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História de carnaval 11 a 12 anos Leitura 17 min.

A foto perfeita no meio do Carnaval

Lia tenta organizar a foto de grupo perfeita durante o Carnaval e, entre guirlandas apagadas e um dragão que distrai a multidão, reúne amigos para resolver os imprevistos com criatividade.

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Menina de 12 anos, rosto redondo, sardas, cabelo castanho preso em rabo de cavalo, olhar concentrado e sorriso tímido, segurando um celular e posando com gesto amplo; amiga Bia, também ~12 anos, cabelo cacheado, fantasia de pirata com chapéu e pulseiras que tilintam; menino Tomás, ~12 anos, fantasia de robô prateado com articulações quadradas, atrás fazendo sinal de V com os dedos; Sara, ~12 anos, cabelo tingido de azul, jaleco de "cientista travessa", soprando bolhas de sabão luminosas; gêmeos Hugo e Heitor, ~12 anos, fantasias de melancia, emoldurando o grupo com braços abertos; professor Rodrigo, adulto, fantasia de flamingo rosa, no centro em pose teatral; Senhor Manuel, eletricista idoso, pequeno e de bigode, segurando caixa de ferramentas perto de um quadro elétrico sob um arco, sorriso satisfeito; cenário: praça pavimentada com arcadas de pedra, guirlandas de luzes coloridas entre colunas, fonte ao centro, confetes flutuando e um grande dragão de carnaval ao fundo; situação: grupo posando para foto de carnaval sob guirlanda acesa, luzes quentes criando halos dourados, bolhas e confetes brilhantes, composição dinâmica e alegre em estilo cartoon retrô. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — A praça de arcadas e o plano perfeito

O Carnaval tinha tomado conta da praça de arcadas como se alguém tivesse aberto um pote de confetes e deixado o vento fazer o resto. As colunas claras brilhavam com fitas, e entre uma arcada e outra pendiam lanternas de papel que pareciam pequenas luas coloridas.

Lia, 12 anos, atravessou a praça com passos contados. Não porque estivesse cansada — pelo contrário, a bateria fazia as pernas dela quererem saltar —, mas porque Lia era do tipo minucioso. Ela tinha uma missão: tirar uma foto de grupo perfeita, daquelas que ficam coladas no frigorífico durante meses.

Na mochila, ela trazia uma prancheta improvisada com uma folha cheia de quadradinhos. Em cima, escrito com caneta roxa: “Foto do Grupo — Carnaval na Praça — Posição de Cada Um”.

— Lembrar: ninguém com olhos fechados — murmurou ela, como quem recita um feitiço.

A amiga Bia apareceu girando, vestida de pirata com um chapéu enorme e uma pena que fazia cócegas no ar.

— Lia! Tu estás a… organizar o Carnaval? — Bia riu, sacudindo uma pulseira de sinos.

— Estou a organizar a foto. Só a foto. É diferente — respondeu Lia, séria como uma maestrina.

— Então vamos lá, maestrina. Onde é o palco?

Lia apontou para a fonte no centro, onde a água caía como se dançasse. Atrás, as arcadas formavam um fundo perfeito: simétrico, bonito, com luzes penduradas.

— Ali. Às oito em ponto, toda a gente junta. Sem exceções.

Um mascarado passou a correr, com um traje de serpentina que deixava rasto, e gritou:

— O Rei do Momo vai passar! Preparem os aplausos!

Bia piscou um olho.

— Oito em ponto, certo? Só que… no Carnaval, os minutos gostam de fugir.

Lia endireitou os ombros.

— Eu vou apanhá-los.

Capítulo 2 — O primeiro imprevisto: música que desarruma tudo

Lia começou a reunir a turma: o Tomás com máscara de robô, a Sara de cientista maluca (com cabelo espetado em azul), os gémeos Hugo e Heitor vestidos de melancias, e até o professor Rodrigo, que tinha prometido aparecer com um fato discreto — e aparecera de flamingo cor-de-rosa.

— Professor… discreto? — Lia arregalou os olhos.

— Discreto é relativo — disse ele, abanando a asa com dignidade.

À medida que Lia ia colocando cada um no seu “quadradinho” imaginário, a praça aumentava de volume. Um grupo de músicos entrou sob as arcadas: tamborins, cavaquinhos, um surdo que fazia o chão vibrar, e um sopro de trompete que parecia riscar o céu.

O ritmo era tão contagiante que os pés começaram a mexer por conta própria. Até a fonte parecia bater palmas com a água.

