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História sobre o medo do escuro 3 a 4 anos Leitura 10 min.

O caderno da noite do Tomás

Tomás, um menino que tem medo do escuro, encontra coragem ao lado de sua amiga Inês e juntos criam um caderno da noite para expressar seus sentimentos e enfrentar a escuridão com imaginação e amizade.

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Há 2 personagens principais: Tomás: um menino de 4 anos, com cabelo castanho bagunçado e olhos brilhantes. Ele veste um pijama azul com estrelas brancas. Está sentado em sua cama, segurando um caderno nas mãos, com um olhar curioso e um pouco preocupado. Inês: uma menina de 4 anos, com cabelo loiro trançado e olhos verdes brilhantes. Ela usa um pijama rosa com pequenos corações. Está sentada ao lado de Tomás na cama, sorridente e confiante, segurando uma pequena lanterna amarela. O cenário é um quarto infantil acolhedor, com paredes pintadas de azul claro e pôsteres de planetas e animais. Há uma cama de madeira com lençóis coloridos, uma estante cheia de livros e um tapete macio no chão. Uma suave luz noturna em forma de lua ilumina o ambiente, criando uma atmosfera calma e reconfortante. A situação principal mostra Tomás e Inês sentados na cama, cercados por bichos de pelúcia. Tomás, um pouco preocupado, olha para seu caderno, enquanto Inês lhe mostra sua lanterna, iluminando suavemente seus rostos. Eles compartilham um momento de cumplicidade, prontos para desenhar e superar o medo do escuro juntos. reportar um problema com esta imagem

O Tomás tinha quatro anos.

A Inês também tinha quatro anos.

Eles eram amigos.

Viviam no mesmo prédio.

Gostavam de brincar juntos.

Uma tarde, depois do lancho, a mãe do Tomás disse:

— Hoje vamos deitar um bocadinho mais cedo.

Tomás não gostou muito.

Ele gostava da parte da manhã.

Gostava do sol, dos brinquedos e do parque.

Mas à noite…

À noite o quarto ficava escuro.

E o escuro deixava o Tomás um bocadinho apertado por dentro.

Ele não queria dizer “tenho medo”.

Então dizia:

— Não gosto do buéu… do buéu escuro…

A mãe sorriu.

— Do breu escuro, filho?

Tomás abanou a cabeça, sério.

— Sim… do breu escuro…

Nessa tarde, a campainha tocou.

Era a Inês com o pai.

Ela trazia uma mochila pequena às costas.

— Olá! — disse a Inês. — Vim brincar!

— Viva! — disse o Tomás, a saltar.

Brincaram de construções.

Brincaram de carrinhos.

Brincaram de restaurante de peluches.

Depois, a mãe do Tomás olhou pela janela.

O céu ficava laranja.

O sol ia embora, devagar.

— Está quase a anoitecer — disse a mãe.

Tomás sentiu o peito apertar outra vez.

Ele olhou para o chão.

O pai da Inês perguntou:

— Está tudo bem, Tomás?

Tomás encolheu os ombros.

Não sabia bem o que dizer.

A Inês aproximou-se dele.

Falou baixinho:

— Eu também não gostava do escuro.

Tomás abriu muito os olhos.

— A sério?

— A sério — respondeu a Inês. — Mas agora eu tenho um truque.

Tomás ficou curioso.

— Um truque?

A Inês tirou da mochila um caderninho.

Era um caderno com capa azul.

Tinha um desenho de uma estrela amarela.

— Este é o meu caderno da noite — disse ela.

— Para quê? — perguntou o Tomás.

— Quando fico a pensar coisas esquisitas, escrevo aqui.

— Mas tu não sabes escrever tudo… — disse o Tomás.

— Eu faço desenhos. E alguns rabiscos. O pai escreve as palavras.

O pai da Inês sorriu.

— É verdade. Eu ajudo. Escrevo o que a Inês me diz.

A mãe do Tomás levantou-se.

Foi à gaveta da sala.

Tirou um caderno simples, com linhas.

— Tomás, queres ter também um caderno da noite?

Ele olhou para o caderno.

Parecia um bocadinho importante.

— Sim… quero tentar — respondeu.

A mãe trouxe também lápis de cores.

Um vermelho, um azul, um verde e um amarelo.

— Podemos começar hoje — disse ela.

Tomás sentiu-se mais calmo.

Um bocadinho só.

Ficaram todos sentados na mesa da cozinha.

Lá fora, o céu já estava roxo.

As primeiras luzes da rua acendiam-se.

— Então, Tomás — disse a mãe. — O que é que tu pensas quando chega o escuro?

Tomás pensou.

Pensou devagar.

— Penso que o quarto fica grande demais — respondeu.

— Boa — disse a mãe. — Queres desenhar o teu quarto?

Tomás pegou no lápis azul.

Fez um quadrado torto.

Fez a cama.

Fez um ursinho.

— Este sou eu — disse, a desenhar uma bolinha.

— E o que tu sentes? — perguntou a mãe.

— Sinto… barriguinha apertada.

A mãe escreveu no caderno:

“O quarto fica grande demais. A barriguinha fica apertada.”

A Inês olhou.

— Agora, pinta uma coisa que te ajuda — sugeriu.

— O quê? — perguntou o Tomás.

— Eu pinto sempre uma luzinha — disse a Inês.

Ela tirou da mochila uma pequena lanterna amarela.

