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História engraçada sobre os amigos 11 a 12 anos Leitura 20 min. (1)

O mistério do microfone perdido no teatro municipal de Vila Marinha

Um grupo de jovens atores procura um microfone desaparecido no velho Teatro Municipal, embarcando numa série de buscas divertidas cheias de imaginação, risos e trabalho em equipa que põem à prova a sua amizade.

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Uma menina de 12 anos, cabelos castanho-claro em duas tranças, olhos verdes, sorridente e enérgica, veste camiseta amarela e saia jeans e ergue orgulhosamente um grande microfone brilhante como troféu; ao lado esquerdo, um rapaz de cerca de 12 anos, alto e magro, cabelo castanho desgrenhado e jaqueta vermelha com capuz, bate palmas ritmadas com olhar divertido; atrás e à direita, uma menina de 11 anos, cabelos pretos lisos, segura um caderno e um lápis, ri e se inclina como para cochichar um plano; ao fundo, um rapaz loiro de 12 anos, calmo e sorridente, de braços cruzados junto a uma coluna de madeira; tudo acontece no interior acolhedor de um pequeno teatro municipal com cortinas vermelhas, piso de madeira, mesa de som e pôsteres vintage, num momento de triunfo após a busca do microfone perdido, com risos, luzes no microfone e confetes imaginários flutuando. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — O teatro que cheira a cortina velha e pipoca

O Teatro Municipal de Vila Marinha tinha um cheiro muito específico: cortina velha, madeira encerada e… pipoca esquecida em algum canto desde a última sessão de cinema da escola. A Leonor, 11 anos, dizia que era “o perfume oficial das aventuras”.

Ela entrou a saltitar pelo corredor, mochila às costas, garrafa de água a bater na lateral: toc-toc-toc, como se já fosse uma percussão.

— Malta, cheguei! — anunciou, abrindo a porta da sala de ensaios com um empurrão que parecia coreografia.

Lá dentro estavam os amigos:

O Tomás, que era alto e tinha a mania de marcar o ritmo com estalos de dedos, mesmo quando estava a comer sandes.

A Yasmin, rápida a pensar e ainda mais rápida a rir, com um caderno cheio de rabiscos e planos.

E o Rafa, que dizia sempre “calma, calma” com uma calma que… irritava e salvava ao mesmo tempo.

No canto, a professora Fátima afinava a coluna de som como quem negocia com um dragão.

— Hoje é ensaio geral — avisou. — Amanhã, apresentação para a cidade inteira. Sem distrações.

A Leonor endireitou-se, como se tivesse posto uma coroa invisível.

— Sem distrações? Eu? Nunca!

O Tomás levantou uma sobrancelha.

— A última vez que disseste isso, dançaste em cima de uma cadeira porque “o chão parecia tímido”.

— O chão estava tímido! — insistiu a Leonor, muito séria, e depois piscou o olho. — Pronto, talvez eu também estivesse.

Todos riram. Era aquele riso de grupo, que parece um cobertor quente. E aí começou o ensaio: passos coordenados, palmas, giros, e a Leonor a liderar com energia de foguete.

Até que a porta rangeu.

Uma senhora da equipa do teatro, a dona Emília, apareceu com um papel na mão e cara de quem viu um fantasma a fazer sapateado.

— Meninos… alguém viu o… o… o quê que se chama… o microfone grande? O da apresentadora?

— O microfone grande? — repetiu a Yasmin. — O com o brilhinho?

A dona Emília abanou o papel.

— Esse mesmo. Sumiu. Puf. E amanhã há espetáculo.

O Rafa piscou devagar.

— Calma, calma.

A Leonor já estava a imaginar o microfone com pernas a fugir pelo corredor.

— Vamos encontrar! E, prometo, sem subir em cadeiras.

— Só se o chão ficar tímido — murmurou o Tomás.

Capítulo 2 — A caçada ao microfone fugitivo

A professora Fátima olhou para eles como quem mede um bolo com os olhos: “se cair, não chorem”.

— Vocês quatro têm energia para abastecer a cidade. Usem-na para procurar, mas sem confusões. O ensaio continua em dez minutos.

— Dez minutos? — a Leonor pôs as mãos na cabeça. — Isso é o tempo que eu demoro a… a… a procurar a minha outra mão!

