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História sobre o medo do escuro 5 a 6 anos Leitura 7 min.

O coelhinho Tomás e a coragem no escuro

Tomás, um coelhinho com medo do escuro, aprende com a coruja Bia a ouvir, nomear e usar pequenas ferramentas — uma pedrinha brilhante, uma canção e a respiração — para enfrentar a noite ao seu próprio ritmo.

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Um pequeno coelho antropomórfico jovem de pelagem bege, grandes orelhas arredondadas e olhos brilhantes, sentado num leito de folhas com expressão tímida mas reconfortada segurando uma pequena pedra prateada que emite um brilho pálido; uma coruja marrom adulta de olhos calmos pousada numa galha à entrada da toca, inclinada para acalmar o coelho; a toca é um interior de terra arredondado com paredes ocre, uma manta de erva seca, uma cenoura perto da cama e um copo de casca numa mesa baixa, e um fino raio de luar prateado atravessa o teto; cena ao crepúsculo, pedra brilhando suavemente e projetando sombras longas e suaves onde a sombra da orelha do coelho aparece como um "monstro" amigável, atmosfera tranquila com contrastes suaves entre o âmbar interior e o cinza-azulado da noite; paleta em tons quentes e suaves (ocre, bege, verde musgo) com acentos prateados e azul-noite, formas simples, contornos limpos e sombras suaves para composição clara e adequada a crianças. reportar um problema com esta imagem

O começo do anoitecer

O coelhinho Tomás gostava de dizer “obrigado” por tudo. Obrigado pela cenoura doce. Obrigado pela água fresquinha. Obrigado pelo vento que fazia cócegas nas orelhas.

Mas, quando o sol descia atrás das árvores, Tomás ficava com o coração a bater depressa.

A toca dele era confortável. Tinha uma cama de folhas macias e um cobertor feito de capim seco. Só que, à noite, a toca ficava escura. Muito escura.

Tomás espiou para a entrada. Lá fora, o céu estava azul-escuro, como uma manta grande. Dentro, a escuridão parecia uma sopa sem cor.

“E se a escuridão esconder coisas?” pensou ele.

Nesse momento, a coruja Bia pousou num galho perto da entrada. Ela piscou devagar, como quem tem tempo.

— Boa noite, Tomás. Estás com a testa apertada — disse a coruja.

— Tenho medo do escuro — confessou Tomás, baixinho. — Eu queria ser corajoso, mas o meu corpo não vai tão rápido.

Bia inclinou a cabeça.

— Cada corpo tem o seu ritmo. A coragem também. Vamos devagar, como um passeio com passos pequenos.

Tomás respirou um pouco melhor. Ele gostava quando alguém não o empurrava.

Ferramentas pequeninas

A coruja entrou com cuidado na toca, sem bater asas forte.

— Primeiro, vamos ouvir — sugeriu. — O escuro não é uma coisa que morde. É só falta de luz. E, sem luz, os sons ficam mais claros.

Tomás parou e ouviu.

Tic… tic… era uma gota de água a cair numa pedra.

Fruu… fruu… era o vento a passar na entrada.

Cric… cric… eram grilos lá fora, a cantar como se fossem minúsculos violinos.

— Vês? O escuro não inventou esses sons. Eles já estavam aqui — disse Bia.

Tomás fez uma cara séria e depois riu um bocadinho.

— Eu pensei que o escuro fazia “BU!” — disse ele.

— Às vezes a nossa cabeça faz “BU!” por ele — respondeu Bia, com humor leve.

Depois, Bia mostrou uma pedrinha lisa que brilhava fraquinho, fraquinho. Não era uma luz forte. Era só um pontinho prateado.

— Esta pedra guardou um pouco de luz do dia. Não ilumina tudo. Só faz companhia.

Tomás pegou na pedrinha. Ela estava fria e agradável na pata.

— Posso ficar com ela?

— Podes. Mas lembra: a pedra ajuda. Quem aprende és tu.

Tomás assentiu. Ele gostava dessa ideia. Parecia importante e gentil.

Bia continuou:

— Agora, vamos fazer um jogo. Olha para a escuridão e dá nomes a três coisas que sabes que estão aqui.

Tomás olhou. O escuro parecia grande, mas ele tentou.

