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História de Veterinário 9 a 10 anos Leitura 7 min.

O mistério do leitãozinho Tufão

O Dr. Miguel, um veterinário atento, investiga por que o leitão Tufão fica apático e reúne pistas — entre ervas estranhas e cuidados amorosos — para descobrir o que o aflige.

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O Dr. Miguel, na casa dos quarenta, rosto redondo e pequena moustache, ajoelhado de jaleco branco com estetoscópio, acaricia e examina com ternura o porquinho Tufão — rosado com manchas de lama e patas levemente inchadas — deitado numa manta listrada; ao lado, Tobias, um cão de guarda grande, marrom e branco, protegido e afetuoso, encostado no porquinho; Dona Paula, cerca de 60 anos, cabelo grisalho preso e avental florido, de pé junto ao portão de madeira com expressão aliviada; cena numa quinta ensolarada com chão de terra encharcada, cerca de tábuas gastas, botas de borracha, uma abóbora e feno, casa de pedra com estores verdes ao fundo; o veterinário cuida do animal com um pequeno frasco de remédio sobre um balde, luz suave da manhã e paleta quente de ocres, verdes, rosas e castanhos. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 – O Mistério do Leitãozinho Tufão

O Dr. Miguel acordou com o som do galo ainda antes do sol despontar. Na sua vila, todos sabiam: se um animal precisava de ajuda, era a ele que ligavam. Vestiu a bata branca, pegou na mala de médico e apanhou o seu dossiê azul, onde anotava tudo sobre os animais que tratava. O telefone tocou. Do outro lado, a Dona Paula, dona da quinta dos Girassóis, estava aflita.

— Doutor, o leitãozinho Tufão não come desde ontem! Ele só fica deitado, nem liga para as abóboras frescas!

Dr. Miguel anotou no seu dossiê: “Leitão Tufão – Não come, apático”. Subiu à sua bicicleta e pedalou rápido até à quinta. Chegando lá, Dona Paula esperava-o ao portão, rodeada de galinhas curiosas.

Dr. Miguel ajoelhou-se ao lado do Tufão, que o olhava com olhos tristes. Passou-lhe a mão pelas orelhas, sentiu o focinho e até lhe fez cócegas na barriga. Tufão nem se mexeu.

— Hmmm… — murmurou, tirando um termómetro do bolso. Com movimentos suaves, examinou o leitãozinho.

Observando bem, Dr. Miguel percebeu que as patas de Tufão estavam um pouco inchadas. Anotou mais detalhes no dossiê: “Patas inchadas. Febre leve. Sem apetite.”

Enquanto pensava, o cão de guarda, Tobias, chegou-se perto e deitou-se ao lado do leitão. Tobias adorava Tufão, e parecia preocupado também.

Capítulo 2 – Uma Investigação atenta

Dr. Miguel sabia que o segredo para ajudar os animais estava em observar bem e fazer muitas perguntas. Sentou-se num fardo de palha com Dona Paula.

— O Tufão comeu alguma coisa diferente? Alguma brincadeira nova? — perguntou, rabiscando no dossiê.

— Ontem escapou-se um bocado. Acho que foi brincar com a lama junto à cerca, mas não reparei em nada estranho — respondeu Dona Paula, franzindo a testa.

Antes de sair, Dr. Miguel reparou numa erva diferente, com folhas muito verdes, perto da lama. Com a pinça, apanhou um bocadinho e guardou num saco, escrevendo: “Erva estranha junto à cerca”.

Voltou ao leitãozinho e sentiu-lhe o focinho outra vez. Desta vez, Tufão abriu os olhinhos lentamente. O Dr. Miguel acariciou-lhe o dorso e sorriu.

— Vais ficar bem, pequeno amigo. Só precisamos de descobrir o que te deixou assim.

Capítulo 3 – O Laboratório Móvel

De regresso à clínica, o Dr. Miguel colocou a erva estranha numa caixa. Ligou o microscópio e aproximou bem os olhos. No seu escritório, os frascos brilhavam nas prateleiras e o cheiro a sabão misturava-se com o aroma a feno.