— Drama aprovado — disse a Yasmin. — Vamos.

O corredor do teatro parecia maior quando se procura alguma coisa. As paredes tinham cartazes antigos: “Festival de Fado”, “Comédia em Três Atos”, “A Tragédia do Peixe Desaparecido”. O Tomás parou no último.

— Olhem. Já houve um peixe desaparecido aqui. Isto é um padrão.

— Concentração, detetive do peixe — cortou o Rafa, mas a sorrir.

Eles começaram pela cabine técnica. Havia botões, luzinhas e cabos que pareciam esparguete preto.

— Se eu tropeçar nisto, viro um nó humano — avisou a Leonor.

— Não toques em nada — pediu a Yasmin, já a espreitar gavetas.

O Tomás apontou para uma caixa.

— Ali diz “MIC.”. Deve ser.

A Leonor abriu com cuidado dramático, como se fosse um tesouro.

Lá dentro… estava um pente.

Um pente muito normal.

Um pente que parecia dizer: “Olá, eu não sou um microfone.”

— Este microfone está… careca? — perguntou a Leonor, tentando não rir.

O Rafa encostou-se à parede.

— Calma, calma. Isso é “mic” de… “micro… pente”.

— Claro — disse a Yasmin. — O famoso micro-pente. Muito usado em ópera.

Riram, baixinho, porque o teatro tem eco e o eco entrega-te.

Continuaram. Foram ao camarim. Havia espelhos com lâmpadas, perucas, um bigode falso e um chapéu com penas.

A Leonor pegou no bigode e colou-o por baixo do nariz.

— Agora sou o senhor… Microfone!

— És o senhor “Problema” — corrigiu o Tomás.

No cabide, pendurado num saco de pano, havia algo comprido.

A Yasmin puxou. Apareceu… uma flauta.

— Não é microfone — disse ela. — Mas dá para fazer barulho.

A Leonor levou a flauta à boca e soprou. Saiu um som desafinado, meio pato, meio apito de autocarro.

O Tomás tapou os ouvidos.

— O teatro vai pedir tolerância… pelos nossos tímpanos.

— Tolerância é isto — disse a Leonor, a rir, e pousou a flauta como quem pede desculpa a um objeto.

— Dez minutos já passaram — lembrou o Rafa. — Vamos voltar ao ensaio e depois continuamos.

— Mas e o microfone? — perguntou a Leonor, já a andar.

— Talvez tenha ido dançar — disse o Tomás.

— Se foi, espero que tenha ensaiado — respondeu a Yasmin.

Capítulo 3 — O ensaio geral e o “monstro” do palco

De volta à sala, a professora Fátima estava com os braços cruzados, mas com um brilho divertido nos olhos.

— Encontraram?

— Encontrámos um pente que se identifica como microfone — disse a Yasmin, muito séria.

A professora engasgou-se com o próprio riso.

— Voltem à formação. Música!

A coluna soltou a batida e o grupo entrou no “Modo Dança”. A Leonor contava mentalmente: um-dois-três, vira, salta, palma. O Tomás estava perfeito nos estalos. A Yasmin tinha um sorriso de quem sabe o passo seguinte. O Rafa… bem, o Rafa era a âncora: seguro, constante.

No meio da coreografia, uma sombra grande apareceu por trás da cortina do palco, como um monstro de tecido. Um “monstro” com duas pontas no topo, como antenas.

A Leonor travou um segundo. O pé dela ficou no ar, indeciso, como se perguntasse: “desço ou peço licença?”

O Tomás viu e sussurrou:

— O chão voltou a ficar tímido?

A sombra mexeu-se. A cortina estremeceu. A Yasmin arregalou os olhos.

— O quê que é aquilo?

O Rafa respirou fundo.

— Calma, calma. Pode ser… um cabide grande.

A Leonor, que tinha coragem feita de risos e teimosia, avançou dois passos sem perder o ritmo. O “monstro” também avançou. Parecia imitar.

Ela fez um giro. O “monstro” girou.

Ela levantou os braços. O “monstro” levantou os braços.

— Ele está a copiar! — sussurrou a Yasmin, a meio de um passo.

— Então ele já sabe a coreografia — disse o Tomás. — Contratamos um monstro dançarino.

A professora Fátima parou a música com um clique.

— O que se passa?

A Leonor apontou para a cortina.

