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Conto de Natal 7 a 8 anos Leitura 12 min.

A menina que ouvia os desejos do Natal

Numa mágica noite de Natal, Luzia decide ouvir os desejos das pessoas no mercado, ajudando a espalhar alegria e luz à medida que descobre o poder de ouvir o coração dos outros. Juntamente com a sua mãe, ela aprende que cada desejo traz consigo um pouco de amor e esperança.

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Uma menina de 8 anos, Luzia, com longos cabelos cacheados e bochechas rosadas, sorri com espanto. Ela usa um casaco amarelo vivo e um cachecol vermelho, segurando um caderno nas mãos, pronta para ouvir os desejos dos transeuntes. Ao seu lado, sua mãe, uma mulher de trinta e poucos anos, com cabelos castanhos e um sorriso caloroso, observa a filha com orgulho, segurando uma bolsa cheia de guloseimas. O mercado de Natal é animado, repleto de barracas coloridas decoradas com luzes, flocos de neve caindo suavemente e o cheiro de castanhas quentes no ar. As luzes brilham como estrelas, e um grande pinheiro de Natal se destaca ao centro, adornado com decorações brilhantes. Luzia se inclina em direção a uma barraca de castanhas, ouvindo atentamente o desejo de um homem idoso, com os olhos brilhando de curiosidade e alegria. A cena transmite uma atmosfera festiva e acolhedora, cheia da magia do Natal, onde cada personagem compartilha um momento de felicidade e escuta. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — A noite doce e o desejo da Luzia

Era uma vez, numa noite de Natal muito suave, em que o céu vestia um casaco de lã azul e a lua parecia uma fatia de pão doce. Neve branca a cair devagar, sinos felizes a tilintar, pinheiro a brilhar, velas a cantar. Tudo sussurrava baixinho, como se o mundo respirasse ao mesmo tempo.

Luzia tinha 8 anos e um coração que escutava como um ouvido de passarinho. Ela gostava de ouvir tudo: o chiado do pão saindo do forno, o riso da água na calçada, até o segredo das luvas quando se abraçam às mãos.

Nessa noite, Luzia puxou com cuidado a manga da mãe e disse:

“Mamã, posso visitar o mercado de Natal? Quero ouvir as pessoas e escrever os seus desejos.”

A mãe sorriu, com olhos de estrela.

“Vamos juntas, minha luz. Levas o teu caderno? E os laços vermelhos?”

“Levo, sim! E levo o lápis que canta baixinho quando escreve.”

Vestiram os casacos, enrolaram os cachecóis, e saíram de mãos dadas. O ar estava macio e cheirava a canela. Luzia, muito séria e feliz, explicou:

“Quero ouvir o mercado. Acho que ele fala. Só precisamos de ficar quietos um bocadinho.”

A mãe riu-se, um riso quentinho, e as duas caminharam devagar, como quem não quer acordar os flocos de neve. Neve branca a cair devagar, sinos felizes a tilintar, pinheiro a brilhar, velas a cantar. A cidade estava cheia de luzes que piscavam como se dissessem “olá” com os olhos.

“Quando chegares, o que vais fazer primeiro?” perguntou a mãe.

“Vou ouvir o grande pinheiro,” disse Luzia. “Ele saberá por onde começo. Os pinheiros têm memória de vento.”

“E o que vais escrever no teu caderno?”

“Desejos dos outros. Porque ouvir é como acender uma vela por dentro.”

A mãe apertou a mão da menina e respondeu:

“Então vamos acender muitas velas de ouvir.”

Capítulo 2 — O mercado que fala

O mercado de Natal ria-se em luzes e cheiros. Havia bancas de castanhas, coroas de azevinho, bonecos de pão e fitas que dançavam sem vento. O grande pinheiro no centro era alto e sereno, com estrelas de papel e sinos pequeninos. Neve branca a cair devagar, sinos felizes a tilintar, pinheiro a brilhar, velas a cantar.

Luzia aproximou-se do pinheiro e sussurrou:

“Olá, amigo. Que devo ouvir primeiro?”

O pinheiro não falou com voz, mas o seu cheiro de floresta disse “segue a brisa das castanhas”.

O senhor das castanhas, de bigode em forma de ponto de interrogação, abanava as mãos perto do braseiro.

