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História engraçada do reino encantado 5 a 6 anos Leitura 9 min.

A princesa Carlota e o bolo que queria fugir

A princesa Carlota, famosa por ser desarrumada, perde as suas sapatilhas no dia da Festa do Bolo Real e, com a elfa Pipoca, parte numa aventura por ateliers mágicos e uma cozinha travessa à procura do calçado e do bolo.

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A princesa Carlota (menina) sorri maliciosamente, olhos risonhos, cabelo loiro encaracolado, vestido rosa amarrotado e sapatinhos cor-de-rosa cheios de açúcar, corre segurando um bolo que se mexe; a elfa Pipoca (menina, cerca de 8 anos) com tranças e elásticos coloridos, colete verde, pula atrás da princesa atirando confete; a fada Rosarosa (mulher adulta) de cabelo cor de marshmallow e avental de bolinhas observa aliviada do balcão segurando uma espátula; o bolo fugitivo tem patinhas de biscoito e rosto alegre, agita-se deixando um rastro de açúcar rosa; a cozinha da fada é viva e bagunçada: grandes potes de vidro com glitter, tigelas de chantilly transbordando, prateleiras de madeira pintada, cortina de cupcakes e respingos de cor no balcão; a cena principal mostra uma perseguição cômica e acolhedora ao redor de um grande forno, estalos de cor, migalhas e nuvens de açúcar, atmosfera alegre e dinâmica; estilo suave, traços a lápis de cor, paleta pastel vívida, texturas de papel visíveis e hachuras delicadas. reportar um problema com esta imagem

Era uma vez uma princesa chamada Carlota, que vivia no Reino dos Sorrisos Saltitantes. O Reino era famoso pelas suas árvores que cresciam em espiral, lagos de gelatina e duendes que faziam cócegas nos narizes das borboletas. Mas Carlota era conhecida por outra coisa: nunca, mas nunca, conseguia manter o seu quarto arrumado. Até as aranhas se perdiam no meio das suas meias e fitas!

Certa manhã de sol brilhante, Carlota acordou com um grande problema: era o dia da Festa do Bolo de Aniversário Real, e ela tinha prometido buscar o bolo mais delicioso do reino, feito pela fada confeiteira Rosarosa. O problema era que… Carlota não conseguia encontrar as suas sapatilhas! Procurou debaixo da cama (onde encontrou um sapo a jogar cartas com uma meia), dentro do armário (onde encontrou um esquilo a dormir numa luva), e até debaixo do tapete (onde encontrou um misterioso botão que nunca tinha visto antes).

— Onde estarão as minhas sapatilhas cor-de-rosa? — suspirou Carlota, afundando-se nas almofadas.

Justamente nesse instante, a sua melhor amiga, a elfa Pipoca, entrou a saltitar pela janela.

— Princesa! Está tudo bem? O bolo está quase pronto e tu não podes faltar! — exclamou Pipoca, balançando as suas tranças cheias de molas coloridas.

Carlota fez uma careta engraçada e mostrou os pés descalços.

— Pipoca, perdi as minhas sapatilhas e sem elas não posso ir buscar o bolo! E agora?

Pipoca riu-se e fez uma pirueta.

— Ora, vamos procurar juntas! Se encontramos o chapéu voador do avô, encontramos sapatilhas, de certeza!

Dançando e tropeçando, as duas amigas vasculharam o quarto. De repente, ouviram um pequeno “tlim-tlim” vindo do misterioso botão debaixo do tapete.

Carlota, curiosa como só ela, carregou no botão. Subitamente, o chão abriu-se devagarinho, como um sorriso, e apareceu uma rampa mágica com luzinhas a piscar, que descia até um lugar que parecia feito de arco-íris.

— Uau! — exclamaram as duas, com os olhos muito abertos.

Lado a lado, deslizaram pela rampa, rindo-se tanto que quase se esqueceram do bolo. No final da descida, encontraram-se dentro do mais fantástico sítio do reino: o Atelier de Varinhas do senhor Trapalhão.

O Atelier de Varinhas Trapalhão

O senhor Trapalhão era um duende muito simpático, com bigode aos caracóis e óculos sempre tortos. O seu atelier era uma mistura de caixas cheias de penas dançarinas, frascos de purpurinas que espirravam sozinhas, e varinhas de todos os tamanhos e feitios que, vez por outra, faziam cócegas a quem passava.

— Olá, senhoras pequenas! — disse o duende, tentando equilibrar três varinhas no nariz. — Bem-vindas ao meu atelier! Quem procura, encontra… e quem se perde, diverte-se!

Carlota olhou à volta, maravilhada.

— Estamos à procura das minhas sapatilhas cor-de-rosa. E também do bolo de aniversário, mas primeiro as sapatilhas, se faz favor — explicou, cheia de esperança.

O senhor Trapalhão coçou a cabeça, fazendo saltar uma nuvem de confetis.

— Hum… talvez uma varinha especial possa ajudar! Mas cuidado, porque estas varinhas são muito traquinas — avisou ele, piscando o olho.

Pipoca ficou logo entusiasmada.

— Podemos experimentar? Por favor, por favor?

O duende tirou do bolso uma varinha em forma de banana e entregou-a a Carlota.

— Diga a palavra mágica! — instruiu.

Carlota pensou, pensou, até que lembrou-se de uma palavra engraçada:

— Trambolhices!

A varinha brilhou, brilhou… e PUFF! Apareceu uma nuvem de balões coloridos que levantaram a saia de Carlota, fazendo-a rir às gargalhadas. Mas nada de sapatilhas.

Pipoca pegou noutra varinha em forma de escova de dentes e gritou:

— Pipocada!