— Temos… um fã escondido. Muito grande.

A dona Emília apareceu, aflita, a correr pelo corredor.

— Ai meu Deus, ai meu Deus! Vocês mexeram no “Homem de Cartão”?

— No quê? — disseram os quatro, em coro.

A dona Emília puxou a cortina e revelou o “monstro”: era um manequim de papelão, usado em peças antigas, com braços articulados. Alguém tinha posto por cima um casaco enorme e, na cabeça, duas escovas de cabelo, como antenas.

A Leonor aproximou-se e leu o que estava colado no peito do manequim: um papel com letras tortas.

“MI-CRO-FONE. NÃO MEXER.”

— Ah! — fez a Yasmin. — Espera… isso é um aviso sobre o microfone ou o nome do homem?

O Tomás apontou para o papel.

— Alguém separou “microfone” em duas partes: “mi” e “cro” e “fone”. Talvez tenha achado que era uma pessoa: o senhor Mi Cro Fone.

A Leonor tapou a boca para não soltar uma gargalhada gigante.

— Então o microfone não fugiu. Só… virou lenda.

A dona Emília ficou vermelha.

— Eu… eu escrevi isso para lembrar a mim mesma. Mas alguém colou no manequim. E agora toda a gente acha que o microfone é o “Homem de Cartão”.

A professora Fátima suspirou, mas com humor.

— Está bem. Pelo menos o homem dança melhor do que alguns adultos.

O Rafa levantou a mão.

— Podemos procurar o microfone de verdade depois do ensaio? Com método, sem… flautas.

A Leonor pousou a mão no coração.

— Prometo. Sem flautas. Talvez só um bocadinho de… detetive.

Capítulo 4 — O mapa impossível da Yasmin e a chave que não era chave

Depois do ensaio, a Yasmin abriu o caderno e desenhou um mapa do teatro: setas, caixas, “aqui há pó”, “aqui ecoa”, “aqui mora um bigode”.

— Isto parece o mapa de um jogo — disse a Leonor.

— É um jogo — respondeu a Yasmin. — O jogo de não passarmos vergonha amanhã.

O Tomás inclinou-se por cima do caderno.

— Onde foi a última vez que o microfone foi visto?

A dona Emília, agora mais calma, apareceu com um molho de papéis e uma expressão de quem admite: “ok, eu compliquei”.

— Foi na noite do ensaio da apresentadora. Ela esteve no palco, depois foi ao foyer… e depois eu guardei… eu acho que guardei.

O Rafa sorriu gentilmente.

— Às vezes o “acho” é o escondedor profissional.

A dona Emília fez um bico.

— Eu não sou desorganizada. Eu sou… criativa com lugares.

A Leonor deu um passo à frente.

— Não tem mal, dona Emília. Acontece. O meu estojo já foi encontrado dentro do frigorífico lá de casa. Não perguntem.

O Tomás abriu a boca.

— Eu preciso perguntar.

— Não — disse a Leonor, firme. — É uma história triste.

Riram todos, inclusive a dona Emília, aliviada por não ser a única com “lugares criativos”.

Seguindo o mapa, foram ao foyer. Havia sofás vermelhos e uma vitrine com troféus. Um cartaz dizia: “Por favor, não alimente os artistas”. A Leonor apontou.

— Então por isso é que eu tenho fome.

Debaixo de um sofá, encontraram uma coisa brilhante.

A Yasmin puxou: era uma chave.

— Chave do armário! — disse o Tomás, triunfante.

A dona Emília espreitou.

— Essa não é do armário. Essa é… do carrinho de limpeza.

O Rafa coçou a cabeça.

— E o carrinho de limpeza… limpa o quê?

A Leonor ergueu um dedo, como se estivesse a explicar um mistério mundial.

— Limpa pistas! É isso. O carrinho apagou as provas. Um carrinho vilão.

— Leonor — disse a Yasmin, com paciência divertida — às vezes um carrinho é só um carrinho.

— Tolerância com a minha imaginação — respondeu a Leonor, fazendo uma vénia.

Foram atrás do carrinho. Encontraram-no perto do armazém, com um balde e uma esfregona que parecia cabelo de bruxa.

A Leonor espreitou por trás da porta.

— Se eu virar a esquina e aparecer o senhor Mi Cro Fone, eu grito.