Estudou as folhas e lembrou-se de uma aula dos tempos de faculdade sobre plantas venenosas para animais. No seu dossiê, escreveu: “Comparar erva com espécies tóxicas”. Depois, pesquisou nos livros da prateleira.

A cada página, o Dr. Miguel ia ligando pistas: os sintomas de Tufão batiam certo com uma planta que deixava os porquinhos enjoados. Rapidamente, ligou à Dona Paula:

— Dona Paula, não deixe os animais chegarem perto daquela erva perto da cerca! Vou aí tratar do Tufão.

Antes de sair, preparou uma mistura especial, anotando cuidadosamente o nome da medicação, a dose e a hora para administrar cada porção. No dossiê, ficou tudo registado: “Medicação pronta. Voltar à quinta.”

Capítulo 4 – O Cuidado e a Paciência

Chegando à quinta, Dr. Miguel encontrou Tufão deitado ao sol, com Tobias a fazer-lhe companhia. Explicou a Dona Paula como iria tratar o porquinho.

— Vou dar-lhe primeiro este remédio para o ajudar a sentir-se melhor, e depois precisamos de água e descanso — disse Dr. Miguel, acariciando o dorso do leitão.

Com gentileza, deu a primeira dose do remédio e limpou as patas inchadas com água morna. Tobias lambeu o amigo, como se quisesse ajudar também. Dona Paula trouxe cobertores macios para Tufão dormir quentinho.

— Agora é esperar e observar — sorriu o veterinário. — Se precisar, volto amanhã!

Já de volta à clínica, Dr. Miguel anotou tudo no dossiê: “Tratamento iniciado. Leitão observado. Próxima visita em 24h.” Sentiu-se tranquilo, pois sabia que fez tudo certo — e que a atenção aos detalhes podia salvar vidas.

Capítulo 5 – Sinais de Esperança

Na manhã seguinte, Dr. Miguel pedalou até à quinta com o coração aos pulos. Encontrou Dona Paula junto ao chiqueiro, a sorrir de orelha a orelha.

— Doutor! O Tufão já corre outra vez! Comeu a sua ração, brincou com o Tobias e até rebolou na lama limpa!

O veterinário aproximou-se e, para sua grande alegria, o leitão correu para si, soltando um grunhido contente. Dr. Miguel fez festas na cabeça do Tufão, rindo de felicidade.

No dossiê, pôde finalmente escrever: “Tufão recuperado. Planta removida da quinta. Tobias vigilante!” Explicou à Dona Paula e aos ajudantes como reconhecer ervas perigosas e o que fazer se algum animal parecesse doente.

Capítulo 6 – A Casa do Coração

De regresso à clínica ao fim do dia, Dr. Miguel sentiu-se satisfeito. Folheou o seu dossiê azul e sorriu ao ver tantas histórias de animais salvos, graças à atenção e ao carinho.

Na mesa, uma pilha de desenhos feitos por crianças da vila dizia: “Obrigado, Doutor dos Animais!” Olhou pela janela e viu o céu a escurecer suavemente. A clínica, iluminada por uma luz quente, estava pronta para receber qualquer animalzinho que precisasse.

Dr. Miguel sabia que a sua missão era cuidar, observar, ouvir e amar. E desejou, de coração, que a sua clínica continuasse a ser para todos um lugar de confiança, alegria e calor.

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Dossiê
Caderno ou pasta onde se escrevem notas e informações sobre alguém ou algo.
Apático
Quando alguém está sem vontade de fazer nada, sem energia ou interesse.
Bata branca
Roupa que médicos e veterinários usam para proteger a roupa e parecer profissionais.
Termómetro
Instrumento que se usa para medir a temperatura do corpo de um animal ou pessoa.
Fardo de palha
Pacote grande de palha usado para cama dos animais ou para empilhar no campo.
Microscópio
Máquina que aumenta muito objetos pequenos para ver detalhes invisíveis a olho nu.
Prateleiras
Pratos ou tábuas fixas numa estante onde se colocam frascos e livros.
Plantas venenosas
Plantas que podem fazer mal ou deixar doente um animal se o comer.
Medicação
Remédio ou conjunto de remédios que se dá para tratar uma doença.
Dose
Quantidade certa de remédio que se deve dar numa vez ou num horário.

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