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História de Professor ou Professora 5 a 6 anos Leitura 8 min.

O mapa do respeito e o pincel desaparecido

Numa aula de artes, a professora Clara guia a turma numa atividade criando um "Mapa do Respeito" enquanto as crianças aprendem a ouvir, cooperar e resolver um pequeno mistério sobre um pincel desaparecido.

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Uma professora sorridente e benevolente, cabelo castanho preso num coque solto, veste um suéter azul-claro e um avental manchado de tinta, ajoelhada e com a mão suavemente no ombro de Tomás, um menino de cerca de 7 anos de cabelo castanho despenteado, envergonhado e segurando um pequeno pincel; à esquerda Inês, cerca de 6 anos, cabelo preto em duas mexas, olhos curiosos, mostra uma folha com o desenho de uma orelha; à direita Rui, cerca de 7 anos, loiro, arrependido mas orgulhoso, cola autocolantes junto a uma prateleira baixa; atrás de Tomás Lina, cerca de 6 anos, ruiva, abraça o estojo e sorri timidamente, pronta para ajudar. A sala é luminosa, paredes amarelo-claro, grandes janelas, mesas baixas com papéis coloridos, potes de pincéis, guaches e tesouras; no mural um grande painel intitulado "Mapa do Respeito" decorado com estrelas recortadas e um pequeno semáforo de papel. A cena transmite um momento calmo de reparação e cooperação: a professora acalma a criança que recuperou o pincel, os outros participam da criação coletiva do mapa, gestos ternos, olhares compreensivos, atmosfera acolhedora, com texturas e pinceladas de guache visíveis. reportar um problema com esta imagem

Manhã de cores na sala

A porta da sala abriu com um cheirinho de giz e lápis apontado. A professora Clara entrou com passos leves, como quem traz um segredo bom no bolso. Ela era jovem, tinha um sorriso que parecia sol de inverno, e adorava artes: tinta, música, recortes, tudo.

As crianças já estavam quase todas sentadas. O Tomás batia os pés sem querer. A Lina abraçava a mochila como um ursinho. O Rui sussurrava piadas para a Inês.

Clara pendurou o seu cachecol azul no cabide, olhou para a turma e disse, com voz calma:

— Bom dia, artistas!

— Bom diiiia! — responderam, alguns bem alto, outros ainda meio sonolentos.

Ela pegou o giz branco e foi até ao quadro. O quadro estava limpinho, esperando como uma folha grande. Clara escreveu devagar, bem direito, e falou enquanto escrevia, para todos entenderem:

— Hoje é dia… Vamos ver juntos. Escrevo primeiro o dia: 15. Depois o mês: junho. E o ano: 2026.

Ela apontou com o giz, como uma varinha.

— A data é como o endereço do nosso dia. Ajuda a lembrar quando aconteceu uma coisa bonita… ou quando aprendemos algo novo.

— E se eu esquecer? — perguntou a Lina, franzindo a testa.

— A gente treina e aprende — disse Clara. — Na escola, ninguém aprende sozinho. Aprendemos juntos.

A professora bateu palminhas bem suaves.

— Antes da aventura, combinados da sala: ouvir quando alguém fala, levantar a mão para pedir a palavra e cuidar dos materiais. Combinado?

— Combinado! — disseram, em coro.

Clara abriu uma caixa grande, cheia de papéis coloridos, fitas e pincéis.

— Hoje vamos fazer um “Mapa do Respeito”. Um mapa que mostra como é viver bem juntos.

Os olhos brilharam como estrelas pequeninas.

O susto do pincel desaparecido

Em grupos, as mesas viraram ilhas. Clara caminhava entre elas, ajudando aqui e ali, como uma brisa que arruma cortinas. Ela mostrava como segurar o pincel com delicadeza, como lavar a ponta sem estragar, como dividir as cores.

— O trabalho de professora é assim — explicou ela. — Eu ensino, cuido, organizo e também aprendo com vocês. Cada criança tem um jeito, e eu gosto de descobrir esses jeitos.

A Inês levantou a mão.

— Professora Clara, por que você gosta tanto de arte?

Clara sorriu.

— Porque a arte é uma forma de falar com cores quando as palavras ficam pequenas. E porque na arte a gente aprende a respeitar: o espaço do outro, o tempo do outro, a ideia do outro.

De repente, o Tomás fez uma cara assustada.

— Meu pincel! Sumiu!

A mesa ficou em silêncio por um segundo, como se alguém tivesse apagado o som. Tomás olhou embaixo do caderno, dentro da caixa, no chão. Nada.

— Alguém pegou! — disse ele, com a voz alta demais.

O Rui encolheu os ombros.

— Eu não peguei.

A Lina apertou os lábios.

— Eu também não.

Clara se ajoelhou para ficar da altura do Tomás. A voz dela foi baixinha, igual a cobertor.

