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História de Jogador de Futebol 7 a 8 anos Leitura 16 min.

Lila e o drible que abre caminhos

Lila, uma jovem futebolista profissional, vive um dia entre treino e jogo onde aprende sobre trabalho em equipa, responsabilidade e pequenos gestos de cuidado com o planeta.

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Lila, mulher sorridente e concentrada, cabelo em rabo de cavalo, correndo pela direita com o pé direito pronto para chutar; Joana (≈16), curta, entusiasmada, correndo à frente para receber o cruzamento; Marta (capitã, ≈25), determinada, braços erguidos na área; Rui (treinador, ≈50) na lateral com caderno, observando; grande estádio com relvado verde, linhas brancas, bancadas coloridas desfocadas e céu azul; Lila dribla duas defensoras representadas como sombras, abre um corredor de luz para a área, bola em movimento com traços de velocidade e relva levantada, ambiente de jogo coletivo e energia. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: As chuteiras da Lila

Lila acordou antes do despertador. Não porque estivesse atrasada, mas porque o dia parecia chamar pelo seu nome. A luz da manhã entrava mansinha pela janela, como se também quisesse brincar.

Ela era jogadora de futebol profissional. E não era qualquer jogadora. Lila era uma extrema, dessas que gostam de correr pela linha, fazer fintas, mudar de direção num piscar de olhos e ouvir o “ooooh” da bancada como quem ouve uma música.

No chão do quarto, as chuteiras estavam alinhadas direitinho, já limpas desde a noite anterior. Lila tinha uma regra: cuidar do que se tem para não ter de comprar outra coisa sem necessidade. Era uma forma de respeitar o planeta, como se dissesse: “Obrigado, vou usar bem.”

Na cozinha, ela encheu a garrafa reutilizável com água e colocou uma banana na mochila. Também levou um pãozinho de ontem, que ainda estava ótimo.

“Desperdiçar é como chutar uma bola para fora sem olhar”, pensou, sorrindo.

No caminho para o centro de treinos, Lila via as árvores balançando e os pássaros a fazerem o seu jogo no céu. Ela gostava de imaginar que cada um tinha um papel. O vento era o treinador dos ramos. As nuvens eram guarda-redes fofinhas.

Quando chegou, o relvado brilhava. Parecia um tapete verde de boas-vindas. O som das bolas a bater no chão era como um tambor alegre.

A equipa já estava lá. Havia risos e passos leves. O treinador, o senhor Rui, levantou a prancheta, mas tinha cara de quem também gostava de brincar.

Hoje era dia importante: jogo à tarde. E, de manhã, treino curto para afinar tudo. Lila respirou fundo. Sentiu o cheiro a relva e a sol. Sentiu também uma coisa boa no peito: aquela mistura de calma e vontade de correr.

O senhor Rui explicou, com voz tranquila, o plano do dia. Lila ouviu com atenção. Ser profissional era isso: não era só jogar. Era cuidar do corpo, dormir bem, comer bem, ouvir, respeitar. Era ser responsável, mesmo quando o coração queria apenas chutar.

Treinaram passes e movimentos simples. Lila corria pela ala, recebia a bola, fazia uma finta e cruzava. Às vezes errava o ângulo, e a bola ia um pouco mais alta. Ninguém ralhava. Corrigiam com calma.

Uma colega mais nova, a Joana, tropeçou numa bola e deu uma risadinha envergonhada. Lila aproximou-se e fez uma careta divertida, como se dissesse: “Acontece até aos melhores.” A Joana riu alto e a tensão desapareceu como espuma.

O senhor Rui chamou a atenção para um detalhe que parecia pequeno, mas era importante: “O futebol é uma dança. Se alguém dança sozinho, fica bonito… mas não é equipa.”

Lila gostava disso. Porque ela adorava driblar, sim, mas gostava ainda mais quando o drible ajudava alguém. Quando uma finta abria espaço para uma amiga chutar. Quando uma corrida puxava uma defesa e libertava outra jogadora.

No fim do treino, todas apanharam cones e coletes. Lila dobrou o seu colete com cuidado. Uma coisa simples, mas que evitava rasgos e compras desnecessárias.