— Ninguém dança antes da foto! — Lia levantou a prancheta como se fosse um sinal de trânsito.

— Só um passinho? — implorou Tomás, o robô, já com os joelhos a fazer “clac-clac”.

— Um passinho vira dez — respondeu Lia. — E dez viram… caos.

Bia encostou-se a ela e sussurrou:

— Lia, tu és a única pessoa que usa a palavra “caos” no Carnaval com a cara séria.

Lia tentou manter o foco, mas então aconteceu: um menino pequenino, vestido de foguete, esbarrou numa das tomadas que alimentavam uma guirlanda de luzes pendurada entre duas arcadas. A guirlanda piscou, suspirou, e apagou-se.

— Oh não — disse Lia, instantaneamente alerta. Sem aquela guirlanda, o canto da fonte ficava mais escuro. E foto de grupo, para Lia, era também luz, cor, detalhe.

O menino-foguete arregalou os olhos.

— Eu… eu só queria fazer “fiuuum”.

— Não faz mal — Lia respirou fundo. — Mas precisamos da guirlanda acesa.

O professor flamingo inclinou a cabeça.

— Talvez seja o disjuntor?

— Ou um cabo solto — completou Sara, a cientista, já a procurar “pistas” com uma lupa de brinquedo.

A bateria aumentou. Um carro alegórico aproximava-se ao longe, e a multidão começava a empurrar para ver melhor.

Lia apertou a prancheta contra o peito.

— Se não resolvermos isto agora, a foto vai virar uma sombra com confetes.

Capítulo 3 — Caça às faíscas sob as arcadas

Lia decidiu: antes de alinhar pessoas, alinharia luz. Ela e Bia passaram para debaixo das arcadas, onde o cheiro a farturas e algodão-doce se misturava com perfume de spray colorido.

— Precisamos encontrar quem cuida das luzes — disse Lia.

— Procurem o Senhor Manuel! — gritou alguém do balcão de uma banca. — O eletricista do Carnaval anda por aí com uma caixa de ferramentas!

Como se o nome fosse um chamamento, um senhor baixinho com bigode apareceu, carregando uma caixa metálica que tilintava como um instrumento musical.

— Quem mexeu na minha guirlanda? — perguntou ele, com voz de quem já viu muitos carnavais e muitos fios.

Lia apontou para o menino-foguete, que agora se escondia atrás de uma melancia (um dos gémeos).

— Foi sem querer. A guirlanda apagou e… eu preciso dela para a foto de grupo. Por favor.

O Senhor Manuel olhou para Lia com curiosidade, como se tivesse encontrado alguém com um mapa no meio de um baile.

— Foto de grupo, é? No Carnaval? Isso é uma aventura. Mas vamos lá, pequena comandante. Mostra-me onde.

Ao chegarem à tomada, ele abriu a caixa de ferramentas. Chaves, alicates e rolos de fita isoladora surgiram como truques de magia.

Bia aproximou-se e sussurrou a Lia:

— Isto é quase mais emocionante do que o desfile.

— Para mim, é — respondeu Lia, sem tirar os olhos do fio.

Sara, a cientista, estava ajoelhada ao lado.

— Hipótese A: cabo solto. Hipótese B: fusível queimado. Hipótese C: a guirlanda ficou tímida.

O Senhor Manuel riu.

— Gosto da hipótese C, mas vamos pela A.

Ele mexeu com cuidado e, de repente, um estalinho seco soou.

— Ai! — disse Tomás-robô. — Isso foi o universo a dizer “cuidado”.

O Senhor Manuel franziu o sobrolho.

— Não é aqui. O problema pode estar no quadro lá do outro lado.

Lia seguiu-o por baixo das arcadas. O Carnaval corria à volta deles: pernas a saltar, plumas a flutuar, um grupo de palhaços a distribuir piadas como se fossem balas.

Um palhaço ofereceu a Lia uma flor que esguichava água. Ela desviou-se como se fosse um obstáculo na pista.

— Obrigada, mas… tenho uma missão!

— Missão aceita! — gritou o palhaço, fazendo continência exagerada.

Ao chegar ao quadro elétrico, o Senhor Manuel abriu a portinhola. Dentro, havia chaves e botões, e um pequeno fusível com cara de “já trabalhei demais”.

— Encontrado — disse ele. — Está desarmado.

Bia inclinou-se.

— Dá para ligar?

— Dá. Mas antes, precisamos garantir que ninguém vai tropeçar outra vez. — Ele olhou para Lia. — Tens criatividade?

Lia piscou. Criatividade ela tinha. Só precisava lembrar que ela não servia só para listas.

