O Tom tem 4 anos. Ele vai para a cama com o seu urso, o Nuno. A luz é mansa. O quarto é um ninho.
Tom olha a janela. Lá fora, a lua é uma bola de leite no céu.
Tom diz: «Lua, para que tu vens?»
A lua brilha, bem quieta. Parece que sorri.
Tom pega um copo com água. A água faz “plim”. Tom ri baixo. Ele diz: «A água gosta de cair. E eu gosto de ouvir.»
O urso Nuno diz: «Eu gosto de ficar no teu colo.»
Tom faz uma festa no urso. Ele pensa um pouco. Ele pergunta: «E eu, para que eu sou?»
O vento entra de leve. Ele mexe a cortina, como uma mão suave. A cortina dança. Tom diz: «O vento dança. Ele não precisa de mais nada.»
Tom ouve o seu “tum-tum” no peito. Ele põe a mão no coração. Ele diz: «O meu coração faz som. Ele trabalha. Ele é pequenino e forte.»
A lua faz um risco de luz no chão. Tom põe o dedo na luz. A luz não fica presa. Tom ri. «A luz é livre», ele diz.
Tom fecha os olhos. Ele sente o urso, a cama, o ar. Ele diz: «Eu sou para sentir. Eu sou para amar. Eu sou para ser bom.»
A lua parece dizer: «Sim, Tom.»
Tom dorme, bem calmo.
Moral: A vida fica doce quando a gente sente, ama e faz o bem.