Antes de sair, Lila passou pela caixa de reciclagem do centro. Alguém tinha deixado uma garrafa de plástico no lugar errado. Ela pegou nela e colocou onde devia. Um gesto pequeno, como um passe curto. Mas passes curtos também ganham jogos.

À tarde, haveria estádio, luzes e muita gente. Lila sentiu borboletas na barriga. Borboletas felizes, que só querem voar em círculo até a bola rolar.

Capítulo 2: O caminho até ao estádio

Depois do almoço, Lila descansou um pouco. Ser profissional também era saber parar. Ela deitou-se no sofá, fechou os olhos e imaginou o jogo como quem imagina uma história antes de dormir.

Na imaginação, o relvado era um mar verde. As linhas brancas eram rios. A bola era uma pequena lua a passar de pé em pé.

Quando chegou a hora, ela vestiu o equipamento com cuidado. Camisola, calções, meias altas. As chuteiras entraram por último, como se fossem a chave de um segredo.

No autocarro da equipa, as jogadoras falavam baixo, umas com fones, outras a brincar com cartas. Lila olhava pela janela. Via pessoas a andar na rua com sacos, bicicletas, cães felizes. Pensou como o estádio era como uma grande praça onde todos se encontravam para partilhar alegria.

A capitã, a Marta, passou pelo corredor e deu um toque leve no ombro de Lila. Era uma forma de dizer: “Estamos juntas.” Lila respondeu com um sorriso.

Quando o autocarro estacionou, ouviram-se sons diferentes. Uma mistura de vozes, passos e um murmúrio que parecia o mar. Era a bancada a encher.

Nos balneários, o cheiro era de sabonete e de relva que vinha colada nas chuteiras antigas. Lila prendeu o cabelo num rabo-de-cavalo firme. Depois, fez alongamentos com calma. As pernas tinham de estar prontas, mas também a cabeça.

O senhor Rui falou pouco. Disse o essencial, como quem dá uma lanterna pequena para a noite. “Joguem com respeito. Joguem com alegria. Se errarem, ajudem-se. Se ganharem, agradeçam. Se perderem, aprendam.”

Lila gostou, porque parecia um conselho para a vida inteira, não só para o futebol.

Antes de entrar em campo, ela viu um cesto com fitas usadas, de jogos antigos, e uma placa: “Reutilizar é cuidar.” O clube juntava fitas, copos e materiais para evitar desperdício. Lila lembrou-se do pãozinho de ontem e sorriu. Até um estádio podia ser amigo do planeta.

A saída para o relvado era um túnel. O som de fora ficava cada vez maior. Mas não era assustador. Era como ouvir chuva num telhado, só que feita de aplausos.

Quando Lila pisou o relvado, sentiu o chão firme e macio ao mesmo tempo. A bola, no meio do campo, parecia esperar, calma. O árbitro apitou para aquecerem, e as jogadoras começaram a correr.

Lila deu uns toques na bola e sentiu que ela obedecia, como um cão bem treinado. A bola era redonda, mas cada toque dizia algo: “Estou aqui. Vamos brincar com cuidado.”

No aquecimento, Lila fez uma finta simples e a bola passou por uma defesa como um peixe rápido num rio. Lila não se gabou. Apenas voltou para a fila, concentrada.

Ela sabia: ser extrema dribladora era gostar de velocidade, mas também de responsabilidade. Era escolher o momento certo. Não driblar só para brilhar. Driblar para ajudar a equipa a avançar.

A árbitra chamou para o início. As equipas alinharam. Lila respirou. O jogo ia começar.

Capítulo 3: O drible que abre caminhos

A bola rolou e o estádio acordou de vez.

Nos primeiros minutos, a outra equipa marcava bem. Lila recebia a bola na ala e via duas jogadoras a aproximarem-se, como portas a fechar. Ela podia tentar passar por elas, mas escolheu esperar um segundo. Um segundo pode ser um mundo.