“Boa noite, menininha de cachecol amarelo! Queres uma castanha quentinha?”

“Boa noite,” disse Luzia. “Quero ouvir o seu desejo.”

O homem arregalou os olhos, espantado e divertido.

“Meu desejo? Que todos tenham mãos quentes e bolsos cheios de risos!”

Luzia escreveu no caderno e prendeu um laço vermelho numa sacola de papel.

“Obrigada, senhor. O seu desejo cheira a brasa doce.”

Ao lado, a banca das velas tremeluzia. Uma vela pequenina, tímida, piscava como um olho com sono. A senhora das velas suspirou:

“Esta velinha tem vergonha e apaga-se com o sopro da noite.”

Luzia aproximou-se, tapou a chama com as mãos em concha e disse baixinho:

“Coragem, velinha. A noite é macia.” Depois virou o pires um bocadinho, para que a chama ficasse protegida. A vela endireitou-se, contente, e cantou de mansinho: “Luz, luz, luz.”

A senhora sorriu.

“Que ouvidos bons tens!”

“Ouvidos que são mãos,” respondeu Luzia, rindo.

Mais adiante, um rapaz tocava sinos. Só que um sino não tocava. “Tin… tan…”, e depois o silêncio. O rapaz coçou a cabeça.

“Falta um som! Sem ele, a canção não brilha.”

Luzia fechou os olhos e escutou o chão. O mercado tinha voz de pisadas e de histórias. E, de repente, ouviu um “tilim” escondido, como um riso tímido debaixo do banco. Ajoelhou-se, levantou um canto da toalha, e lá estava um sininho, enrolado num fio.

“Encontrei-te,” disse Luzia, com alegria. “Estavas a brincar às escondidas.”

O rapaz prendeu o sino no lugar. “Prontos?”

“Prontos!”

Então os sinos cantaram todos juntos: “Tin-lin-lan! Tin-lin-lan!” Neve branca a cair devagar, sinos felizes a tilintar, pinheiro a brilhar, velas a cantar. O mercado parecia respirar mais fundo, contente.

Luzia anotou no caderno: “Desejo do sino: jamais ficar sozinho.” E prendeu outro laço vermelho, como quem faz um abraço em fita.

Capítulo 3 — Ouvidos para as pessoas e para as coisas

Junto à banca dos laços, uma avó de cachecol azul mexia na bolsa, preocupada.

“Perdi a fita que queria para a minha neta,” disse ela à vendedora. “Era uma fita cor de romã, com bolinhas de neve.”

“Posso ajudar?” perguntou Luzia, educada.

“Podes, sim,” sorriu a avó. “Mas acho que a fita já voou.”

Luzia fechou os olhos e escutou os sussurros das coisas. As fitas sussurram baixinho, “la-la-la”, como se ensaiassem um laço. Ouviu algo cantar debaixo do expositor. Esticou a mão, devagar, e… lá estava a fita cor de romã.

“Ela só se escondeu um bocadinho,” disse Luzia.

“Obrigada, querida,” disse a avó, com olhos a brilhar. “O meu desejo é que a minha neta se sinta amada toda a vida.”

Luzia escreveu e prendeu outro laço ao caderno.

Um menino de gorro verde aproximou-se a correr.

“Alguém viu uma luva desenhada com estrelas? A minha mão esquerda está com ciúmes da direita!”

Luzia riu-se e colocou a mão na boca, a ouvir.

“Xiu… a neve está a dizer ‘psst' junto ao pinheiro.”

Foram até ao pé do tronco. Entre ramos baixos, dormia uma luva estrelada.

“Pronto,” disse Luzia, devolvendo a luva. “As mãos agora podem ser irmãs outra vez.”

“Obrigadão!” O menino saltou, feliz, e os sinos parecem ter rido também.

Lá ao fundo, um gato listrado miava, enrolado numa caixa. “Miau-brrr, que frio!”

Luzia aqueceu as mãos e soprou devagar para o gato, como quem sopra sopa. A mãe tirou do bolso um pedacinho de lã.

“Pode ser a tua mantinha de agora,” disse ela, pousando a lã ao lado do gato.

“Obrigada,” miou o gato, com olhos de lâmpada. Luzia não sabia se ele falou a sério ou se foi o seu coração a traduzir. Mas escreveu no caderno: “Desejo do gato: uma volta no colo e uma janela de sol.”

