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História sobre uma emoção 9 a 10 anos Leitura 7 min.

O dragão das cores e a nuvem da decepção

Tomás participa num concurso de desenho com um dragão colorido e, ao não ganhar, enfrenta a decepção; com o apoio de amigos e família, aprende a partilhar os seus sentimentos e a encontrar novo ânimo.

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Há três personagens: Tomás, 9 anos, cabelo castanho despenteado, camiseta azul clara manchada de tinta, segura à frente um grande desenho de um dragão com escamas arco-íris; está ao centro, rosto levemente curvado e ombros relaxados, com ar desapontado; Sofia, 9 anos, cabelo castanho preso em rabo, vestido amarelo com bolinhas brancas, à esquerda de Tomás, sorrindo e com uma mão reconfortante no ombro dele; Leonor, 8 anos, cabelo castanho encaracolado, suéter verde menta, à direita de Tomás, segurando um caderninho de desenho e olhando o dragão com admiração e olhos brilhantes; local: grande sala da Câmara Municipal com mesas longas de madeira clara cobertas de desenhos coloridos e etiquetas brancas, piso de parquet brilhante, janelas altas em arco com um raio de sol quente, cartazes infantis colados nas paredes e cadeiras empilhadas ao fundo; situação: cena íntima e luminosa em que Tomás mostra seu dragão arco-íris vívido em aguarela, com grandes escamas multicoloridas, enquanto Sofia e Leonor o consolam e sorriem. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: O Grande Dia do Concurso de Desenho

O sol brilhava lá fora, e a excitação de Tomás mal cabia dentro do peito. Ele era um menino criativo, que adorava transformar papel em aventuras coloridas. Ao seu lado, Sofia sorria, já com a mochila pronta. “Hoje é o dia da exposição na Câmara Municipal, Tomás! Vais mostrar o teu desenho do dragão que cospe arco-íris?”, perguntou ela, quase a saltitar.

Tomás assentiu, os olhos brilhando. “Sim! Trabalhei três dias nesse desenho. Pintei cada escama do dragão com uma cor diferente. E tu, Sofia? Trouxeste o teu quadro das estrelas?”

Ela acenou com entusiasmo. “Claro! E o melhor é que hoje todos vão poder ver os nossos trabalhos.”

Os dois seguiram pela rua, sentindo a brisa fresca da manhã. Dentro das suas mochilas, os desenhos vinham bem guardados, como pequenos tesouros.

Capítulo 2: A Chegada à Câmara Municipal

Ao entrarem na grande sala da Câmara Municipal, Tomás e Sofia ficaram boquiabertos. Havia mesas compridas cheias de desenhos, pinturas e até pequenas esculturas. Crianças e pais conversavam, e professores colavam etiquetas com nomes nos trabalhos.

A professora Margarida veio ao seu encontro, sorrindo. “Que trabalhos lindos trouxeram! Usem aquela mesa junto à janela, onde a luz é melhor.”

Tomás desenrolou cuidadosamente o seu dragão e colocou-o na mesa. Sofia fez o mesmo com o quadro das estrelas. Os dois olharam à volta, admirando os trabalhos dos outros. Tomás sentiu um friozinho na barriga. Havia desenhos incríveis: um barco a navegar em ondas de papel, um retrato cheio de detalhes e até uma cidade feita de recortes coloridos.

Sofia percebeu o olhar preocupado do amigo. “O teu dragão é único, Tomás. Ninguém pinta arco-íris como tu.”

“Pois… mas será que alguém vai gostar?”, murmurou Tomás, mordendo o lábio.

Capítulo 3: A Descoberta da Decepção

Chegou a hora de anunciar os vencedores do concurso. As crianças reuniram-se à frente da sala. O presidente da câmara, com a sua gravata azul, leu os nomes em voz alta, enquanto todos batiam palmas.

“E o primeiro prémio vai para… Ricardo Almeida, com a maquete da cidade!”

Tomás sentiu o estômago apertar. O seu nome não foi chamado. Nem o segundo, nem o terceiro prémio. Quando o último nome foi anunciado, Tomás escondeu o rosto atrás do dragão, tentando não mostrar que estava desiludido. Era como se, por dentro, o sol tivesse desaparecido e ficado uma nuvem cinzenta.

Sofia aproximou-se, vendo os olhos brilhantes dele ficarem baços. “Estás triste?”, perguntou baixinho.

Tomás assentiu, tentando sorrir. “Estou… um bocadinho. Acho que é decepção. Senti mesmo que ia ganhar. Mas não fui escolhido...”