Ela deu um toque para trás, para a lateral que vinha a correr. Passe curto, seguro. A bola circulou e voltou para Lila mais à frente. Agora havia espaço. Lila sorriu por dentro. Era como plantar uma semente e, de repente, ver uma flor.

Quando recebeu outra vez, Lila acelerou. Fez uma finta para a direita, mas foi pela esquerda. O corpo contou uma história e a bola contou outra. A defesa ficou a olhar, meio surpresa, como quem perdeu a página do livro.

Lila avançou pela linha. O vento batia-lhe no rosto, fresco e limpo. Ela ouviu a bancada, mas parecia longe, como um rádio baixo. O que estava perto era a bola e as suas companheiras a correrem no meio.

Ela levantou a cabeça. Viu a Joana a entrar na área, pronta para receber. Viu também a Marta, mais atrás, à espera de um passe. Lila escolheu cruzar baixo, forte, como uma mensagem direta. A bola passou, mas uma defesa cortou no último instante.

“Boa tentativa!”, gritou alguém. Foi a própria Joana, sem drama, apenas encorajamento.

O jogo continuou, com pequenas vitórias: um corte limpo, um passe certo, uma ajuda na marcação. Lila correu para trás para recuperar uma bola e sentiu orgulho. Muita gente acha que uma extrema só ataca. Mas no futebol profissional, todos ajudam em tudo. É como arrumar um quarto: não basta fazer a cama; também é preciso apanhar as meias do chão.

Num lance, uma colega caiu, mas levantou-se logo. A árbitra deixou seguir porque não foi falta. Lila aproximou-se e, enquanto corriam, fez um sinal com o polegar. A colega respondeu com um sorriso rápido. Tudo bem. O jogo não precisava de drama. Precisava de coragem.

Pouco antes do intervalo, Lila voltou a receber na ala. Outra vez duas defensoras. Desta vez, ela fez algo diferente: deu um toque longo, passou por fora e correu como se tivesse molas nos pés. A bola ia sempre à frente, mas perto o suficiente para ela mandar.

A defensora tentou acompanhar e acabou por tocar na bola para fora. Canto. Corner para a equipa de Lila.

Lila pegou na bola com cuidado, como se fosse um objeto precioso. Porque era. E porque, para ela, nada era “só uma bola”. A bola era um companheiro de trabalho.

Enquanto caminhava até ao canto, ela pensou: um canto é uma oportunidade. Não precisa ser perfeito. Precisa ser bem pensado, com calma e respeito.

Ela colocou a bola no arco branco. Olhou para a área. Viu as colegas a posicionarem-se: uma no primeiro poste, outra ao meio, outra mais atrás. O senhor Rui fez um gesto simples com a mão: “Capricha, mas sem pressa.”

Lila respirou. Sentiu o estádio prender o ar por um segundo. Ela bateu no canto com o pé direito, com curva suave, como se desenhasse um arco no céu.

A bola subiu e rodou. Parecia uma pequena lua a fazer uma volta bonita. Caiu na área, perto da Marta, que saltou e cabeceou. A bola foi à baliza, mas a guarda-redes defendeu com as duas mãos e segurou.

Não foi golo. E, mesmo assim, a equipa bateu palmas umas às outras. Porque foi uma jogada limpa, bonita e feita em conjunto. E porque, no futebol, nem tudo se mede em golos. Mede-se em esforço, em ideias, em partilha.

No intervalo, no balneário, beberam água e respiraram. Lila não deixou a garrafa cair no chão. Fechou-a bem e guardou. Pequenos cuidados que somam.

O senhor Rui disse que estavam a jogar bem e pediu apenas mais um pouco de paciência. Lila ouviu e sentiu o coração acalmar, como um tambor a encontrar o ritmo certo.

No segundo tempo, o jogo ficou ainda mais aberto. Lila driblou mais uma vez, mas também passou mais. Fez um cruzamento alto, recuperou uma bola perdida, ajudou na defesa. A equipa marcou um golo numa jogada de passe rápido. Lila não foi quem chutou, mas foi quem puxou a marcação para a ala e abriu espaço no meio. Quando a bola entrou, ela correu para abraçar as colegas como se abraçasse uma família inteira.