— A minha cama de folhas… o meu copo de casca… e a minha cenoura guardada.

— Muito bem. O escuro não mudou a tua casa. Só apagou as cores por um pouco — disse Bia.

Tomás mexeu as orelhas. Ele sentiu que a toca ainda era a mesma. Só estava com “luz baixa”, como se o dia estivesse a descansar.

A canção do Tomás

Chegou a hora de deitar. Tomás deitou-se, mas o coração ainda fazia tum-tum.

— Podemos fazer mais uma coisa? — perguntou ele. — Eu sei cantar uma canção pequenina. Ajuda-me.

— Claro — disse Bia. — A tua voz é uma lanterna por dentro.

Tomás sorriu, envergonhado e orgulhoso ao mesmo tempo. Ele apertou o cobertor e cantou bem baixinho, com palavras simples:

“Boa noite, noite mansa,

eu vou já descansar.

O escuro é só silêncio,

a casa vai guardar.

Se eu sinto um medo leve,

eu posso respirar.

Um, dois, três bem devagar,

e o sono vai chegar.”

Enquanto cantava, Tomás percebeu uma mini-surpresa: a escuridão não era igual em todo o lado. Perto da entrada, havia um cinzento mais claro. No fundo, era mais preto. E, no teto da toca, havia um risco de luz da lua, como um fio fininho.

— Olha! — sussurrou Tomás. — A lua fez um desenho.

— A noite gosta de desenhar devagar — disse Bia.

Tomás quis espreitar o risco de luz. Então ele levantou-se um pouquinho, só um pouquinho, no seu ritmo. Chegou perto da parede e viu uma sombra comprida da sua orelha.

Ele deu um pulo.

— Ai! Uma coisa grande!

Bia riu, bem baixinho.

— É a tua orelha, Tomás. A luz faz a sombra crescer. Não é um monstro. É só uma brincadeira de formas.

Tomás olhou de novo, mexeu a orelha e a sombra mexeu também.

— Então… eu estou a fazer o “monstro” com a minha própria orelha!

— Exatamente — disse Bia. — E tu és um coelho muito simpático.

Tomás riu, e o riso tirou um nó que ele nem sabia que tinha.

Um sopro de noite

Já mais calmo, Tomás voltou para a cama. Bia ficou na entrada, a vigiar em silêncio, como um guarda-chuva contra preocupações.

— Se eu acordar com medo, o que eu faço? — perguntou Tomás, com voz de sono.

— Três passos pequenos — ensinou Bia. — Primeiro: mão na barriga e respira. Segundo: diz o nome de três coisas que estão contigo. Terceiro: lembra da tua canção, nem que seja só uma frase.

Tomás repetiu baixinho:

— Respirar… três coisas… canção.

— Isso. E, se um dia for difícil, não faz mal. Respeita o teu ritmo. Amanhã tentas outra vez.

Tomás sentiu o corpo pesado, como uma pedra quente ao sol. Ele segurou a pedrinha brilhante e agradeceu em pensamento: obrigado, cama; obrigado, noite; obrigado, coragem que chega aos pedacinhos.

Lá fora, o vento passou outra vez: fruu… fruu… como um cobertor a ser ajeitado.

Tomás fechou os olhos. Antes de dormir, ele fez um último sopro, bem suave, como se apagasse uma vela imaginária e, ao mesmo tempo, embalasse a escuridão.

Foi um sopro de noite.

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Anoitecer
Quando o dia fica a acabar e começa a ficar mais escuro.
Toca
Casa pequena e acolhedora de um animal, como um coelho.
Cobertor
Pano macio que aquece e protege durante o sono.
Capim seco
Folhas finas e secas de plantas usadas para cama ou cobrir.
Escuridão
Quando falta luz e não se vê bem à volta.
Coruja
Ave que voa à noite e tem olhos grandes para ver no escuro.
Respirou
Ato de puxar o ar para o corpo e depois soltar.
Sombra
Figura escura feita quando a luz bate num objeto.
Pedrinha
Pedra pequena e lisa que se pode segurar na mão.
Violinos
Instrumentos que fazem sons agudos, tocados com um arco.
Monstro
Criatura imaginária que pode parecer assustadora nas histórias.
Canção
Música curta com palavras que se pode cantar.

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