Capítulo 1: Um Susto Superpoderoso
Era uma vez uma menina chamada Matilde. Matilde não era uma menina qualquer: ela era uma super-heroína! Só que ninguém sabia disso, nem mesmo o seu gato, o Senhor Bigodes. De dia, Matilde era uma estudante como outra qualquer, mas à noite, ela se transformava na incrível Super-Matilduxa!
Mas havia um pequeno problema. Os poderes de Matilde eram… um pouco esquisitos. Ela podia voar, mas só quando espirrava. Ela ficava invisível, mas só quando tinha soluços. E sua superforça só funcionava quando ria tanto que não conseguia parar.
Certa manhã, Matilde acordou com uma sensação estranha. Olhou no espelho e percebeu algo novo: havia um pequeno brilho azul piscando em sua testa!
— Ai, o que será isto? — perguntou, esticando a cara para o espelho, enquanto o Senhor Bigodes miava, curioso.
Matilde tentou ignorar, mas, ao chegar à escola, percebeu que cada vez que ficava nervosa, sua voz saía em eco, como se estivesse falando dentro de um balde.
— Bom dia, professora! — disse Matilde.
— Bom dia, Matilde! — respondeu a professora, tentando não rir do eco engraçado.
E assim começou o dia mais estranho da vida da Super-Matilduxa.
Capítulo 2: Superpoderes Fora de Controle
Durante o recreio, Matilde tentava se misturar com os colegas, mas sentia o brilho azul na testa piscando cada vez que alguém falava seu nome. De repente, seu amigo João se aproximou.
— Matilde, quer jogar futebol?
No mesmo instante, ela soltou um espirro tão forte que voou três metros para trás, aterrissando no meio do campo.
— Uau! — exclamou João. — Como você fez isso?
— Eu… treinei ginástica — improvisou Matilde, tentando sair do chão com dignidade.
Mas o pior estava por vir. Na aula de ciências, enquanto a professora explicava os planetas, Matilde sentiu vontade de rir quando ouviu o nome “Urano”. Ela tentou segurar, mas, quando percebeu, ria tanto que sentiu sua superforça ativar. Sem querer, ela quebrou o lápis em dois, esmagou a borracha e amassou o caderno.
— O que está acontecendo comigo? — sussurrou para si mesma.
O Senhor Bigodes, que tinha se escondido na mochila de Matilde, ergueu a cabeça e olhou para ela como se dissesse: “Você está mesmo em apuros, Matilde!”
Capítulo 3: Missão Abobrinha
Enquanto caminhava para casa, Matilde ouviu um barulho vindo do parque. Correu para espiar e viu um grupo de pombos travessos roubando as batatas fritas das pessoas. Os pombos estavam organizados como um exército minúsculo, liderados por um pombo gorducho chamado General Penas.
Matilde sabia que era hora de agir. Colocou sua capa (que estava sempre dobrada no fundo da mochila), e, com um espirro, ela voou para cima do parque. Só que, no meio do voo, ficou invisível, porque começou a soluçar de tanto rir dos pombos marchando.
— Oh não, estou voando invisível e soluçando! — Matilde tentou se controlar, mas, quanto mais tentava, mais engraçado achava a situação.
No meio da confusão, ela caiu bem no centro dos pombos, ainda invisível. Os pombos ficaram assustados, voando em círculos, sem entender nada.
— Soldados, mantenham a calma! — gritou General Penas. — É só o vento!
Matilde aproveitou que estava invisível para recolher todas as batatas fritas roubadas e devolver para as pessoas. Mas, quando tentou falar, seu eco voltou.
— Batatas devolvidas! — ecoou, assustando ainda mais os pombos.
No final, os pombos fugiram para as árvores, e Matilde ficou orgulhosa… até perceber que estava cheia de penas grudadas na roupa.
Capítulo 4: O Dia em Que Tudo Deu Errado (Ou Certo?)