Nos minutos finais, a outra equipa tentou empatar. Lila correu, mas sem pressa nervosa. Correu com cabeça. O apito final chegou como uma porta que se fecha devagar, sem bater.

Ganharam por um golo. A equipa adversária cumprimentou com fair-play. Lila apertou mãos, disse “bom jogo” e recebeu o mesmo. Era importante. O futebol era competição, sim, mas também era respeito. Ninguém precisava humilhar ninguém para ser forte.

Capítulo 4: Uma noite com relva no coração

Depois do jogo, Lila voltou ao balneário com as pernas cansadas e a alma leve. Tomou banho, vestiu roupa confortável e ajudou a recolher garrafas e embalagens para os lugares certos. A Joana perguntou onde se colocava uma caixa de sumo.

“Aqui, para reciclar”, disse Lila, num tom simples, como se fosse a coisa mais normal do mundo. E era.

No autocarro, o barulho era de alegria baixa, não de confusão. Algumas dormiam encostadas ao vidro. Outras conversavam em sussurros. Lila olhou para as próprias mãos. Ainda sentia nelas o toque da bola no canto, a curva perfeita que quase virou golo.

Ela pensou no seu trabalho. Ser jogadora profissional era treinar muitos dias, cuidar do corpo, respeitar horários, aprender a ganhar e a perder. Era ouvir o treinador, ouvir a equipa, ouvir o próprio coração. Era também ser exemplo, sem precisar ser perfeita.

Ao chegar a casa, Lila tirou as chuteiras e bateu nelas com leveza para cair a terra. Guardou-as no lugar. Pegou no equipamento suado e colocou para lavar, sem gastar água à toa: máquina cheia, dose certa de sabão, nada de exageros. Enquanto isso, comeu o resto do pãozinho com um pouco de queijo. Não havia razão para deitar fora o que ainda alimentava.

Depois, abriu a janela do quarto. A noite estava fresca. O céu parecia um campo escuro com estrelas a fazerem de luzes do estádio, só que bem mais silenciosas.

Lila deitou-se na cama e puxou o lençol até ao peito. Sentiu o corpo pesado, mas num peso bom, de missão cumprida.

Pensou no jogo como quem folheia um álbum de imagens: o drible que abriu caminho, o passe curto que ajudou, o canto bem batido, os abraços, os apertos de mão no fim. Pensou também nos gestos pequenos, como reciclar, usar bem as coisas, não desperdiçar água. Tudo fazia parte do mesmo treino: o treino de ser alguém cuidadoso, com o mundo e com os outros.

Lá fora, um carro passou longe, como um sussurro. Dentro, o quarto era um ninho.

Lila fechou os olhos e imaginou o relvado outra vez. Agora, porém, o campo estava vazio e tranquilo. A bola descansava no centro, como se também estivesse a dormir. O vento fazia uma última volta pelas linhas brancas, arrumando o silêncio no lugar certo.

E, com um sorriso calmo, Lila adormeceu num profundo sossego, como se o coração fosse uma bola macia a rolar devagar, devagar, até parar.

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Profissional
Pessoa que faz um trabalho com treino e responsabilidade, como um jogador que treina sempre.
Extrema
Jogadora que corre pela linha do campo e ajuda a atacar pela lateral.
Relvado
O campo coberto de relva onde se joga futebol.
Prancheta
Uma tábua plana com papel que o treinador usa para explicar jogadas.
Reutilizável
Algo que se pode usar outra vez, sem deitar fora logo.
Reciclagem
Separar lixo para transformar e usar de novo, como plástico e papel.
árbitra
A pessoa que faz cumprir as regras durante o jogo de futebol.
Corner
Lance de canto; quando a bola sai pelo lado da defesa e se bate do canto.
Capitã
A jogadora que lidera a equipa e ajuda as colegas dentro do campo.
Alongamentos
Exercícios feitos antes e depois do jogo para esticar os músculos.
Marcação
Ato de vigiar um jogador adversário para evitar que receba a bola fácil.
Autocarro
Veículo grande que leva a equipa do treino ao estádio e volta para casa.

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