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História do Lutin Farceur de Natal 9 a 10 anos Leitura 15 min.

O lutin farceiro e o segredo da noite de Natal

Tomás descobre um lutin travesso na noite de Natal que o conduz por uma aventura de pequenas traquinices e invenções, fazendo-o ver a casa com olhos novos e cheios de magia.

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Um menino de 10 anos, Tomás, cabelos castanhos despenteados, olhos grandes e brilhantes, pijama listrado azul, agachado junto a uma mesa baixa segurando uma pequena estrela de papel e sorrindo timidamente; um duende de Natal travesso de pele clara, bochechas rosadas, chapéu pontudo verde e botas com guizos, empoleirado na mesa fazendo uma reverência e segurando um rolo de fita dourada; um sino minúsculo brilhando no tapete perto do menino; sala à noite iluminada por luzes quentes, grande árvore decorada com bolas coloridas e estrela artesanal, tapete vermelho e cabide com gorro vermelho ao fundo; sobre a mesa papéis coloridos, botões, tesoura, cola, fita dourada e um pote pequeno de purpurina; cena: oficina de decoração improvisada com o menino e o duende criando uma estrela de papel, clima de cumplicidade e magia leve; estilo gráfico: traços nítidos, cores saturadas, formas simples e atmosfera calorosa e lúdica. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: Um Barulho Dentro do Silêncio

A noite de Natal tinha aquele tipo de silêncio que parece cobertor: macio, quentinho e cheio de cheiros bons. Na sala, as luzinhas da árvore piscavam devagar, como se bocejassem. Na cozinha, a travessa de rabanadas descansava, perfumando o ar com canela e açúcar.

Tomás, com 10 anos e olhos que teimavam em ficar acordados, saiu do quarto em pontas de pés. Ele dizia que era para beber água. Mas, na verdade, era para “ver se ouvia renas”. Um plano muito sério, aprovado pela sua imaginação.

Foi aí que ele ouviu um “pof!” pequenino, vindo do corredor. Tomás congelou. O coração fez uma pirueta. Ele seguiu o som e, perto do cabide, encontrou uma cena… estranha.

O gorro vermelho do Pai Natal, aquele enfeite que a mãe pendurava na porta, estava com uma coisa lá dentro. Tomás aproximou o rosto e espreitou. Um… um luva de lã, daquelas de inverno, enfiada dentro do gorro, como se alguém tivesse decidido fazer um “sanduíche de roupa”.

“Quem é que põe uma luva num gorro?”, sussurrou Tomás, indignado e divertido ao mesmo tempo.

Do alto do cabide, uma bolinha brilhante da árvore balançou sozinha, devagarinho, como se desse uma gargalhada silenciosa.

Tomás pegou no gorro. A luva estava mesmo lá, encaixada como se tivesse pago bilhete.

Nesse instante, uma risadinha fininha escapou de trás do sofá.

“Hã?”, Tomás virou-se rápido.

Nada. Só a sombra da árvore e um pai natal de barro a olhar para o vazio como quem não quer saber de confusões.

Tomás endireitou o gorro no cabide, tirou a luva e colocou-a… no bolso do pijama, sem saber bem porquê. E voltou a ouvir a risadinha, agora mais perto, como se alguém estivesse a correr descalço em cima de uma nuvem.

“Ok… isto está oficialmente esquisito”, murmurou.

Capítulo 2: O Lutin Farceiro Faz Check-in

Tomás avançou até à sala. As luzes da árvore piscavam com ar de segredo. Ele agachou-se ao lado do sofá e espreitou para debaixo, esperando encontrar… sei lá… um gato com ideias próprias.

Mas encontrou algo ainda melhor.

Duas botinhas verdes, pontudas, com sininhos minúsculos na ponta, estavam ali. E, logo depois, apareceu um nariz pequenino e uma cara sorridente, cheia de travessura.

Era um lutin de Natal. Pequeno, com bochechas rosadas, olhos brilhantes e um gorro tão torto que parecia ter sido penteado pelo vento.

