Parte 1: O Capitão e a Canção
O mar brilhava como um prato azul. O navio balançava devagar. Chamava-se Estrela do Sal.
No convés estava o Capitão Tito. Era um pirata bom e sorridente. Tinha barba curta e um chapéu grande.
“Tripulação!” chamou ele. “Hoje vamos achar a Ilha do Caracol Dourado!”
“Eba!” disse a tripulação. “Eba!”
Mas havia uma coisa. Quando remavam, cada um cantava uma música diferente. Ficava tudo atrapalhado.
O Capitão Tito coçou a cabeça.
“Precisamos de uma canção só. Uma canção de estrada do mar. Para cantar juntos!”
A cozinheira Rute riu. “Então escreve uma, Capitão.”
“Eu vou escrever!” disse Tito. “Com coragem, com cabeça boa… e com um pouquinho de malícia.”
Ele pegou uma pena e um papel. O vento fez cócegas no papel. A pena caiu no chão.
“Ui!” disse Tito. “O vento quer brincar.”
O papagaio Paco pulou no ombro dele.
“Canta, canta!” gritou Paco.
“Calma, Paco.” Tito piscou. “Primeiro precisamos do começo da canção.”
O imediato Zeca apontou para longe.
“Capitão, nuvens cinzas!”
No céu, uma nuvem grande apareceu. O mar ficou mais escuro, mas não assustador. Só agitado, como quando a água do banho faz ondas.
“Uma tempestade pequena,” disse Tito. “Nós conseguimos. Juntos.”
“Como?” perguntou a grumete Bilo, bem pequenino.
Tito agachou para ficar da altura dele.
“Com olhos atentos. Mãos firmes. E uma canção para marcar o ritmo.”
Tito bateu o pé no convés: tum, tum.
“Quando eu digo ‘Mar', vocês dizem ‘Amigo'!”
“Mar!” disse Tito.
“Amigo!” respondeu a tripulação.
“Mar!”
“Amigo!”
Eles riram. O navio pareceu mais valente.
A chuva veio como pingos de tambor. Plim, plim, plim.
“Segurem as cordas!” disse Tito.
Ele olhou as velas. Ajustou um nó. Depois outro. Um nó simples, bem simples.
“Pronto. Agora cantem comigo!”
E ele inventou ali mesmo:
“Mar…”
“Amigo!”
“Vento…”
“Comigo!”
“Rema…”
“Juntinho!”
“Coração…”
“Quentinho!”
A tempestade passou rápido. O céu abriu. Um arco-íris apareceu, fininho.
“Viu?” disse Tito. “A canção ajuda. A canção abraça.”
Parte 2: A Ilha Misteriosa e Engraçada
Mais tarde, a Ilha do Caracol Dourado surgiu. Tinha areia clara e palmeiras verdes. Cheirava a coco e a sal.
Na praia havia conchas grandes. Algumas brilhavam como moeda.
“Tesouro!” disse Bilo.
“Tesouro de concha,” brincou Rute. “Serve para fazer sopa!”
Todos riram.
O mapa dizia: “Três passos grandes, dois passos pequenos, e procure a pedra que parece sorriso.”
“Pedra sorriso?” perguntou Zeca.
Tito levantou a luneta. Viu uma pedra redonda com um risco curvado.
“Ali! Ela está rindo para nós!”
Eles caminharam. Um caranguejo vermelho apareceu, marchando.
“Eu sou o guarda!” disse o caranguejo, como se fosse gente.
Paco respondeu: “Guarda, guarda!”
O caranguejo levantou as pinças. “Só passa quem canta!”
Tito colocou a mão no peito.
“Então vamos cantar bonito.”
Eles cantaram a canção:
“Mar…”
“Amigo!”
O caranguejo balançou de um lado para o outro, dançando.
“Bom! Bom!” disse ele. “Podem passar. Mas com cuidado com as poças!”
Havia poças brilhantes, como espelhos. Bilo quase escorregou.
Tito segurou a mão dele.
“Devagar. Passo pequeno. Você consegue.”
Bilo respirou fundo. Fez um passo. Depois outro.
“Consegui!” disse ele.
“Conseguiu mesmo,” falou Tito. “Isso é coragem.”
Atrás da pedra sorriso, acharam uma caixa. Não era grande. Era leve. Tinha um desenho de caracol.
Tito abriu devagar. Dentro havia um sino dourado, pequenino.
“Um sino?” disse Zeca, confuso.
Rute cheirou. “Cheira a limão!”
E o sino tinha um papelzinho: “Toque e cante. Assim a tripulação fica unida.”
Tito sorriu. “É isso! Um sino para começar a canção.”
Parte 3: A Volta para Casa do Mar
No navio, o sol já estava macio. O mar ficou calmo, calmo.
Tito pendurou o sino perto do leme.
“Agora, quando eu tocar, cantamos juntos.”
Ele tocou: tilim!
A tripulação abriu a boca, feliz.
“Mar…”
“Amigo!”
“Vento…”
“Comigo!”
Paco bateu asas. “Comigo! Comigo!”
De repente, uma onda espirrou água no chapéu do Capitão Tito.
“Ei!” ele disse, fingindo bravo. “Quem jogou água no meu chapéu?”
O mar ficou quietinho, como se escondesse o riso.
Todos caíram na gargalhada.
“Foi o mar malandro!” disse Bilo.
Tito sacudiu o chapéu e piscou.
“Então vamos cantar mais forte, para o mar dançar com a gente.”
E cantaram, com ritmo e carinho. O navio seguiu como uma canção andando.
Quando a lua apareceu, redonda como pão de queijo, a tripulação se sentou juntinha.
Rute deu biscoitos. Zeca contou estrelas. Bilo bocejou.
Tito falou baixinho:
“Hoje fomos piratas de coragem. Piratas de cabeça boa. Piratas de coração quentinho.”
Ele tocou o sino uma última vez: tilim.
E todos sussurraram:
“Mar… amigo.”
O Estrela do Sal balançou devagar, e a noite ficou suave, como um cobertor de vento.