— Se gritares, o eco grita contigo — avisou o Rafa.

A Yasmin rodou a chave… e a porta abriu.

Lá dentro havia caixas, cenários desmontados e um silêncio cheio de poeira. O Tomás espirrou:

— Atchim! Isto é o pó de 1998.

— Shhh — fez a Yasmin. — Vamos procurar.

A Leonor viu uma caixa com a etiqueta “Som — IMPORTANTE”. Ela aproximou-se, os olhos a brilhar.

— Estou a sentir que é agora.

Ela abriu.

Dentro… havia um megafone.

— Quase! — disse o Tomás. — É primo do microfone.

A Leonor pegou no megafone e falou baixinho:

“Olá, sou o senhor Mi Cro Fone e perdi-me.”

O megafone amplificou como se o teatro inteiro estivesse dentro dele:

— OLÁ, SOU O SENHOR MI CRO FONE E PERDI-ME!

O silêncio do armazém explodiu em eco. E o eco fez questão de repetir:

— PERDI-ME! PERDI-ME! PERDI-ME!

A dona Emília levou as mãos à cabeça.

— Ai, os meus ouvidos!

A professora Fátima apareceu à porta com uma cara que era metade espanto, metade “eu sabia”.

— O que é isto?

O Rafa, muito calmo, apontou para a Leonor e para o megafone.

— Um acidente sonoro com boas intenções.

A Leonor baixou o megafone, envergonhada, mas a sorrir.

— Desculpe. Ele… ele gritou sozinho.

A professora Fátima tentou manter a seriedade e falhou.

— Guardem isso antes que o teatro acorde.

Capítulo 5 — O microfone estava onde ninguém queria olhar

Com o megafone guardado e o orgulho da Leonor ligeiramente amassado, voltaram ao corredor. A Yasmin consultou o mapa.

— Falta-nos a sala das arrecadações pequenas. E… a cabine do porteiro.

— O senhor Álvaro! — lembrou o Tomás. — Ele coleciona rádios antigos e… bolachas.

— O microfone pode estar a comer bolachas — disse a Leonor, já animada outra vez.

Foram até à cabine. O senhor Álvaro estava sentado, a ler o jornal ao contrário.

— Está a ler assim por algum motivo? — perguntou o Rafa, educado.

O senhor Álvaro ajustou os óculos.

— Estou a ver se as notícias melhoram de cabeça para baixo. Não melhoram.

A Leonor aproximou-se do balcão.

— Senhor Álvaro, desculpe… viu um microfone grande, com brilhinho?

O senhor Álvaro franziu a testa.

— Microfone? Vi uma coisa a brilhar… achei que era uma lanterna… guardei para ninguém tropeçar.

A dona Emília deu um passo à frente, ansiosa.

— Onde, senhor Álvaro?

Ele apontou para um armário pequeno, mesmo ali, com uma placa: “ACHADOS E PERDIDOS”.

A Yasmin ficou parada.

Achados e perdidos. A solução estava… escrita.

O Tomás soltou uma gargalhada.

— Isto é quase ofensivo.

O Rafa assentiu.

— E ao mesmo tempo muito humano.

A Leonor abriu o armário com cuidado. Lá dentro, entre um cachecol, um sapato solitário e um guarda-chuva torto, estava o microfone. Grande. Brilhante. Absolutamente inocente.

A dona Emília quase chorou.

— O meu microfone!

A Leonor levantou-o como um troféu.

— Senhor Mi Cro Fone, finalmente! O senhor deu-nos trabalho!

O senhor Álvaro coçou a cabeça.

— Eu até pus um papel a dizer “microfone”

A dona Emília arregalou os olhos.

— O senhor pôs?!

— Pus — respondeu ele. — Mas escrevi “MI-CRO-FONE” porque não cabia na etiqueta.

O Tomás apontou para a testa.

— Pronto. A lenda continua.

A Yasmin riu tanto que teve de se encostar à parede.

— Então foi assim que nasceu o Homem de Cartão!

A Leonor olhou para a dona Emília.

— Está tudo bem. Amanhã corre bem. E prometemos não gritar com megafones.

— Prometem mesmo? — perguntou a professora Fátima, que tinha aparecido atrás deles como uma ninja cansada.

— Mesmo — disse o Rafa.

— Mesmo — disse a Yasmin.