— Tenho. E tenho fita colorida na mochila.

Bia arregalou os olhos.

— Tu carregas fita colorida… por acaso?

— Não é por acaso. É por emergência estética — disse Lia, com um sorriso pequenino.

Eles voltaram à tomada e, com a ajuda de Sara, fizeram uma espécie de “ponte” de proteção: fita colorida marcando o chão, com setas e um aviso desenhado: “Zona de Luz — Passos de Samba Não Pisam Aqui”.

Os gémeos-melancia ainda ajudaram, ficando de cada lado como guardas verdes.

— Ninguém passa — anunciou Hugo.

— Só confetes autorizados — completou Heitor.

Capítulo 4 — O grupo foge, a foto escapa

O relógio da torre da praça bateu oito vezes, mas o som perdeu-se no meio de tambores e gargalhadas. A multidão abriu caminho para o carro alegórico que finalmente entrou na praça: um dragão enorme feito de tecido brilhante, com olhos que piscavam e uma cauda que varria o ar como um arco-íris.

— Dragão! — gritou Tomás-robô, esquecendo instantaneamente a palavra “foto”.

— Eu preciso filmar! — Sara já levantava o telemóvel.

Os colegas começaram a dispersar como purpurina ao vento.

— Pessoal! A foto! — Lia tentou, correndo atrás, a prancheta a bater na perna.

Bia segurou-a pelo braço.

— Lia… a tua foto está a tentar competir com um dragão gigante. Não é justo.

— Mas eu marquei o lugar, a hora, a luz! — disse Lia, quase ofegante. — Eu planeei tudo.

Bia apontou para o dragão, que agora “espirrava” confetes pela boca.

— No Carnaval, o plano é… dançar com o imprevisto.

Lia ficou parada um segundo, vendo as pessoas a rodopiar, os arcos iluminados (menos o canto da guirlanda apagada), e o dragão a virar para a fonte.

Ela sentiu uma pontinha de frustração, como quando se tenta alinhar cartas e o gato passa por cima. Só que ali o “gato” era um dragão de carnaval e ninguém tinha culpa.

Então Lia respirou fundo.

— Está bem. Se a foto não pode ser o centro… então eu faço a foto acontecer no meio do movimento.

Bia sorriu.

— Agora sim. A maestrina virou sambista.

Lia levantou a prancheta e começou a improvisar.

— Tomás! Robô! Tu ficas com o dragão ao fundo, como guarda-costas futurista! Sara, cientista, vem para a frente com a tua lupa! Gémeos-melancia, vocês fazem uma moldura verde aqui!

Ela falava alto, como uma diretora de cena. E, surpreendentemente, as pessoas gostaram. Talvez porque a voz dela era firme, talvez porque era divertido receber um “papel” no meio da festa.

Até o professor flamingo entrou no jogo.

— Onde me colocas, comandante?

Lia olhou para ele e decidiu, com um brilho nos olhos:

— Professor, o senhor fica no centro. Um flamingo no centro é… arte.

— Aceito — disse ele, esticando o pescoço com orgulho.

Capítulo 5 — Uma ideia que dança

Ainda faltava um detalhe: a luz. A guirlanda apagada deixava um pedaço da arcada com cara de “falta alguma coisa”.

Lia correu até o Senhor Manuel, que observava o desfile com uma calma de quem já viu dragões melhores e piores.

— Senhor Manuel, conseguimos ligar?

Ele apontou para o quadro.

— Assim que eu rearmar, acende. Mas o problema é: toda a gente está a passar, a empurrar, e se alguém tropeça outra vez…

Lia olhou para o chão, para as fitas coloridas e as setas. A proteção estava boa, mas no meio do Carnaval… precisava de algo mais chamativo. Algo que dançasse com o imprevisto.

— Bia! — chamou ela. — Os teus sinos!

Bia levantou o pulso.

— O que têm os meus sinos?

— Vamos fazer uma “linha sonora”. Se as pessoas ouvirem, desviam.

Sara juntou-se com entusiasmo.

— Podemos também usar… bolhas de sabão! Tenho um frasco na mochila. As bolhas flutuam e criam um caminho.

Os gémeos-melancia aproximaram-se.

— E nós podemos fazer coreografia de “não pisar aqui” — disse Hugo.

— Com passos de melancia — completou Heitor, já a ensaiar uma dança ridícula.

