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Conto do Japão 5 a 6 anos Leitura 5 min.

Hanako e o segredo das sombras que sorriem

Hanako, uma moradora do vale, parte numa jornada para proteger as histórias da aldeia ao enfrentar uma sombra que ameaça apagar o riso do povo; com a ajuda de uma raposa branca, ela tenta ouvir e lidar com essa presença misteriosa.

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Hanako, mulher sentada à beira de um pequeno lago ao crepúsculo, rosto sereno e benevolente, cabelo preto preso, kimono azul índigo com motivos de bambu, mãos abertas como se contasse uma história; uma raposa branca de pelo lustroso e olhos cor de pérola, agachada à direita de Hanako, olhar malicioso e protetor; uma sombra transformada, silhueta suave semi-transparente cinza-azulada flutuando entre Hanako e as crianças; uma menina de ~7 anos, cabelo curto preto, vestido vermelho, sentada à frente de Hanako com olhos maravilhados; um menino de ~6 anos, boné verde e camiseta amarela, sentado ao lado da menina, boca entreaberta de espanto; um velho de ~70 anos com kimono marrom e barba grisalha curta, sentado numa pedra à esquerda do grupo, sorrindo; uma senhora de ~68 anos com coque e kimono em tons pastéis, sentada ao lado do velho segurando uma lanterna de papel; local: clareira num vale com lago calmo refletindo lanternas de papel rosas e amarelas, bambuzais, trilha de pedras com musgo, montanhas azuis ao fundo e vagalumes como pequenas luzes; cena: Hanako conta uma lenda no centro de um círculo de aldeões feitos de tijolos LEGO, lanternas acesas ao redor, raposa e sombra escutam; atmosfera suave, calor das lanternas contrastando com os tons frios do crepúsculo, ligeiramente mágica. reportar um problema com esta imagem

Parte 1: O Sussurro das Montanhas

No coração de um vale escondido, onde o verão era uma tapeçaria dourada e as cigarras cantavam como pequenos sinos de vento, vivia Hanako. Hanako era uma mulher de passos leves e olhos atentos, que caminhava todas as manhãs entre o bambuzal, sentindo o cheiro doce do chá verde no ar. Seu cabelo negro, longo como a noite, dançava atrás dela como uma fita.

Hanako adorava ouvir as histórias da aldeia, contadas pelos avós sentados nas varandas, enquanto o sol brincava de esconde-esconde entre as folhas. Ela sonhava em levar as palavras e memórias do seu povo além das montanhas, como uma folha levada pela correnteza do rio.

Certa noite, durante o Festival das Luciolas, Hanako sentou-se junto ao lago. As pequenas luzes flutuavam como estrelas caídas, e o vento sussurrava segredos antigos. De repente, entre as sombras, uma figura apareceu: era uma raposa branca, com olhos brilhantes como pérolas.

— Hanako — disse a raposa, com uma voz suave como o som da chuva —, o equilíbrio deste vale depende das histórias que guardas no coração. Mas uma sombra cresceu atrás das montanhas. Ela quer apagar o riso da aldeia.

Hanako sentiu um frio na barriga, mas sua vontade era firme como o tronco do carvalho. Ela sabia que precisava proteger as histórias e a alegria do seu povo.

Parte 2: A Sombra e o Riso Escondido

No dia seguinte, Hanako caminhou pela trilha de pedra que subia a montanha. O céu era azul como a seda, mas uma nuvem escura espreitava ao longe. Enquanto subia, sentiu um vento gelado, e as árvores começaram a murmurar: “Cuidado, Hanako, a sombra está acordada.”

Ela não tinha medo, pois sabia que o equilíbrio nascia do cuidado e do respeito. No topo da montanha, encontrou uma pedra antiga, coberta de musgo, e, atrás dela, a sombra rebelde se escondia, enrolada como um gato assustado.

A sombra falou, com uma voz triste:

— Estou cansada de ficar sozinha. Quero ser vista e ouvida, mas todos têm medo de mim.

Hanako olhou para a sombra, seus olhos refletindo compaixão. Ela se lembrou das histórias que aprendera na infância: até a noite precisa da luz das estrelas para não se perder.

— Toda sombra tem um lugar, assim como toda luz — disse Hanako, sentando-se ao lado dela. — Que tal ouvirmos uma história juntos? Assim, ninguém fica sozinho.

A sombra, surpresa, aceitou o convite. Hanako contou lendas antigas, de dragões que ensinavam coragem e de aves que traziam esperança. Aos poucos, a sombra foi clareando, tornando-se uma brisa suave, como se a tristeza deixasse espaço para o riso.

Parte 3: O Retorno das Estrelas

Quando Hanako desceu da montanha, a noite já caía, e as luciolas voltavam a enfeitar o vale. Desta vez, entre as luzes, dançava uma pequena sombra alegre, misturada ao brilho. Era a sombra transformada, que agora sabia sorrir.

Hanako reuniu as crianças e os velhos na praça da aldeia. Sentaram-se em círculo, de mãos dadas, e Hanako começou a contar: “Era uma vez uma sombra e uma luz que aprenderam a caminhar juntas...” Todos escutavam, os olhos brilhando como lanternas de papel.

O vento soprou suave, trazendo consigo sons de risos antigos e novos. A raposa branca apareceu mais uma vez, acenando com o rabo.

— Hanako, encontraste o equilíbrio. A aldeia está segura, pois a harmonia vive onde a luz respeita a sombra, e a sombra aprende a dançar com a luz.

No fim daquela noite, Hanako olhou o céu e viu que as estrelas, felizes, brincavam entre as nuvens. Ela compreendeu que todas as histórias, mesmo as tristes, têm um lugar no coração. E, quando caminhavam juntas, luz e sombra pintavam o mundo com as cores da paz e do carinho.

Assim, a aldeia floresceu, guardando o segredo: o equilíbrio nasce quando escutamos até o silêncio, e acolhemos todos os sorrisos, até os escondidos.

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Vale
Lugar entre montanhas onde há casas e campos.
Tapeçaria dourada
Imagem ou tecido que parece cheio de cores amarelas e brilhantes.
Cigarras
Insetos que fazem barulho alto no verão com suas asas.
Varandas
Parte da casa aberta, com chão e às vezes uma cerca baixa.
Festival das Luciolas
Festa em que soltam pequenas luzes que parecem vaga-lumes.
Lago
Água parada, maior que uma poça, onde os peixes nadam.
Equilíbrio
Quando tudo está em paz e bem ajustado, sem cair.
Trilha de pedra
Caminho formado por pedras para subir ou andar na montanha.
Musgo
Planta verdinha e macia que cresce sobre pedras e troncos.
Sombra
Parte escura feita quando a luz não pode passar.

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