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História para dormir 9 a 10 anos Leitura 5 min.

O menino e os segredos do maréu

Miguel visita o maréu ao pôr-do-sol, encontra rãs, libélulas e pirilampos que o ajudam a relaxar e a agradecer o dia, aprendendo a deixar ir as preocupações e a ouvir a calma da natureza.

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Um menino de 10 anos, calmo e sereno, rosto redondo e cabelo castanho despenteado, olhos semicerrados sorridentes, deitado sobre um leito de juncos verde-claro com as mãos cruzadas sob a nuca, vestindo camiseta azul-pálido e calças de tecido bege levemente amarrotadas; um grupo de pequenas rãs verdes brilhantes com olhos arredondados e manchas empoleiradas numa grande folha em primeiro plano, "cantando" voltadas para o menino; uma libélula azul elétrico de asas transparentes irisadas circula sobre sua cabeça captando a luz da lua; o brejo tem água espelhada escura salpicada de reflexos prateados, juncos altos e flexíveis, pedras com musgo e gramíneas úmidas com gotas cintilantes sob um céu crepuscular violeta-azulado e lua suave; centenas de vaga-lumes amarelos e verdes formam pontos luminosos quentes ao redor, criando uma atmosfera noturna apaziguadora, cores suaves com contrastes leves, linhas arredondadas e texturas fofas, composição centrada no menino relaxado entre animais e luzes, estilo desenho animado anos 90 com traços nítidos, cores saturadas em tons pastéis, sombras suaves e expressão infantil acolhedora. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — O Adeus ao Sol

Miguel caminhava devagar pelas passagens macias do maréu, onde a luz era dourada e o cheiro trazia folhas e água doce. O céu estava a mudar de cor, como se alguém passasse um pincel com tintas suaves só para ele. O dia tinha sido longo: escola, risos, uma pequena discussão com um colega e finalmente o regresso ao seu cantinho de paz entre os juncos.

Ele parou junto de uma pedra coberta de musgo. Ali, a luz parecia dançar mais. Miguel pousou a mochila no chão, sentou-se e fechou os olhos por um instante. O vento era fresco e acariciava-lhe o rosto.

“Obrigado, dia,” sussurrou ele. “Por tudo o que me deste: alegrias e desafios, sorrisos e um bocadinho de cansaço bom.”

Miguel abriu os olhos e sorriu. Sentia-se mais leve. Era como se, ao agradecer, o peso da mochila — e da cabeça — diminuísse.

Capítulo 2 — Rãs no Palco

De repente, um grupo de rãs saltou para cima de uma folha grande. Uma a uma, começaram um concerto, coaxando em tons diferentes. Parecia que tinham ensaiado para Miguel. Ele riu-se, balançando as pernas devagar.

“Vocês têm mesmo boa energia,” disse-lhes. “Será que também agradecem ao dia, antes de dormir?”

Uma rã olhou para ele com olhos redondos e, na sua linguagem, respondeu apenas com mais um coaxar ritmado. Miguel imaginou que aquele coaxar queria dizer sim.

O cheiro da terra molhada subia até ele. O maréu estava a escurecer devagarinho, mas continuava cheio de vida. O som das rãs misturava-se com o vento a passar entre as folhas, como uma canção calma que embala quem escuta.

Capítulo 3 — Os Segredos do Maréu

Miguel reparou numa libélula azul a voar em círculos. Seguiu-a com o olhar, sentindo o corpo a relaxar, como se cada batida das asas fosse uma carícia no seu pensamento. A cada respiração, deixava sair um bocadinho mais do que o preocupava: a nota do teste, a resposta atravessada ao colega, a pressa da manhã.

Sentiu a relva macia debaixo das mãos e ouviu o estalar suave das folhas. “O maréu tem segredos de calma,” pensou. “Talvez seja só ouvir com atenção.”

Fechou os olhos de novo. Imaginou que flutuava entre juncos altos, como um barco pequenino. O balanço da água era suave, como embalo de mãe.

Capítulo 4 — O Passeio das Estrelas

Quando a noite chegou de verdade, o maréu ficou coberto de pequenas luzes: pirilampos. Pareciam minúsculas estrelas a passear pelo chão. Miguel deixou-se ir com elas, olhando para cima e para baixo. O céu era um lago escuro salpicado de luz, e o chão também.

“Hoje o dia foi bonito, mesmo com as suas ondas altas e baixas,” disse, quase sem voz, como um segredo só para o maréu.

A cada estrela lá em cima, Miguel pensava num momento bom. A cada pirilampo cá em baixo, lembrava-se de algo pelo qual podia agradecer, por mais pequeno que fosse: um abraço, um desenho, um sorriso trocado.

O sono começava a chegar, devagar, como uma nuvem que cobre tudo de algodão.

Capítulo 5 — O Sussurro do Sono

Miguel deitou-se entre os juncos, sentindo o corpo a entregar-se ao chão, como uma folha que pousa devagar na água. O som das rãs já era mais distante, como se viesse de um sonho. Os pirilampos dançavam, mas os olhos já queriam descansar.

“Obrigado, maréu,” murmurou, “por me mostrares como deixar ir o que não preciso e segurar o que é bom.”

O vento trouxe-lhe um último sussurro, suave como um beijo na testa. O maréu ficou muito quieto, como se estivesse a ouvir a respiração de Miguel. Tudo ficou suspenso por um instante, tão calmo e tão doce que parecia que o próprio tempo adormecia com ele.

No silêncio leve, Miguel sentiu o coração bater lento e feliz. A calma era completa, como o abraço da noite, pronto para o levar de mansinho ao mundo dos sonhos.

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Maréu
Palavra do conto para um lugar entre água e terra, cheio de plantas.
Juncos
Plantas altas e finas que crescem na beira da água.
Musgo
Planta verde e macia que cresce sobre pedras e troncos molhados.
Libélula
Inseto com corpo fino e asas que voa perto da água.
Pirilampos
Insetos que brilham à noite, como pequenas luzes no ar.
Embalo
Movimento suave que acalma, como o balanço de um barco.
Coaxando
Som que as rãs fazem, um tipo de canto grave e repetido.
Relva
Conjunto de plantas verdes e baixas que cobrem o chão.
Sussurro
Fala muito baixa, quase um segredo, que mal se ouve.
Balanço
Movimento de vai e vem, como algo que oscila devagar.
Ensaiado
Algo praticado antes, como um exercício para ficar melhor.

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