— Vamos respirar. Quando a gente acusa sem saber, a gente pode magoar. Aqui, respeito também é ter cuidado com as palavras.

Tomás respirou, ainda com o peito rápido.

— Vamos fazer uma busca de detetives — sugeriu Clara. — Detetives respeitosos: olham com atenção, falam com calma e ajudam.

Ela apontou para um cartaz na parede: “Falar com gentileza”. Depois mostrou outro: “Esperar a vez”.

— Primeiro, cada grupo olha ao redor da sua mesa, sem mexer no material dos outros sem pedir. Depois, a gente pergunta com educação. Combinado?

— Combinado… — disse Tomás, mais manso.

A Inês levantou a mão:

— Posso ajudar o Tomás?

— Pode — respondeu Clara. — Obrigada por oferecer ajuda.

Eles olharam por baixo das cadeiras, perto do lixo, atrás da caixa de papel. O Rui, que antes fazia piadas, apontou para a estante de livros.

— O Tomás foi buscar um livro de dinossauros… talvez tenha deixado o pincel lá.

Tomás arregalou os olhos.

— Eu fui mesmo!

Foram até a estante. Entre dois livros, estava o pincel, quietinho, como se estivesse escondido num ninho.

Tomás pegou e ficou vermelho.

— Ah… eu achei que alguém tinha pegado.

Clara não brigou. Só disse:

— Acontece. O importante é o que a gente faz depois. O que você pode dizer agora?

Tomás virou para a turma.

— Desculpa por falar alto. Eu fiquei nervoso.

A Lina sorriu.

— Tudo bem.

E o Rui, com um jeitinho sério, respondeu:

— Da próxima vez eu ajudo logo, em vez de só olhar.

Clara sentiu o coração feliz, como quando uma música termina bem.

O mapa do respeito

Com o pincel de volta, a arte recomeçou. Clara ensinou um truque:

— Para recortar uma estrela, dobramos o papel assim… e cortamos aqui. Vejam: a estrela nasce, igual um segredo que abre.

As crianças riram, encantadas.

No centro do cartaz, Clara escreveu: “Respeito”. Em volta, cada grupo colou desenhos. A Inês desenhou uma orelha grande.

— É para lembrar de ouvir.

A Lina colou um semáforo.

— Verde: pode falar quando a professora chama. Amarelo: espera. Vermelho: não interrompe.

O Rui desenhou mãos.

— Para pedir por favor e para ajudar.

Tomás desenhou uma caixa de lápis com uma tampa.

— Para guardar e cuidar dos materiais.

Clara foi apontando, elogiando com verdade e ensinando mais um pouco:

— Respeitar as regras comuns não é para deixar ninguém triste. É para todo mundo aprender com segurança e alegria.

Antes do fim da aula, ela voltou ao quadro e bateu levinho no número do dia.

— Olhem a data outra vez. Ela nos lembra: hoje aprendemos sobre arte… e também sobre respeito.

A campainha tocou. Mas ninguém saiu correndo. Clara combinou:

— Vamos arrumar a sala juntos. Cada um cuida do seu espaço e ajuda um amigo. Isso também é respeito.

As cadeiras voltaram ao lugar. Os pincéis foram lavados. O chão ficou mais limpinho.

Tomás foi até a professora, segurando o pincel como se fosse importante.

— Professora Clara, você ensina sem gritar.

Clara passou a mão nos cabelos dele, com cuidado.

— Eu ensino com paciência porque acredito em você. Ser professora é guiar, como um farol. E um farol não precisa gritar para iluminar.

Tomás pensou um pouco.

— Respeito é… falar com calma e cuidar dos outros?

— Isso — disse Clara. — E também é corrigir quando a gente erra.

Quando a turma saiu, o “Mapa do Respeito” ficou na parede, cheio de cores, como um jardim de papel. Clara apagou o giz devagar, guardou os materiais e olhou para a sala vazia.

Ela sentiu que, naquele dia, a classe tinha aprendido mais do que formas e tintas. Tinha aprendido a ficar juntinha, como um desenho feito a muitas mãos, onde cada traço importa. E isso, para uma professora apaixonada por artes, era a obra mais bonita.

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Cachecol
Peça de tecido que se usa no pescoço para aquecer.
Giz
Material para desenhar no quadro ou no chão.
Endereço
Palavras e números que mostram onde algo aconteceu.
Treina
Praticar algo várias vezes para aprender melhor.
Cartaz
Papel grande com desenhos ou palavras para mostrar uma ideia.
Detetives
Pessoas que procuram pistas para descobrir onde algo está.
Cabide
Objeto para pendurar casacos ou roupas.
Semáforo
Sinal com luzes que mostra quando parar ou seguir.
Recortar
Cortar papel com tesoura para fazer formas.
Pincel
Objeto com pelos para pintar com tinta.

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