Desta vez, saiu uma chuva de pipocas quentinhas, que começaram a saltitar pelo chão. O senhor Trapalhão apanhou uma e provou, sorrindo.

— Não faz mal! — disse ele, limpando as migalhas. — Continuem a tentar! Às vezes, para encontrar o que se procura, é preciso procurar outra coisa primeiro.

Carlota pensou nas palavras do duende. Talvez, só talvez, o bolo fosse mais importante do que as sapatilhas perfeitas.

O Bolo Fugitivo

— Pipoca, vamos buscar o bolo agora! — decidiu Carlota. — Depois logo vemos as sapatilhas.

As duas amigas agradeceram ao senhor Trapalhão, que lhes desejou boa sorte e lhes ofereceu uma varinha em forma de colher de pau, “caso precisassem de reviravoltas”.

Elas seguiram o caminho dos cheiros doces até à cozinha da fada Rosarosa, onde encontraram a fada, de cabelo cor-de-marshmallow, em pânico.

— Ai, minhas queridas! — gemeu Rosarosa. — O bolo está quase pronto, mas… vejam só! Uma fatia já desapareceu! Acho que o Bolo Real está a fugir!

Carlota e Pipoca espreitaram para o tabuleiro: lá estava o bolo, a tremer de cócegas, com as perninhas de biscoito a mexer-se apressadas. Quando viu as meninas, o bolo começou a correr em círculos, deixando um rasto de açúcar!

— Oh não! O Bolo Real vai fugir para sempre! — gritou Rosarosa, agarrando-se ao avental.

— Não se preocupe, eu trato disto! — disse Carlota, determinada, pegando na varinha em forma de colher de pau.

A princesa correu atrás do bolo, tropeçando nos farelos, nas pernas e nas próprias palavras:

— Bolo, volta cá! O teu lugar é na festa, não a fugir pela cozinha!

O bolo saltou para cima de um armário, depois para dentro de uma tigela de chantilly, e quase escapava pela janela, quando Pipoca teve uma ideia brilhante:

— Carlota, pede desculpa ao bolo! Às vezes, ele só precisa de um bocadinho de atenção!

Carlota parou, respirou fundo e falou com voz macia:

— Bolinho, desculpa se te assustei. Não queria que fugisses. Eu só queria partilhar-te com toda a gente, para fazermos uma festa cheia de sorrisos. Por favor, volta para o tabuleiro?

O bolo parou no ar (como se estivesse a pensar), depois desceu devagarinho, rebolando para junto de Carlota. Com ternura, ela pegou nele e colocou-o de novo no tabuleiro.

Rosarosa ficou tão aliviada que até lançou uma chuva de açúcar cor-de-rosa pelo teto.

— Muito obrigada, minha princesa! — agradeceu, abraçando Carlota. — Salvaste o dia!

Carlota sorriu, orgulhosa, mas de repente olhou para baixo… e viu, ao lado do tabuleiro, as suas sapatilhas cor-de-rosa, cheias de açúcar!

— Olha! As sapatilhas estavam aqui o tempo todo! — exclamou Pipoca, batendo palmas e dando pulos de alegria.

Carlota calçou as sapatilhas sujas de açúcar, mas não se importou. Afinal, eram sapatilhas superdoces!

Final Feliz e Talkie Real

Com bolo e sapatilhas, Carlota, Pipoca e Rosarosa puseram-se a caminho do castelo, onde toda a corte esperava ansiosamente.

No salão principal, os reis, duendes, fadas e até as aranhas amigas esperavam, cheios de fome e de curiosidade. Carlota entrou, com um sorriso rasgado, segurando o bolo (bem apertado) e com Pipoca a seu lado.

A festa foi um sucesso: todos provaram o bolo e riram-se das aventuras da princesa despistada. Enquanto todos se lambuzavam, um aviso piscou no grande talkie real (o aparelho mágico de recados do reino).

— Mensagem nova! — anunciou o aparelho, com uma voz divertida.

Era do senhor Trapalhão, a dizer: “Parabéns, princesa Carlota! Lembra-te, até as grandes heroínas perdem as sapatilhas às vezes. O importante é nunca perder a vontade de rir… nem a humildade!”

Carlota corou, mas riu-se. Afinal, ninguém é perfeito, e até as princesas mais desarrumadas podem salvar um bolo… e uma festa!

No fim, todos aplaudiram e, naquela noite, Carlota adormeceu contente, com as sapatilhas a seus pés e um sorriso de chantilly no rosto. No Reino dos Sorrisos Saltitantes, a bagunça era sempre bem-vinda, e a humildade fazia magia verdadeira.

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Espiral
Forma que enrola como uma mola ou caracol.
Gelatina
Doce macio e brilhante que balança quando se mexe.
Confeiteira
Pessoa que faz bolos, doces e enfeites com açúcar.
Armário
Móvel com portas onde se guarda roupa e coisas.
Misterioso
Algo que parece estranho e que dá vontade de descobrir.
Varinha
Objeto fino usado em histórias para fazer magia.
Confetis
Pequenos pedaços coloridos de papel para festas.
Purpurinas
Pó brilhante que faz as coisas piscarem.
Chantilly
Creme fofo e doce que se põe por cima dos bolos.
Avental
Peça de tecido que se põe para não sujar a roupa.
Ternura
Sentimento suave e amoroso, com carinho e cuidado.
Humildade
Saber que ninguém é melhor do que os outros.
Rastro
Marca que fica no chão quando algo passa.
Farelos
Pedaços muito pequenos de pão ou bolos.
Migalhas
Partes pequeninas de comida que caem no prato.
Traquinas
Que gosta de brincar muito e fazer pequenas travessuras.

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