Em segundos, o plano virou espetáculo. Bia ficou perto da fita, mexendo os pulsos para os sinos tilintarem. Sara soprava bolhas que brilhavam com as luzes da praça. Os gémeos faziam uma dança de guarda, braços abertos, e o professor flamingo, sem ninguém pedir, começou a narrar:

— Atenção, atenção! A Passarela da Luz está aberta! Respeitem as bolhas, saúdem as melancias e não assustem os sinos!

As pessoas riam e obedeciam. Porque, no fundo, ninguém quer ser o vilão que estoura bolhas em pleno Carnaval.

O Senhor Manuel coçou o bigode, impressionado.

— Isso… é criatividade aplicada.

Lia sentiu o peito aquecer.

— É só… usar o que a festa já tem.

— Então agora é comigo — disse ele.

Ele foi ao quadro, rearmou o fusível, e voltou com passos rápidos.

— Prontos?

Lia olhou para o canto escuro. O grupo começava a juntar-se perto da fonte, chamando uns aos outros, fazendo poses e caretas. A foto estava quase a acontecer, mas faltava a moldura de luz que Lia sonhava.

— Prontos — disse ela, num tom solene, como se fosse o início de um truque.

O Senhor Manuel carregou no interruptor.

Capítulo 6 — A guirlanda reacende e a foto ganha magia

A guirlanda piscou uma vez, como quem acorda de uma sesta, e depois acendeu de verdade: dezenas de luzinhas em cores quentes, desenhando um arco brilhante entre as colunas. O canto da praça deixou de ser sombra e virou cenário.

As bolhas de Sara atravessaram a luz e ficaram com reflexos dourados. Os sinos de Bia tocaram como se comemorassem a eletricidade. Os gémeos-melancia fizeram uma última pose de guardas vitoriosos.

Lia correu para junto do grupo com o telemóvel na mão. O dragão, como se entendesse, parou ao fundo e inclinou a cabeça, oferecendo os olhos piscantes para a foto.

— Toda a gente junto! — Lia chamou. — Próximos, ombro com ombro. Quem tiver pena… que a pena não tape a cara de ninguém!

O professor flamingo ajeitou-se no centro, teatral.

— Eu nasci para isto.

Tomás-robô levantou dois dedos em “V” mecânico.

— Sistema pronto para sorrir.

— Sem olhos fechados! — lembrou Lia, e ela mesma riu, porque agora soava menos como ordem e mais como brincadeira.

Bia encostou-se a ela.

— Vês? O teu plano não morreu. Só ganhou bateria, bolhas e melancias.

Lia olhou para todos: amigos, colegas, o professor, o menino-foguete que agora tinha um lugar na frente (com a promessa de não “fiuuum” perto das tomadas), e as arcadas iluminadas como um portal de festa.

Ela levantou o telemóvel.

— Um… dois… três… Carnaval!

— CARNAVAL! — respondeu o grupo, num coro que parecia música.

Clique.

Na imagem, havia confetes no ar, um dragão ao fundo, um flamingo no centro, melancias a sorrir, e uma guirlanda acesa a abraçar tudo com luz. Parecia que a praça inteira tinha decidido posar.

Lia guardou o telemóvel e, pela primeira vez naquela noite, deixou o corpo fazer o que queria desde o começo: dançar.

— Então, maestrina? — Bia perguntou, já a rodopiar.

Lia deu um passo, depois outro, e respondeu, com os olhos brilhantes:

— Afinal, o segredo da foto perfeita é… deixar a criatividade acender as luzes.

E sob as arcadas, com a guirlanda reacendida a cintilar como um sorriso pendurado, a praça continuou a cantar e a dançar, como se o Carnaval tivesse acabado de começar.

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Arcadas
Séries de arcos que formam um corredor com colunas, como na praça.
Confetes
Pequenos pedaços de papel colorido lançados em festas e celebrações.
Prancheta
Suporte rígido para segurar papéis e escrever enquanto se está em pé.
Minucioso
Que faz algo com muito cuidado, reparando em pequenos detalhes.
Mascarado
Pessoa que usa máscara para esconder o rosto numa festa.
Serpentina
Fita comprida e enrolada usada para decorar e atirar em festas.
Guirlanda
Enfeite circular de flores ou luzes, pendurado em portas ou arcos.
Disjuntor
Pequeno aparelho que corta a eletricidade quando há problema na rede.
Fusível
Peça elétrica que queima para proteger o circuito de sobrecarga.
Quadro elétrico
Caixa com interruptores e proteções que controla a eletricidade do lugar.
Carro alegórico
Veículo decorado e grande, usado em desfiles de carnaval.
Surdo
Instrumento de percussão grande que faz batidas graves e fortes.

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