O lutin saiu debaixo do sofá como quem sai de um palco, fez uma vénia exagerada e apontou para o cabide, como se dissesse: “Viram? Eu sou um artista.”

Tomás abriu a boca, fechou, e abriu outra vez. Foi o máximo que o seu cérebro conseguiu fazer.

“Tu… és real?”, conseguiu perguntar, bem baixinho.

O lutin levou o dedo aos lábios. Depois apontou para o bolso do pijama do Tomás, onde estava a luva. A seguir, apontou para o gorro no cabide. E fez um gesto de “misturar”, como se estivesse a cozinhar uma sopa de disparates.

“Foste tu que meteste a luva no gorro?”, Tomás perguntou, a tentar parecer zangado. Mas a verdade é que tinha vontade de rir.

O lutin encolheu os ombros e deu um pulinho. Os sininhos fizeram “tlim-tlim”, como se aprovassem.

E então ele… começou a passear pela casa como se fosse um guia turístico. Subiu para o braço do sofá. Saltou para a mesa. Bateu de leve na moldura de uma fotografia, que ficou um bocadinho torta, só para fazer “arte moderna”.

Tomás seguiu-o, sem saber se devia mandar calar, aplaudir, ou chamar a mãe (mas isso estragava tudo).

O lutin parou junto à árvore e apontou para os enfeites. Depois fez um gesto de tesoura com os dedos, como quem diz: “Vamos fazer coisas.”

Tomás franziu a testa. “Coisas… como quê?”

O lutin pegou numa fita dourada e tentou enrolá-la à volta do próprio corpo. Ficou parecendo um presente muito mal embrulhado. Depois caiu sentado e riu-se sem som.

Tomás não aguentou e riu também. “Ok, Lutin… tu és mesmo uma confusão.”

O lutin fez uma expressão ofendida, pôs as mãos na cintura e apontou para o corredor. Parecia querer que Tomás o seguisse.

Tomás respirou fundo. “Está bem. Mas sem acordar ninguém.”

O lutin levantou dois dedos, como quem promete. E, claro, cruzou-os atrás das costas.

Capítulo 3: A Grande Caça ao Brilho

O corredor parecia mais comprido naquela hora, com as sombras a alongarem-se como gatos preguiçosos. O lutin correu até ao armário das coisas de Natal, aquele que cheirava a papel velho, pinho e… surpresa.

Tomás abriu o armário com cuidado. Dentro havia caixas com enfeites, rolos de papel de embrulho, fitas, cola, purpurina (a temida purpurina, que nunca mais sai de lado nenhum) e um saco com restos de cartolina.

O lutin esfregou as mãos, animadíssimo. Depois tirou um rolo de fita adesiva e tentou colá-la no próprio nariz. Não resultou. Colou no cabelo. Também não. Colou no gorro e ficou preso de lado, como uma antena.

Tomás mordeu o lábio para não se rir alto. “Tu não paras, pois não?”

O lutin respondeu com um gesto largo, como quem diz: “Parar é para semáforos.”

Foi então que Tomás se lembrou da luva no bolso. Tirou-a e olhou para ela. Depois olhou para o lutin. “A luva no gorro… era para quê?”

O lutin apontou para a luva, depois para o gorro e, finalmente, para o chão. E fez um movimento como se estivesse a virar a casa do avesso.

Tomás entendeu mais ou menos: o lutin queria que ele reparasse nas coisas de um jeito diferente. Como se uma luva dentro de um gorro pudesse ser uma pista.

“Queres brincar ao ‘ver a casa com outros olhos'?”, Tomás sussurrou.

O lutin bateu palmas sem fazer barulho e deu uma volta completa, feliz.

Tomás pegou numa lanterna pequena (a do kit de campismo) e acendeu. A luz varreu a sala e, de repente, tudo pareceu diferente: o brilho das bolas na árvore, o reflexo no vidro da janela, as sombras a dançarem nas paredes.

