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Mito fantástico 9 a 10 anos Leitura 10 min.

o herdeiro do trovão e o segredo das florestas antigas

Eogan, um jovem de uma aldeia esquecida, descobre que é filho de um deus antigo e deve enfrentar desafios na Floresta Sombria para restaurar o equilíbrio perdido entre os mundos. Acompanhado de seu amigo Finn, ele embarca em uma jornada repleta de mistérios e sacrifícios.

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Um jovem chamado Eogan, com cerca de 15 anos, está no centro de uma clareira encantada, seus olhos brilhantes como esmeraldas, cheios de admiração e determinação. Ele usa uma túnica de linho verde com padrões de folhas e um cinto de couro, enquanto uma luz prateada emana de sua mão, iluminando seu rosto angelical. Ao seu lado, seu amigo Finn, um garoto de 14 anos com cabelos castanhos bagunçados e olhar preocupado, observa Eogan com admiração, as mãos apertadas sobre os joelhos, sentado em um tronco de árvore. A clareira é cercada por árvores majestosas com troncos retorcidos, cujas folhas brilham com um brilho dourado sob a luz do sol filtrada pela copa. Flores coloridas crescem ao redor, adicionando toques de roxo e azul a essa cena mágica. A situação principal mostra Eogan, pronto para enfrentar um desafio, levantando a mão com coragem, enquanto um corvo negro, com penas brilhantes, plana acima dele, como um mensageiro dos antigos, prestes a revelar um segredo esquecido. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 – O Sopro dos Antigos

Na névoa espessa das Terras Cinzentas, lá onde os carvalhos são mais antigos que o silêncio, nasceu Eogan, filho de ninguém e herdeiro do esquecimento. Seus olhos carregavam o tom do musgo úmido, e sua pele era pálida como a lua cheia refletida nos lagos gelados. Desde sempre, Eogan sentiu o sussurro das árvores e o peso invisível do tempo nos ombros. Ele vivia numa aldeia escondida entre colinas, cercada por névoas e lendas, onde os homens temiam as criaturas da floresta e respeitavam os deuses antigos – mesmo sem lembrar seus nomes.

Naquela manhã, Eogan caminhava pela orla da floresta, seguindo a trilha dos cervos, quando uma brisa estranha soprou, fria e salgada, como vinda do mar distante. O ar se encheu de murmúrios, e Eogan estremeceu. Ele sabia diferenciar o vento comum dos suspiros dos velhos dias.

— Outra vez esses ventos, Eogan? — perguntou Finn, seu amigo de infância, surgindo entre os arbustos com um riso zombeteiro. — Vais dizer que são espíritos?

Eogan sorriu de canto, mas seus olhos varreram a floresta com cautela.

— Não são espíritos, Finn. São ecos — respondeu, com uma voz mais grave do que pretendia.

Finn revirou os olhos, mas antes que pudesse rir, um corvo pousou num galho baixo, olhando fixamente para Eogan. O corvo abriu o bico e, em vez de grasnar, falou:

— O esquecido desperta. O filho do trovão caminha novamente.

Finn caiu sentado de susto, e Eogan sentiu a pele arrepiar-se.

— Por todos os deuses! — exclamou Finn, tentando entender o que vira.

O corvo ergueu voo, desaparecendo na névoa, como se nunca tivesse existido.

Capítulo 2 – A Máscara e o Lobo

A aldeia de Eogan era pequena e desconfiada. As casas eram feitas de pedra e palha, agrupadas ao redor de uma lareira central onde, todas as noites, os anciãos contavam histórias de tempos esquecidos. Nessa noite, todos se reuniram ao redor do fogo, enquanto a tempestade rugia do lado de fora.

Eogan sentou ao lado de sua avó, uma mulher de cabelos brancos e olhos profundos como poços antigos.

— Vi um corvo falar hoje — disse ele, quase sem voz.

