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História sobre a tolerância 9 a 10 anos Leitura 6 min.

O clube das diferenças felizes

Marta, uma menina tímida, junta-se ao Clube das Tardes Diferentes onde os colegas partilham sentimentos e histórias, descobrindo que as singularidades podem ser entendidas e valorizadas.

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Marta, 10 anos, tímida mas sorridente, rosto redondo com poucas sardas, cabelo castanho preso em rabo de cavalo, olhos doces, segura uma caixa de biscoitos e olha os amigos com expressão curiosa; Samuel, ~10 anos, cabelos ruivos bagunçados, pele clara, olhar amável, sentado ao lado dela fazendo um brinde com copo de suco; menina brasileira ~10 anos, pele morena, cabelos pretos trançados, segurando um cesto de pão de queijo e oferecendo aos outros; Inês, professora na casa dos 30, cabelos curtos castanhos, sentada em uma manta sorrindo e distribuindo pulseirinhas coloridas; local: jardim da escola ensolarado com grama verde, sombras de árvores, mantas coloridas, cestos e cartazes na cerca; cena: piquenique acolhedor com crianças de origens diversas compartilhando comidas, rindo e trocando pulseiras de amizade; estilo: ilustração infantil plana e colorida, texturas de papel, traços suaves, paleta vibrante (amarelo, verde, coral) com doodles leves ao redor. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: O Clube das Tardes Diferentes

O recreio estava animado e barulhento, como sempre, mas Marta sentia um friozinho na barriga. Era segunda-feira, dia da reunião do Clube das Tardes Diferentes, criado pela professora Inês para juntar meninos e meninas de todas as turmas. Cada semana, faziam algo novo: pinturas, histórias, jogos e... conversas.

Marta queria muito ir, só que hesitava sempre. "E se ninguém gostar do que eu disser?" pensava ela, mexendo no fecho da mochila. Era tímida e achava difícil dizer o que sentia quando estava com muita gente. Odiava a ideia de parecer diferente, de ser aquela menina que não falava.

De repente, ouviu uma voz suave ao lado. Era Samuel, o rapaz novo da sala, que tinha um cabelo ruivo espetado e um sotaque que ninguém conseguia adivinhar de onde vinha.

— Vais ao clube hoje, Marta? — perguntou ele, sorrindo.

— Vou... — respondeu ela, num fio de voz.

Samuel parecia contente. — Tenho medo de não perceber tudo o que dizem. Às vezes parece que as palavras dançam.

Marta olhou para ele, surpresa. Samuel também se sentia estranho, afinal. Isso deu-lhe coragem para entrar na sala das Tardes Diferentes, mesmo com o coração aos pulos.

Capítulo 2: Descobertas no Círculo

A sala estava cheia de tapetes coloridos no chão e cartazes nas paredes. Os colegas sentaram-se em círculo, cada um diferente à sua maneira: altos, baixos, faladores, calados. Até a professora tirou os sapatos para se sentar ao nível das crianças.

— Hoje, gostava que partilhassem como se sentem quando acham que são diferentes — sugeriu a professora Inês com um sorriso aberto.

O silêncio invadiu a sala. Marta desejava poder esconder-se num sapato gigante, mas Samuel deu-lhe um cotovelo discreto.

— Eu falo — disse ele, respirando fundo. — Às vezes as pessoas riem do meu sotaque. Mas gosto dele, lembra-me o lugar onde nasci.

Depois falou a Ana, que usava óculos com lentes grossas e nunca jogava à bola: — Sinto-me diferente porque sou a única que lê livros no recreio. Mas adoro viajar nas histórias.

Um a um, todos partilharam. Quando chegou a sua vez, Marta engoliu em seco e murmurou:

— Eu tenho medo de falar em voz alta. Às vezes parece que as palavras ficam presas na garganta.

O grupo escutou, sem rir, só ouvindo. Marta sentiu-se leve, quase feliz por ter contado.

Capítulo 3: O Mapa da Mente

No final da partilha, a professora tirou da caixa um conjunto de cartões coloridos. Cada um tinha uma expressão desenhada: um sol alegre, uma nuvem cinzenta, uma gota de chuva.

— Que tal fazermos a nossa própria previsão meteorológica das emoções? — propôs Marta, surpreendendo-se com a coragem da sua própria voz.

— Como assim? — perguntou David, curioso.

— Cada um escolhe um cartão para dizer como se sente agora. Podemos ser honestos... Seremos um grupo de previsão de sentimentos!

Todos adoraram a ideia. Samuel pegou na nuvem cinzenta e disse: — Estou nervoso, mas menos do que quando entrei.

Ana escolheu um sol com óculos e riu: — Estou brilhante por dentro! — E assim, cada um mostrou, à sua maneira, como se sentia. Marta escolheu uma gota de chuva que depois virou um arco-íris. — Acho que estou a mudar, — confessou, sorrindo.

Capítulo 4: O Piquenique das Diferenças

Na semana seguinte, o clube organizou um piquenique no jardim da escola. Cada um levou algo típico da sua família: bolinhos de milho do Brasil, pão de queijo, biscoitos de gengibre, chá de hortelã.

Sentados em mantas coloridas, começaram a partilhar as histórias de cada prato e riram com as confusões das palavras. Marta percebeu que ser diferente era como ter ingredientes raros para partilhar.

Durante o lanche, Samuel levantou o copo e disse: — A escola é como este piquenique. Melhor quanto mais gostos diferentes tem.

Todos concordaram, brindando com sumo de laranja e sorrisos.

Capítulo 5: A Promessa do Clube

No fim do encontro, a professora Inês trouxe uma caixa misteriosa. Dentro, havia pulseiras feitas por ela, cada uma de uma cor diferente.

— Estas pulseiras são para nos lembrarmos de ser sempre inclusivos. Quem usar, promete acolher todos, com as suas diferenças.

Marta colocou a pulseira azul-claro no pulso. Sorriu para Samuel, para Ana, para David. O Clube das Tardes Diferentes fazia agora mais sentido do que nunca.

Num abraço coletivo, prometeram estar atentos uns aos outros, ouvir, dar espaço e criar juntos um lugar onde cada diferença fosse um pedacinho de arco-íris a colorir o grupo.

Naquela noite, Marta deitou-se sentindo-se corajosa. As palavras já não pareciam presas. E, se por acaso voltassem a ficar, sabia que teria amigos para a ajudar a libertá-las. Afinal, todos merecem ser incluídos, exatamente como são.

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Recreio
Tempo de descanso na escola, quando as crianças brincam e comem no intervalo.
Hesitava
Ficava com dúvida e demorava a decidir ou a agir.
Tímida
Que sente vergonha ou medo de falar com outras pessoas.
Fecho
Peça que fecha a mochila ou roupa, como um zíper.
Sotaque
Modo de falar típico de um lugar, que torna a voz diferente.
Discreto
Que age com cuidado para não chamar atenção dos outros.
Tapetes coloridos
Tapetes com várias cores usados para sentar no chão.
Cartazes
Papeis grandes com desenhos ou palavras para mostrar mensagens.
Círculo
Forma redonda; aqui, as pessoas sentaram formando um espaço redondo.
Engoliu em seco
Expressão que diz quando alguém engole saliva por estar nervoso.

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