Enquanto o mercado cantava, Luzia foi pendurando pequenos cartões com os desejos que ouvira num cordel perto do pinheiro. Cada cartão tinha um laço vermelho, cada laço parecia um sorriso. Pessoas paravam para ler, e os olhos delas ficavam quentes, como canecas de chocolate.

A mãe disse baixinho:

“Sabes o que mais gosto no que estás a fazer?”

“O quê, mamã?”

“Gosto de como escutas sem pressa. Quando alguém te fala, até a neve pára para ouvir.”

Luzia corou, como maçã em dezembro.

“É que ouvir é como abrir uma porta sem bater.”

E o mercado, satisfeito, respirou outra vez. Neve branca a cair devagar, sinos felizes a tilintar, pinheiro a brilhar, velas a cantar.

Capítulo 4 — O alpendre iluminado

A noite foi ficando mais macia. As luzes do mercado começaram a piscar menos, como olhos sonolentos a dizer “boa noite”. A senhora das velas bocejou, o senhor das castanhas cantou baixinho uma canção, o rapaz dos sinos guardou com cuidado o sino tímido, que agora confiava na música.

Luzia deu um último abraço com as mãos ao grande pinheiro.

“Obrigada por me mostrares o caminho dos ouvidos.”

O pinheiro respondeu no seu jeito de árvore, balançando devagar. A mãe passou o braço pelos ombros da menina.

“Está na hora, luzinha. O nosso alpendre também gosta de ver-nos chegar.”

No caminho de volta, a neve ia desenhando passos macios. As casas sorriam com janelas acesas. Luzia caminhava em silêncio feliz, o caderno junto ao peito, como quem leva um segredo que é só luz. Neve branca a cair devagar, sinos felizes a tilintar, pinheiro a brilhar, velas a cantar.

“Luzia,” disse a mãe, baixinho, “o que aprendeste esta noite?”

A menina pensou, e as palavras vieram como flocos suaves.

“Aprendi que as coisas falam se a gente escuta. E que as pessoas têm desejos que às vezes são fininhos, como fios de lã. Se a gente escuta, esses desejos ganham luz.”

A mãe beijou-lhe a testa.

“Ouvir é um presente. E tu ofereceste muitos.”

Ao chegarem à rua, viram o alpendre da sua casa iluminado. A luz era quente, cor de mel, e tremia um pouco, como se estivesse a dançar ao som de sinos invisíveis. Havia um pequeno pinheiro em vaso ao lado da porta, com um laço vermelho à espera.

“Queres pendurar mais um cartão?” perguntou a mãe.

Luzia assentiu. Pegou no lápis que cantava baixinho quando escrevia e desenhou um ouvido pequeno dentro de um coração. Depois escreveu, com letras redondas:

“Desejo de Natal: que a nossa casa seja um lugar de ouvir.”

Prendeu o cartão no pinheirinho e ficou a olhar para o alpendre iluminado. A luz parecia abraçar as duas, e a noite, lá fora, continuava doce.

“Ouves?” perguntou a mãe.

Luzia fechou os olhos. Ouviu o silêncio bom, a respiração da casa, um sino ao longe, a neve a pousar como penas, e as velas a cantar baixinho. Ouviu o mundo a dizer “estou aqui”.

“Ouço,” respondeu ela. “E está tudo em paz.”

Entraram devagar, como quem entra num abraço. E, enquanto o alpendre iluminado guardava a porta como um amigo atento, a noite de Natal ficou ainda mais macia, como um cobertor de luz. Neve branca a cair devagar, sinos felizes a tilintar, pinheiro a brilhar, velas a cantar. E o coração, em silêncio, a ouvir.

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Cachecol
Um tipo de roupa que se usa no pescoço para aquecer.
Sereno
Calmo e tranquilo, sem preocupações.
Sussurrar
Falar em voz muito baixa, como um segredinho.
Ciúmes
Sentimento de querer algo que outra pessoa tem.
Enrolado
Quando algo está torcido ou dobrado de maneira que faz um rolo.
Tremeluzia
Brilhar ou piscar de forma instável ou incerta.
Mantinha
Um pequeno cobertor usado para aquecer.
Pousar
Colocar algo suavemente em uma superfície.

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