A avó apenas assentiu, como se esperasse por aquela confissão.

— É chegada a hora — murmurou ela, traçando um círculo no ar com o dedo. — Os deuses não dormem para sempre. E tu, Eogan, és seu chamado.

O silêncio caiu pesado. Até Finn, que antes zombava, agora olhava para Eogan com respeito e medo.

— O que isso significa? — perguntou Eogan, sentindo o coração acelerar.

A avó olhou nos olhos dele.

— És filho de Nuada, o deus de prata e trovão. O sangue dos antigos corre em ti. E agora eles te querem de volta.

Do lado de fora, um uivo cortou a noite. Era o lobo negro, sombra das florestas. Ninguém ousava se aproximar dele, pois diziam que era o guardião dos portais entre os mundos.

— Tens de ir à Floresta Sombria — continuou a avó. — Só lá teu destino será revelado. Leva esta máscara.

Ela entregou a Eogan uma máscara de madeira, entalhada com símbolos estranhos.

— Quando o medo crescer, usa-a. Ela te mostrará o que está escondido.

Finn, ainda trêmulo, se ofereceu para ir junto.

— Eu vou contigo. Seja lá o que for, não vais sozinho.

Capítulo 3 – A Floresta Sombria

A manhã seguinte amanheceu cinzenta, com a neblina cobrindo todas as coisas como um véu de segredo. Eogan e Finn caminharam em silêncio até a orla da Floresta Sombria, onde as árvores eram tão antigas que pareciam guardar o próprio tempo entre seus galhos retorcidos.

Assim que entraram, sentiram o ar gelar. O chão estava coberto de folhas mortas, e o sol não conseguia furar a copa das árvores. O lobo negro aguardava, olhos brilhando como brasas no escuro.

— Não fugas, Eogan — falou o lobo, com uma voz profunda.

Finn recuou, mas Eogan ficou parado.

— O que queres de mim? — perguntou Eogan, sentindo a máscara pesar em suas mãos.

— Tua verdadeira face — disse o lobo. — O mundo esqueceu os deuses, mas o sangue não se nega. Segue-me.

Eles caminharam por horas. O tempo parecia dobrar-se dentro da floresta. Por vezes, ouviram sussurros, viram sombras dançando entre as árvores. Uma vez, encontraram uma clareira onde uma pedra antiga estava enterrada meio ao musgo. Nela, runas brilhavam fracamente.

— Quem escreveu isso? — perguntou Finn.

— Os primeiros — respondeu o lobo. — Aqueles que criaram o mundo quando o céu ainda era jovem.

Eogan se ajoelhou diante da pedra e tocou as runas. Imediatamente, visões inundaram sua mente: batalhas entre deuses no alto das colinas, trovões cortando o céu, guerreiros de prata e sombras engolindo cidades inteiras.

Tonto, Eogan recuou.

— É demais... — murmurou.

O lobo assentiu.

— Por isso precisas da máscara.

Com as mãos trêmulas, Eogan colocou a máscara. O mundo mudou. As árvores pareceram crescer, seus galhos tornaram-se braços, seus troncos revelaram rostos antigos, gentis e severos ao mesmo tempo.

Uma das árvores falou:

— Bem-vindo, filho de Nuada. Vieste buscar teu lugar?

Eogan assentiu, incapaz de falar.

— O mundo está morrendo — continuou a árvore. — Os homens esqueceram os antigos pactos. Cabe a ti restaurar o equilíbrio, ou tudo será perdido.

Capítulo 4 – O Mercado das Sombras

Seguindo as instruções das árvores, Eogan e Finn chegaram ao Mercado das Sombras, um lugar escondido entre as raízes do tempo, onde criaturas de todas as formas negociavam segredos e memórias.

O Mercado era movimentado: duendes vendiam sonhos em frascos, banshees sussurravam presságios em troca de moedas enferrujadas, e um velho druida entalhava runas em pedras negras.

