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História sobre a confiança em si mesmo 3 a 4 anos Leitura 5 min.

O caderno cheio de coragem

Tomás ganha um caderno novo e, incentivado pela voz de dentro, descobre a alegria de desenhar e tentar, aprendendo que cada risco é uma oportunidade de crescer e se expressar. Através de suas aventuras artísticas, ele aprende a valorizar a coragem de tentar e a importância de acreditar em si mesmo.

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Um menino de 4 anos, com cabelos castanhos bagunçados e olhos brilhantes de curiosidade, está sentado a uma mesa de madeira, com um grande sorriso no rosto, segurando um caderno branco aberto à sua frente. Ele está concentrado e entusiasmado, cercado por lápis de cor espalhados ao seu redor. Sua pequena mão está desenhando um sol amarelo brilhante na primeira página do caderno. Ao lado dele, sua mãe, uma mulher de cerca de 30 anos, com cabelos longos e castanhos, veste um suéter macio e colorido. Ela se inclina levemente em direção a ele, com um olhar gentil e um sorriso caloroso, encorajando-o em sua criação. A cena acontece em uma cozinha iluminada, com paredes pintadas de amarelo pastel e uma janela que deixa entrar a luz do sol. Plantas verdes estão no parapeito da janela, e um quadro negro pendurado na parede exibe desenhos de crianças. O menino desenha com alegria, descobrindo a magia da expressão criativa, enquanto sua mãe o observa com orgulho, criando uma atmosfera de apoio e confiança. reportar um problema com esta imagem

Parte 1 – O caderno novo

O Tomás tinha quatro anos.

Um dia, a mãe deu-lhe um caderno novo.

Era um caderno branco, muito branco.

As folhas cheiravam a coisa nova.

O caderno esperava.

A mãe sorriu.

— Este caderno é só teu, Tomás.

— Só meu? — perguntou o Tomás.

— Só teu. Para desenhar, escrever riscos, colar coisas. O que o teu coração disser.

Tomás olhou para o caderno.

Sentiu uma coisa quente na barriga.

Era uma mistura de alegria e de medo.

— E se eu estragar? — sussurrou.

— Não há estragar — disse a mãe. — Há tentar. Tentar é bonito.

Tomás respirou fundo.

Abriu o caderno.

A primeira página era tão branca que fazia cócegas nos olhos.

Dentro da barriga, a tal coisa quente falou baixinho:

“Desenha, Tomás. Podes tentar.”

Tomás pensou:

“Talvez isto seja a minha voz de dentro.”

Parte 2 – A voz de dentro

No dia seguinte, Tomás levou o caderno para a mesa da cozinha.

Pôs os lápis ao lado. Todos alinhados.

— O que vou desenhar? — perguntou.

A cabeça parecia cheia de nuvens.

Fechou os olhos um bocadinho.

Ouviu de novo a voz pequenina, lá dentro:

“Começa com um ponto.”

Tomás fez um ponto.

Bem no meio da página.

— Só isso? — Ele riu. — É pouco.

A voz de dentro respondeu, como se fosse vento suave:

“Agora faz uma linha.”

Tomás fez uma linha.

Depois outra.

Viraram um círculo muito torto.

— Parece uma batata — disse ele, a rir.

A mãe olhou e disse:

— Que batata simpática!

Tomás sentiu-se leve.

Riscou olhos, boca, braços.

A batata virou uma cara. Uma cara divertida.

— Consegui! — gritou Tomás.

Dentro dele, a voz sussurrou:

“Vês? Quando tentas, acontecem coisas.”

Todos os dias, Tomás abria o caderno.

Às vezes fazia um sol amarelo.

Outras vezes, um carro com rodas quadradas.

Ou um gato com rabo comprido demais.

Quando saía torto, o coração apertava um bocadinho.

Mas a voz de dentro vinha logo:

“Está tudo bem. Tenta outra vez. Cada risco é um passo.”

Então ele fazia mais um risco, e outro, e outro.

Passo a passo.

Linha a linha.

Parte 3 – Um caderno cheio de passos

Um fim de tarde, a mãe chamou:

— Tomás, é hora de arrumar.

Tomás fechou o caderno com cuidado.

Estava pesado.

Tão pesado de páginas cheias.

Subiu para a cama.

A mãe sentou-se ao lado.

— Posso ver? — perguntou ela.

— Podes — disse Tomás, com um sorriso.

Abriram juntos.

Página a página.

Havia sóis, casas tortas, pessoas com cabelos malucos.

E havia também rabiscos que pareciam nada…

Mas que, para o Tomás, eram tudo.

— Olha, aqui eu tentei desenhar um avião — contou ele. — Ficou estranho.

— E o que fizeste depois? — perguntou a mãe.

Tomás virou a página.

Lá estava outro avião.

Um bocadinho melhor.

— Tentei outra vez — disse ele.

Sentiu o peito crescer, como um balão tranquilo.

— Sabes, Tomás — falou a mãe —, o teu caderno está cheio de coragem.

— Cheio de coragem? — Ele abriu muito os olhos.

— Sim. Cada risco é um “eu tentei”. E tu tentaste muitas vezes.

Tomás encostou a mão ao caderno fechado.

Estava quentinho.

Lá dentro dele, a voz falou outra vez:

“Eu consigo aprender. Eu posso tentar. Um passo de cada vez.”

Ele repetiu baixinho:

— Eu consigo aprender. Eu posso tentar. Um passo de cada vez.

A mãe fez-lhe uma festa no cabelo.

As luzes já eram suaves.

O quarto cheirava a noite calma.

Tomás abraçou o caderno, agora bem cheio.

Cheio de riscos.

Cheio de tentativas.

Cheio de confiança.

Fechou os olhos, a ouvir a sua voz de dentro, macia como cobertor:

“Quando eu acreditar em mim, o meu caderno nunca fica vazio.”

E assim, devagarinho, o Tomás adormeceu,

com o coração tranquilo

e o seu caderno, bem cheio,

a descansar ao seu lado.

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Caderno
Um objeto composto por folhas de papel, usado para escrever ou desenhar.
Ralar
Ação de fazer um desenho ou escrever algo com uma caneta ou lápis.
Estragar
Danificar ou tornar algo inutilizável.
Tentar
Fazer um esforço para realizar algo, mesmo que não se tenha certeza do resultado.
Coragem
A capacidade de enfrentar situações difíceis ou desafiadoras.
Sussurrar
Falar de maneira muito baixa, quase sem ser ouvido.

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