No dia seguinte, Matilde acordou determinada a controlar seus poderes. Decidiu fazer um plano: sempre que sentisse vontade de rir, iria pensar em matemática (o que nunca a fazia rir). Se tivesse vontade de espirrar, respiraria fundo e pensaria em sopa de abóbora (que achava horrível).
Mas nada funcionou. No caminho para a escola, encontrou Dona Brígida, a vizinha, que estava tentando tirar um gato de uma árvore.
— Precisa de ajuda, Dona Brígida? — perguntou Matilde.
— Oh, sim, querida! — respondeu a senhora aflita.
Matilde espirrou, voou até o galho, pegou o gato, mas, ao descer, começou a soluçar e ficou invisível. Dona Brígida olhou para cima, viu o gato descendo sozinho e saiu correndo, gritando que era um milagre.
No portão da escola, Matilde riu tanto da situação que abriu a porta de ferro com sua superforça, deixando todos os alunos de boca aberta.
— Uau, Matilde, você é mesmo estranha hoje — disse Teresa, sua melhor amiga.
— Estranha, não. Original! — respondeu Matilde, piscando para o Senhor Bigodes, que também parecia ter achado graça.
Capítulo 5: O Concurso de Talentos e o Super-Fiasco
Naquela semana, ia haver um concurso de talentos na escola. Todos estavam ansiosos. Matilde queria participar, mas tinha medo dos seus poderes darem errado. Teresa insistiu:
— Vai ser divertido! Mostra o teu número de mágica!
Matilde suspirou. Se aceitasse, poderia virar piada. Mas, ao mesmo tempo, e se fosse divertida de propósito?
No dia do concurso, Matilde subiu ao palco com uma cartola, o Senhor Bigodes e um lenço colorido. Começou bem, mas, de repente, sentiu uma cócega no nariz… espirrou e voou para cima do palco! Todos começaram a rir.
Quando caiu sentada, o lenço colorido escapou da mão e foi parar na cabeça do diretor. O público gargalhava. Nisso, Matilde ficou tão nervosa que começou a soluçar, ficando invisível. Teresa, que estava nos bastidores, começou a falar ao microfone fingindo ser Matilde:
— Agora vou desaparecer! — dizia Teresa, enquanto a plateia ria ainda mais.
Matilde então tentou controlar o riso, mas não conseguiu. Começou a rir tanto que o palco tremeu e a cortina caiu, derrubando confetes para todo lado.
No fim, todos pensaram que era um espetáculo de magia e humor!
Capítulo 6: A Super-Matilduxa e o Poder de Ser Diferente
Depois do concurso, Matilde ficou famosa na escola. Todos queriam saber como ela fazia aqueles truques tão engraçados. Teresa contou para todos que era “um segredo de família”, e Matilde agradeceu com um sorriso.
No caminho para casa, Senhor Bigodes ronronava satisfeito no colo de Matilde.
— Acho que, no fundo, os meus poderes são mesmo especiais — disse Matilde, olhando para o céu azul. — E talvez ser diferente seja a melhor parte de ser eu mesma.
No jantar, Matilde contou à mãe que tinha participado do concurso de talentos.
— E como foi? — perguntou a mãe, sorridente.
— Foi… superdivertido! — respondeu Matilde, piscando.
Naquela noite, antes de dormir, Matilde olhou para o espelho. O brilho azul em sua testa piscava, mas agora ela não se importava. Afinal, era a Super-Matilduxa, a heroína mais engraçada, desastrada e corajosa da cidade.
E, se amanhã ela espirrasse e voasse para o teto na aula de matemática, tudo bem. Porque, no fundo, ser super-herói é saber rir de si mesmo e nunca deixar de ajudar, mesmo quando tudo parece um grande disparate.
O Senhor Bigodes pulou para a cama, se enroscou ao lado dela, e os dois adormeceram, prontos para mais um dia de aventuras malucas e superpoderes fora de controle.