— Eu tenho esta lanterna para a noite. Não é para brincar muito, é só para ver um bocadinho.

Tomás fez dois olhos grandes.

— Posso experimentar?

— Claro — disse a Inês.

Ele apontou a lanterna para o chão.

A luz fez um círculo quentinho.

Apontou para a parede.

A luz subiu, redonda.

— Olha — disse o pai da Inês — a escuridão é como um grande casaco.

— Um casaco? — perguntou o Tomás.

— Sim. De dia, o céu põe o casaco luz.

À noite, o céu põe o casaco escuro, para descansar.

A luz vai dormir um bocadinho.

Tomás pensou outra vez.

— A luz vai dormir como eu?

— Sim — respondeu a mãe. — O sol vai dormir. As estrelas acordam. É só uma troca.

Tomás desenhou agora uma pequena lâmpada.

Pintou-a amarela.

A mãe escreveu ao lado:

“Tenho uma luzinha que ajuda.”

A Inês bateu palminhas.

— Vês? O teu caderno já está a trabalhar!

De repente, a sala ficou um pouco mais escura.

O dia tinha mesmo acabado.

A mãe acendeu uma luz suave.

— Está na hora de lavar os dentes — disse.

Tomás e Inês foram à casa de banho.

Lavaram os dentes com calma.

A espuma fazia-lhes bigodes brancos.

— Olha o meu bigode de nuvem! — brincou o Tomás.

Inês riu.

— Eu tenho um bigode de leite!

Voltaram ao quarto do Tomás.

A mãe baixou os estores.

Ficou quase escuro.

Mas não totalmente.

Havia uma pequena luz de noite no canto.

Era em forma de lua.

Brilhava fraquinho, como um sussurro.

Tomás sentou-se na cama.

Segurava o caderno.

A Inês sentou-se ao lado.

— Agora o que é que escrevemos? — perguntou a mãe.

Tomás respirou fundo.

Olhou à volta.

— Agora… o meu quarto não parece tão grande — disse.

— Porquê? — perguntou a mãe.

— Porque estou aqui… com a minha luz… e com o meu caderno… e com a Inês.

A mãe escreveu:

“O quarto parece mais pequeno e mais calmo.”

O pai da Inês olhou para o relógio.

— Está quase na hora de a Inês ir dormir em casa.

Tomás sentiu um pequeno medo a querer aparecer.

Mas ele olhou logo para o caderno.

Passou a mão pela folha.

— Posso desenhar mais uma coisa? — perguntou.

— Podes — disse a mãe.

Ele desenhou um coração.

Um coração grande, vermelho.

— Este é o meu coração — explicou.

— O que é que ele faz no escuro? — perguntou a mãe.

Tomás fechou os olhos um momento.

Depois disse devagar:

— Ele bate… devagarinho… e espera.

Ele espera a luz voltar.

A mãe sorriu, com os olhos brilhantes.

Escreveu:

“O meu coração espera com paciência a luz voltar.”

A Inês disse:

— Gosto disso. O coração sabe esperar.

O pai da Inês levantou-se.

— Vamos, Inês. Vamos para casa. Está na hora da tua história da noite.

Inês abraçou o Tomás.

— Amanhã podes contar-me o que o teu caderno da noite escreveu contigo.

Tomás sorriu.

— Está bem. Eu conto.

Eles foram embora.

Ficou só o silêncio suave no quarto.

A mãe sentou-se na beira da cama.

— Queres que eu fique um bocadinho aqui? — perguntou.

— Quero — disse o Tomás.

Ela apagou a luz grande.

Ficou só a luz de lua.

O escuro era macio, não era duro.

— O que é que tu vês agora? — sussurrou a mãe.

Tomás olhou.

— Vejo a minha estante de livros…

Vejo o ursinho…

Vejo a luz de lua…

E vejo o meu caderno da noite.

— O que é que o teu corpo sente agora? — perguntou a mãe.

Tomás mexeu os pés dentro do lençol.

— Sente-se quentinho…

Sente-se mais calmo…

A barriguinha não está tão apertada.

A mãe fez uma festinha na testa dele.

— O escuro não é mau, filho. É só o mundo a descansar.

— E eu também descanso — murmurou Tomás, a bocejar.

Ele puxou o caderno mais para perto.

Abraçou o ursinho.

Fechou os olhos devagar.

Por um instante, pensou:

“Se eu ficar com medo outra vez, posso desenhar.”

Depois respirou fundo.

Uma vez.

Duas vezes.

Três vezes.

O coração batia, paciente.

Lá fora, as luzes da rua piscavam mansas.

As estrelas faziam guarda ao céu.

No quarto, o silêncio era amigo.

O escuro era um cobertor gigante sobre a casa inteira.

Tomás sussurrou, quase sem som:

— Boa noite, escuro… eu espero contigo.

E, devagarinho, muito devagarinho,

o sono chegou,

macio, calmo e sereno,

para dormir ao lado dele até de manhã.

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Lanterna
Um objeto que emite luz, usado para iluminar lugares escuros.
Caderno
Um livro constituído por folhas em branco ou pautadas, utilizado para escrever ou desenhar.
Barriguinha
Um termo carinhoso para se referir à barriga, a parte do corpo entre o peito e a cintura.
Escuridão
A ausência de luz, quando tudo fica muito escuro.
Paciente
Alguém que espera calmamente por algo, sem ficar impaciente ou nervoso.
Cobertor
Um tecido grande e macio usado para se aquecer na cama.

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