O lutin correu para a cozinha e apontou para o pote de farinha. Fez um gesto de “neve”.

Tomás arregalou os olhos. “Nem pensar! A mãe mata-nos!”

O lutin fez cara de anjo. Não enganou ninguém.

Tomás pensou rápido. “Ok. Se queres bagunça… vai ser bagunça controlada. Amanhã de manhã a casa tem de estar… quase normal.”

O lutin fez um gesto de “quase” com os dedos, muito convencido.

Tomás abriu uma gaveta e puxou guardanapos coloridos, cordel, e um saco de botões. “Vamos para o atelier.

O lutin inclinou a cabeça, curioso.

“Um atelier de decorações”, explicou Tomás. “Aqui a bagunça é permitida. E é divertida.”

O lutin sorriu tão grande que parecia uma lua crescente.

Capítulo 4: O Atelier Mais Trapaceiro do Mundo

Tomás levou tudo para a mesa da sala, bem perto da árvore. Cobriu a madeira com jornal velho, como um verdadeiro artista que não queria provas do crime.

Ele juntou: cartolinas, fitas, botões, cola, lápis de cor, e… só um bocadinho de purpurina, porque Tomás ainda gostava da própria vida.

O lutin subiu para a mesa e olhou em volta como um rei num castelo de materiais. Depois pegou num botão e tentou usá-lo como monoclo. Não funcionou, mas o esforço foi digno.

“Certo”, disse Tomás, em voz baixa. “Regras do atelier: nada de farinha, nada de acordar os adultos, e nada de… pôr meias no frigorífico.”

O lutin fez uma cara que dizia: “Eu nem ia fazer isso.” Mas os olhos diziam: “Eu ia, sim.”

Tomás começou a fazer enfeites de papel: estrelas dobradas, correntes coloridas, e pequenas bolas de cartolina. O lutin ajudava… à sua maneira. Segurava as pontas do cordel com os pés, mastigava uma ponta do papel (com muito cuidado, como quem prova sopa), e colava coisas onde não devia.

Em certo momento, ele pegou no gorro do Pai Natal e enfiou lá dentro… não a luva, mas uma estrela de papel enorme. O gorro ficou parecendo que estava a pensar muito, muito.

Tomás riu. “É a ‘estrela da ideia brilhante'?”

O lutin acenou com entusiasmo.

Depois, ele pegou na luva e colocou-a no topo da árvore, como se fosse uma coroa. Tomás quase falou alto de tão surpreendido. A luva balançou e, com as luzinhas, parecia uma nuvem a segurar o Natal com os dedos.

“Isso… é ridículo”, disse Tomás, com um sorriso enorme. “E… meio bonito.”

O lutin apontou para a sala inteira. Depois apontou para os cantos, para a janela, para o tapete, e até para a estante de livros. E por fim apontou para os olhos do Tomás.

Tomás ficou quieto um instante. Percebeu. O lutin não estava só a pregar partidas para irritar. Ele estava a mostrar que a casa podia ser um lugar novo, mesmo sendo a mesma casa de sempre. Bastava mudar uma coisa de lugar e… pumba: o mundo ganhava outra graça.

Tomás baixou a voz, mais suave. “Então é isso. Tu queres que eu repare.”

O lutin assentiu, sério por meio segundo. Depois tentou colocar um laço na ponta da própria orelha e voltou a ser ele mesmo.

A mesa ficou cheia de decorações malucas: uma estrela com bigode desenhado, uma corrente com botões a fazer de “olhos”, e um pequeno boneco de neve de algodão com cara de quem sabia piadas.

Tomás olhou para o relógio. Já era muito tarde. “Temos de acabar.”

O lutin fez um biquinho dramático. Depois apontou para a árvore e para o jornal no chão. Parecia dizer: “Arrumar também pode ser parte da magia.”

Tomás suspirou. “Ok. Arrumar. Mas tu ajudas.”