“Isso acontece a todos, Tomás”, disse Sofia, colocando-lhe uma mão no ombro. “Mas o teu desenho continua mágico. A decepção só quer dizer que querias muito uma coisa e não foi dessa vez.”

Tomás olhou para o dragão. As cores ainda pareciam vivas, mas o coração pesava.

Capítulo 4: Conversas e Abraços

Os pais de Tomás chegaram e repararam no seu ar cabisbaixo. Sentaram-se com ele num banco junto à janela. A mãe perguntou: “Queres contar-nos o que sentes, Tomás?”

Ele olhou para o chão e respondeu: “Estou triste porque não ganhei. Trabalhei tanto… e quando não vi o meu nome, senti um buraco aqui no peito.”

O pai pensou um pouco e disse: “Sabes, quando eu era pequeno, também me sentia assim quando não era escolhido para a equipa de futebol. Ficava com o coração apertado. Mas, depois, percebi que podia aprender com isso. Por vezes, a decepção serve para nos dar coragem de tentar outra vez.”

A mãe acrescentou: “O importante é partilhares o que sentes. Se guardares a decepção só para ti, ela cresce e ocupa muito espaço cá dentro. Mas se falares, ela fica mais pequena e já não parece um monstro.

Tomás percebeu que não estava sozinho. Sentiu-se mais leve, como se o dragão tivesse soprado uma brisa suave sobre ele.

Capítulo 5: Uma Nova Perspetiva

De repente, uma menina aproximou-se. Tinha os cabelos encaracolados e um sorriso tímido. “Olá, eu sou a Leonor. Queria dizer-te que adorei o teu dragão. Nunca tinha visto um dragão assim! Posso desenhar contigo um dia?”

Tomás ficou espantado. “A sério? Claro! Eu ensino-te a fazer escamas de arco-íris, se quiseres.”

Sofia sorriu. “Vês, Tomás? Partilhar o que sentes faz com que os outros se aproximem. E, às vezes, traz surpresas boas!”

Enquanto recolhiam as coisas, Tomás sentiu que a decepção ainda estava lá, mas já não era uma nuvem cinzenta. Agora, parecia uma nuvem fofinha que ia desaparecendo devagarinho. Ele ria com Sofia e Leonor, já a pensar nos novos desenhos que iam inventar juntos.

Capítulo 6: O Último Olhar pela Janela

Quando chegaram a casa, Tomás subiu ao seu quarto e pousou o dragão na secretária. Abriu a janela e deixou entrar o ar fresco da noite. Olhou para fora, onde as luzes da cidade brilhavam como pequenas estrelas.

Lá em baixo, viu Sofia acenar-lhe. “Até amanhã, artista!”, gritou ela, antes de desaparecer na esquina.

Tomás sorriu, sentindo-se reconfortado. A decepção visitara-o naquele dia, mas, ao partilhá-la, descobriu que não era preciso esconder nem ter vergonha. Faz parte de crescer, como tropeçar antes de aprender a andar de bicicleta.

“Talvez amanhã o dragão voe ainda mais alto”, pensou, fechando a janela devagar. E antes de ir dormir, ficou a olhar por um instante o céu escuro, sentindo-se calmo e lembrando-se de que todas as emoções têm o seu lugar, até mesmo a decepção—desde que possamos falar delas com quem nos quer bem.

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Excitação
Sentimento de grande alegria ou animação por algo que vai acontecer.
Criativo
Pessoa que inventa ou imagina coisas novas e originais.
Exposição
Lugar onde se mostram trabalhos para outras pessoas verem.
Etiquetas
Papéis pequenos com nomes ou informações colados nos trabalhos.
Gravata
Peça de tecido que se usa ao pescoço, geralmente em ocasiões formais.
Maquete
Pequena réplica em modelo de uma cidade ou construção.
Cabisbolete
Erro: palavra não aparece no texto.
Cabisbaixo
Que está com a cabeça baixa por estar triste ou envergonhado.
Decepção
Tristeza que sentimos quando algo que esperávamos não acontece.
Apertar
Sentir algo como pressionado ou estranho no peito por nervosismo.
Monstro
Ser imaginário assustador, usado para descrever algo grande e feio.
Secretária
Móvel com gavetas e espaço para escrever e guardar material.
Acenar
Mover a mão para cumprimentar ou chamar a atenção de alguém.
Partilhares
Verbo que significa dividir ou contar algo com outra pessoa.
Partilhá-la
Forma de dizer ‘partilhar’ referida a uma coisa, com pronome ligado.
Perspetiva
Maneira de ver ou entender uma situação ou acontecimento.
Recolhiam
Ato de arrumar ou juntar coisas que estavam espalhadas.

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