— Procuras respostas, jovem deus? — perguntou o druida, encarando Eogan com olhos de fogo.

— Quero salvar o mundo — respondeu Eogan, sentindo um peso em cada sílaba.

O druida gargalhou.

— Salvar? Não existe salvação para o que foi esquecido. Mas pode haver renascimento.

Do alto de uma torre de pedra, uma mulher com cabelos de folhas secas anunciou:

— Chegou a hora do Julgamento! Tragam o herdeiro!

Criaturas puxaram Eogan ao centro do mercado. Ele via Finn tentando abrir caminho até ele, mas as criaturas eram muitas.

— Eogan, lembra-te do que és! — gritou Finn, mas sua voz foi engolida pelo burburinho.

A mulher da torre desceu e olhou para Eogan.

— Só há uma forma de restaurar o equilíbrio: sacrificar teu próprio coração. Aceitas?

O silêncio era total. Eogan olhou para Finn, que apenas balançou a cabeça, implorando que ele não aceitasse.

Mas Eogan sentia o peso de todos os antigos em si. Se não fizesse nada, o mundo mergulharia na escuridão. Com voz firme, respondeu:

— Aceito.

A mulher sorriu tristemente e estendeu uma adaga de prata.

— Usa a máscara. Ela mostrará o que deves fazer.

Eogan colocou a máscara mais uma vez. Desta vez, vislumbres de luz e trevas giraram ao seu redor. Sentiu seu coração brilhar como o raio, mas ao mesmo tempo, sentiu todo o frio da morte.

No último instante, ouviu a voz do lobo:

— O sacrifício não é o fim. É a passagem.

Capítulo 5 – O Último Trovão

A adaga brilhou na escuridão, mas Eogan não sentiu dor. Em vez disso, uma energia antiga explodiu de dentro dele, espalhando-se pelo Mercado das Sombras. As criaturas recuaram, ofuscadas pela luz.

Eogan viu-se de pé, não mais como um homem, mas como um ser de prata e trovão, com olhos que continham todos os céus tempestuosos do mundo antigo.

A mulher de folhas secas ajoelhou-se.

— O herdeiro voltou.

Finn correu até ele, lágrimas nos olhos.

— Eogan, estás bem?

Eogan olhou para o amigo e sorriu, mas era um sorriso triste.

— Não serei mais o mesmo.

O lobo aproximou-se.

— Agora és ponte entre mundos. Ajudarás a lembrar, mas carregarás a dor de tudo o que se perdeu.

Eogan sentiu o poder em si, mas também uma tristeza profunda. O mundo podia ter uma chance, mas jamais seria restaurado ao que fora. Ele era ao mesmo tempo salvador e prisioneiro do próprio sangue.

O céu se abriu com um estrondo de trovão. Daquele dia em diante, sempre que a tempestade rugia, os aldeões sabiam que Eogan caminhava entre eles – um deus esquecido, lutando em silêncio por um mundo que já não acreditava mais em magia.

Ao lado de Finn, Eogan continuou, entre sombras e clarões, lembrando aos homens que até o esquecimento carrega esperança. E sob a máscara, ele chorou, pois sabia que, mesmo entre deuses e lendas, a luz e a escuridão sempre caminhariam juntas.

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Nevoa
Uma nuvem de vapor que dificulta a visão, muitas vezes se forma de manhã ou à noite.
Herdeiro
A pessoa que recebe algo de uma outra, especialmente bens ou títulos de família.
Ecos
Os sons que se repetem depois de serem feitos, geralmente em lugares onde o som pode refletir.
Sussurros
Vozes baixas e suaves que são difíceis de ouvir, como se alguém estivesse falando em segredo.
Sacrificar
Dar algo de muito valor, muitas vezes com a ideia de que isso ajudará ou melhorará algo.
Renascimento
O ato de nascer novamente ou de algo que volta a existir depois de ter desaparecido.

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