Parte 1
A Inês tinha 4 anos e uma mochila pequenina. Dentro, levava uma garrafa de água, uma banana e o seu urso de pano, o Bico. Hoje ela ia viajar de comboio para o Porto, com a mãe e o pai. A Inês disse: “Vou ver o rio e as pontes!”
Na estação, tudo parecia novo e bonito. O chão brilhava. As pessoas andavam devagar. O comboio fazia “chu-chu” bem baixinho. A Inês deu a mão à mãe. Sentiu-se segura.
No lugar dela, junto à janela, a Inês viu casas, árvores e campos a passar. “O mundo mexe!”, ela riu. O pai mostrou um mapa pequeno. “Estamos a ir para o Porto. Depois vamos à Ribeira.”
A Inês repetiu, contente: “Porto. Ribeira.” E o Bico parecia ouvir também.
Parte 2
Quando chegaram, o ar cheirava a pão quente. A Inês viu um elétrico amarelo. Viu barcos no Douro. Viu uma ponte grande lá em cima.
Ela e a mãe contaram gaivotas: “Uma, duas, três.” E o pai tirou uma foto.
Perto de uma banca, a Inês encontrou um menino chamado Tomás. Ele tinha 4 anos também e segurava um balão azul. A Inês disse: “Olá.” O Tomás disse: “Olá. Queres ver o meu balão?”
Eles caminharam juntos, devagarinho. A mãe falou: “Vamos provar uma fruta.” A Inês escolheu uvas. O Tomás escolheu maçã. Eles partilharam.
Depois, a Inês quis mandar uma mensagem de voz para a avó: “Avó, estou no Porto! Vejo o rio!” Mas a internet estava lenta. A mensagem ficou a rodar, a rodar.
De repente, começou a chover miudinho. Plim, plim. O pai disse: “Vamos acelerar e entrar no café ali.” Eles correram em passos pequenos, todos juntos. O Tomás correu também.
Dentro do café era quentinho. A Inês tirou o casaco do Bico e secou-lhe a cabeça com o guardanapo. A mãe sorriu: “Boa ajuda.”
Parte 3
A chuva parou depressa. Lá fora, o céu ficou claro outra vez. A Inês olhou o telemóvel. “Oh… a mensagem foi!” Mas já tinha ido tarde. A avó respondeu: “Eu já estava a dormir um bocadinho. Mas agora acordei. Conta-me tudo.”
A Inês riu, aliviada. “Está tudo bem.”
Ela e o Tomás foram até à beira do rio com as famílias. Viram os barcos a balançar. O pai disse: “Quando viajamos, ajudamos uns aos outros. Assim tudo fica mais fácil.”
A Inês deu a mão ao Tomás para descer um degrau. O Tomás segurou o balão e disse: “Obrigado.”
Antes de irem embora, trocaram um desenho num papel. A Inês desenhou uma ponte. O Tomás desenhou um barco.
No comboio de volta, a Inês encostou a cabeça ao ombro da mãe. Sussurrou: “Gostei de descobrir. E gostei do Tomás.”
O Bico ficou no colo dela. A Inês fechou os olhos, tranquila, a pensar no Porto, no rio, e numa amizade que ficou mais forte.