Parte 1
A Inês tinha 3 anos e um laço dourado no cabelo. Era a noite do Ano Novo. A sala cheirava a bolo e a laranjas. Havia luzinhas a piscar, pisca, pisca, como estrelinhas pequenas.
“Hoje vamos fazer um karaoké dos desejos!”, disse a Inês, a bater palminhas.
O papá trouxe o telemóvel e uma caixinha de som. A mamã pôs um tapete macio no chão. A avó trouxe chapéus brilhantes. Até o gato Mimo veio, com passos lentos, como se também quisesse cantar.
A Inês apontou para uma folha com desenhos. Havia um microfone pintado e muitos corações.
“Cada um canta uma frase. Só uma. E é um desejo bom”, explicou ela. “Um desejo que faz bem.”
Parte 2
A Inês segurou um microfone de brincar. Era vermelho e parecia uma maçã.
“Eu começo!”, disse ela. E cantou, bem devagar:
“Quero abraços quentinhos, todo o ano!”
Todos sorriram.
A mamã pegou no microfone. “Posso?”
“Sim!”, disse a Inês.
A mamã cantou:
“Quero paciência e sorrisos, todos os dias.”
O papá cantou:
“Quero brincar mais contigo, Inês.”
A Inês riu. “Mais, mais!”
A avó cantou com voz suave:
“Quero saúde e chá quentinho para todos.”
O avô, com um chapéu torto, cantou:
“Quero contar histórias e ouvir gargalhadas.”
A Inês olhou para o gato. “Mimo, tu também!”
O papá fez uma voz engraçada de gato:
“Quero sol na janela e leite na tigela.”
A Inês deu uma gargalhada redonda. A sala parecia ainda mais dourada.
Depois, a Inês teve uma ideia. Pegou em estrelinhas de papel e começou a entregar uma a cada um.
“É a estrela do teu desejo”, disse ela. “Guarda no bolso.”
De repente, uma estrelinha caiu mesmo em cima da caixinha de som. E… a luz ficou mais brilhante, só um bocadinho, como magia pequenina. Ninguém ficou com medo. A Inês disse:
“É o Ano Novo a dizer olá.”
Parte 3
Faltavam poucos minutos para a meia-noite. Todos sentaram juntos. A Inês ficou no colo da mamã. O papá contou: “Dez… nove… oito…”
A Inês juntou a sua voz:
“Três… dois… um!”
“Feliz Ano Novo!”, cantaram todos.
Houve palmas, beijos e confete a cair, plim, plim, plim. A Inês cantou outra vez, só para fechar o karaoké:
“Que o meu desejo abrace o teu desejo!”
A mamã apertou a Inês. “Que bonito. És muito querida.”
A avó disse: “Quando desejamos coisas boas para os outros, o coração fica grande.”
A Inês bocejou. O Mimo encostou-se aos seus pés. As luzinhas continuaram a piscar, calmas, como um céu dentro da sala.
“Mais um desejo?”, sussurrou o papá.
A Inês, quase a dormir, murmurou:
“Que amanhã seja alegre… e com panquecas.”
E assim, com risos baixinhos e um calor bom, o novo ano começou.