— Mesmo — disse o Tomás.

A Leonor hesitou um segundo.

— Mesmo… mas se o chão ficar tímido, eu aviso.

A professora Fátima abanou a cabeça, rindo.

— Vão descansar. E… obrigada. Trabalharam em equipa. Sem culpar ninguém. Isso é que importa.

A dona Emília respirou fundo, aliviada.

— Obrigada por terem paciência comigo. Às vezes eu confundo as coisas.

A Leonor deu de ombros, com um sorriso aberto.

— Toda a gente confunde. A graça é a gente confundir junto e depois… desconfundir junto.

Capítulo 6 — A apresentação, os risos e o coucou final

No dia seguinte, o teatro encheu-se. Havia pais, avós, irmãos pequenos com pés inquietos e uma senhora na primeira fila que abanava um leque como se estivesse a dar ordens ao ar.

Nos bastidores, a Leonor aqueceu as pernas, o Tomás estalou os dedos, a Yasmin conferiu o mapa como se fosse um amuleto, e o Rafa respirou devagar, como sempre.

— Nervosa? — perguntou o Tomás à Leonor.

— Um bocadinho — confessou ela. — Mas é um nervoso que dança.

A apresentadora entrou com o microfone brilhante na mão.

— Boa sorte, artistas!

A dona Emília, ao fundo, fez um gesto de vitória discreta, como quem diz: “agora vai”.

A música começou. As luzes acenderam. E o palco deixou de ser só madeira: virou mundo.

A coreografia correu solta, com a energia do grupo bem afinada. A Leonor liderava, mas não puxava ninguém à força; ela fazia espaço. Quando o Tomás escorregou num passo, a Yasmin ajustou-se como se estivesse combinado. Quando a Yasmin se adiantou meio segundo, o Rafa marcou o tempo com o corpo e trouxe todo o mundo de volta. E a Leonor, no meio, riu com os olhos, como quem diz: “estamos juntos”.

No final, o público bateu palmas, forte. A Leonor sentiu o peito cheio, como se tivesse engolido um monte de estrelas (sem espinhas).

Nos bastidores, a dona Emília aproximou-se.

— Vocês foram incríveis.

A professora Fátima assentiu.

— E mais: foram tolerantes. Com os erros, com as confusões, com as diferenças. É assim que um grupo cresce.

O Tomás apontou para o microfone, agora seguro.

— O senhor Mi Cro Fone não fugiu desta vez.

A Yasmin riu.

— Porque ele aprendeu que aqui ninguém grita com megafone.

O Rafa levantou a mão para um toque de grupo.

— Equipa?

As quatro mãos juntaram-se no ar. A Leonor olhou para os amigos, e as palavras saíram devagar, mais compridas, como se quisessem ficar ali um pouco.

— Obrigada por dançarem comigo, por me aturarem quando eu invento monstros de cortina e carrinhos vilões, por não se zangarem quando tudo parece confuso… e por rirem comigo. Eu gosto mesmo disto. De nós.

— Nós também — disse o Tomás, simples.

— Muito — disse a Yasmin, com os olhos brilhantes.

— Calma, calma — disse o Rafa, e depois sorriu. — Quer dizer: sim. Muito.

A Leonor espreitou pela cortina para a plateia e fez um gesto rápido com a mão, como um segredo partilhado.

— Cuckoo… coucou!

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Cortina
Grande tecido que tapa o palco e se abre na hora do espetáculo.
Percussão
Instrumentos que fazem ritmo quando batemos neles, como tambores.
Cabine técnica
Sala com botões e luzes para controlar som e luz do espetáculo.
Coluna de som
Equipamento que emite música e vozes para o público ouvir.
Manequim
Figura sem vida feita para vestir roupa ou usar objetos.
Papelão
Material grosso e duro, feito de papel empilhado, usado em caixas.
Camarim
Sala onde os artistas se vestem e se maquiam antes de entrar em palco.
Foyer
Espaço de entrada do teatro onde as pessoas esperam e conversam.
Armazém
Lugar onde se guardam cenários, caixas e coisas do teatro.
Achados e perdidos
Lugar onde se guardam objetos que alguém encontrou.
Megafone
Aparelho em forma de cone que aumenta a voz quando falamos dentro.
Coreografia
Conjunto de passos e movimentos combinados para uma dança.

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