol. O xale secou rapidamente, brilhando um pouco. Luno bordou com pontinhos coloridos um pequeno coração num canto. Cada ponto era um "obrigado".

Capítulo 3 – O encontro no prado

Ao cair da tarde, Luno levou a cesta para o prado das margaridas. O local era perfeito: erva macia, cheiro de feno e um céu pintado de laranja. Não demorou para que chegasse a quem ajudara — uma pequena corça chamada Mira, com olhos gentis e passos leves como poesia. Ela tinha patas delicadas e um sorriso que iluminava o rosto.

Mira olhou surpresa para a cesta. "Luno…", disse ela, e o som foi como sino. Luno corou levemente e explicou com palavras simples: "Você me ajudou no rio. Trouxe isso para dizer obrigado." Colocou o xale com o coração bordado sobre as patas de Mira. Ela tocou o tecido e os olhos se encheram de brilho.

Começaram a comer. O bolo de amoras tinha um gosto de festa. O mel escorria pelas laterais, e os dois lambiam com cuidado, rindo de si mesmos. Contaram histórias de pequenos gestos que mudaram dias. Mira lembrou do dia em que Luno empurrou uma grande pedra para liberar o caminho das lebres. Luno achou graça e bateu no peito com orgulho humilde.

No meio do piquenique, uma brisa trouxe pétalas no ar. Luno olhou para Mira e sentiu o coração quentinho. E tomou coragem: "Obrigado por me ajudar. Você me ensinou que pedir socorro não é fraqueza." Mira sorriu e encostou a cabeça no ombro de Luno. O prado parecia cantar.

Capítulo 4 – O pequeno segredo e o piscar final

Quando a noite começou a abrir suas cortinas escuras, Luno tinha mais um presente. Pegou do bolso um papelinho dobrado. Era um mapa desenhado com giz de carvão — um mapa para um lugar secreto onde cresciam as maiores estrelas de cogumelo do bosque. "Para você," disse Luno. "Para lembrarmos sempre de cuidar um do outro."

Mira leu o mapa e riu com os olhos. "Vamos amanhã," respondeu ela. Antes de irem embora, Luno fez algo tímido: cantou uma canção curta, com palavras simples que falavam de gratidão, de travessias e de cobertores secos. Sua voz balançou como folhas.

Quando se despediram, trocando um abraço que perfumou a noite com mel e flores, Luno sentiu-se leve. O gesto que levou era modesto, mas verdadeiro. Mira se afastou lentamente pela trilha prateada. No último instante, ela virou a cabeça e fez um sinal com o olho — um piscar suave, cúmplice.

Luno sorriu de volta e, antes de sumir entre as sombras, também piscou. O bosque inteiro pareceu concordar, como se as estrelas piscassem em resposta. E assim, naquele dia dos Namorados, um pequeno lobo mostrou que gratidão é um presente que se dá com o coração — e que um piscar pode selar uma amizade.

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Carvalheiras
Grupo de carvalhos juntos, como uma pequena floresta de árvores altas.
Xale
Peça de tecido que se usa sobre os ombros para aquecer.
Cabaça
Fruto seco com casca dura, usado para guardar mel ou água.
Framboesas
Frutos pequenos, vermelhos e doces, que crescem em arbustos.
Bordou
Fez desenhos no tecido com agulha e linha, ponto por ponto.
Piquenique
Refeição ao ar livre, com comida levada numa cesta.
Lebres
Animais parecidos com coelhos, com patas longas e rápidos.
Brisa
Vento leve e suave que mexe as folhas e o cabelo.
Giz de carvão
Pedaço de carvão usado para desenhar ou marcar no papel.
Trilha prateada
Caminho iluminado pela lua ou luz que parece prateada.

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