O lutin fez continência. E, surpreendentemente, ajudou. Empurrou botões para um pote, enrolou fitas (um bocadinho tortas, mas pronto), e até dobrou um jornal… ao contrário. Mesmo assim, valeu.

Capítulo 5: Manhã de Natal com Um Segredo a Brilhar

Quando tudo ficou mais ou menos no lugar, a sala parecia diferente. Não mais bagunçada—apenas… mais viva. A árvore tinha algumas decorações novas e engraçadas. A luva saiu do topo, claro, e voltou ao lugar certo, mas Tomás deixou uma pequena estrela com bigode bem à vista. Era a sua assinatura secreta.

O lutin subiu para o parapeito da janela e olhou para fora, onde a rua dormia debaixo de um céu escuro e brilhante. Depois virou-se para Tomás e apontou para o peito dele, como quem diz: “Guarda isto.”

Tomás sentiu um calor no coração, como se tivesse bebido chocolate quente.

“Obrigado… acho eu”, sussurrou. “Mesmo com as tuas… trapalhadas.”

O lutin fez uma vénia tão exagerada que quase caiu. Recuperou o equilíbrio com um salto e apontou para o cabide. Lá estava o gorro do Pai Natal, agora com a estrela enorme dentro, a fazer um volume engraçado.

Tomás riu baixinho. “Isso eu vou deixar. Para a mãe achar de manhã.”

O lutin piscou um olho. A sala pareceu piscar também.

Um som suave veio do corredor—um passo de adulto, meio sonolento. Tomás sentiu um choque de pânico.

“Vai!”, disse, sem pensar.

O lutin arregalou os olhos, fez um gesto de “shhh” e… escorregou por trás da árvore como se fosse feito de vento e risadas. No lugar onde ele estava, só ficou um sininho minúsculo, quietinho, no tapete.

Tomás apanhou o sininho e fechou a mão. Depois correu para o quarto e enfiou-se na cama, com o coração a bater como um tambor de desfile.

De manhã, a casa encheu-se de vozes, papel a rasgar e alegria. A mãe passou pelo cabide e parou.

“Porque é que o gorro do Pai Natal está… com uma estrela gigante lá dentro?”, perguntou, rindo.

Tomás deu de ombros, com o melhor ar inocente do mundo. “Deve ter sido… magia de Natal.”

O pai olhou para a árvore e viu a estrela com bigode. “Essa estrela está a gozar comigo?”

Tomás mordeu o lábio para não se rir.

Enquanto toda a gente abria presentes, Tomás sentiu o sininho no bolso do pijama. Não fez barulho nenhum, mas parecia brilhar na mão dele.

E, por um segundo, Tomás teve a certeza de ver, lá no canto da sala, uma sombra pequenina a fazer uma vénia.

A casa era a mesma. Mas, desde aquela noite, Tomás sabia um segredo: bastava um olhar diferente—e uma pitada de travessura—para o Natal aparecer em lugares onde ninguém esperava.

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Travessa
Prato grande e raso usado para levar comida à mesa
Rabanadas
Fatias de pão fritas e doces, comidas no Natal em muitos lares
Cabide
Peça para pendurar casacos, chapéus ou gorros na entrada
Uma bolinha brilhante
Enfeite redondo e lustroso que se põe na árvore de Natal
Espreitou
Olhou devagar e com cuidado para ver alguma coisa
Congelou
Ficou parado de surpresa, sem se mover por um momento
Pirueta
Giro rápido que se faz com o corpo, como numa dança
Vénia
Ação de curvar o corpo ligeiramente para mostrar respeito
Travessura
Brincadeira que faz pequenas confusões ou sustos leves
Purpurina
Pó ou partículas brilhantes que se usam para decorar
Cartolina
Papel grosso usado para fazer desenhos e enfeites
Parapeito
Pequena parede ou bordo junto à janela
Atelier
Lugar onde se faz trabalhos de arte e se cria decorações

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