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História de Natal 11 a 12 anos Leitura 21 min.

A fita vermelha e a árvore da partilha de Natal

Uma fita vermelha chamada Fia sai da prateleira para ajudar Matilde a organizar um espetáculo de Natal na escola, unindo alunos e objetos com criatividade e carinho.

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Uma longa fita de cetim vermelha antropomorfizada (tipo "fada-fita"), com laços delicados, olhos estilo BD e sorriso caloroso, orgulhosa ao prender um pequeno desenho na "Árvore da Partilha"; ao lado, Matilde, ~12 anos, cabelos castanhos encaracolados, suéter verde com flocos, emocionada e segurando um microfone; um professor de música de meia-idade, óculos redondos e traje simples, surpreso e comovido, segura uma extensão com um saxofone ao fundo esquerdo; em primeiro plano à direita, uma menina tímida de 6 anos, casaco azul e gorro vermelho, prende um desenho amassado; tudo num ginásio escolar transformado em salão de festas (teto com vigas, guirlandas e estrelas, arquibancadas com famílias, piso de madeira) com uma grande "Árvore da Partilha" branca no centro cheia de cartões, cachecóis e pacotes, cena final do espetáculo de Natal sob luz âmbar quente e neve visível nas janelas embaçadas. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — A Fita que Queria Brilhar

No topo de uma prateleira de uma papelaria antiga, uma fita vermelha de cetim esticou-se como quem acorda de uma sesta. Tinha bordas brilhantes, cheirava a pinho por ter passado dias perto de ramos de Natal, e adorava ouvir as conversas que subiam do balcão.

Lá em baixo, a dona Celeste embrulhava presentes com dedos rápidos e um sorriso cansado. No rádio, um coro ensaiava “Noite Feliz” e o sino da porta tilintava sempre que alguém entrava a fugir do frio.

A fita balançou-se, inquieta.

— Este ano, eu não quero ficar só a dar laços… — murmurou para a tesoura, que descansava ao lado do rolo de papel dourado.

A tesoura abriu e fechou as lâminas num “clac” sonolento.

— E queres fazer o quê? Dançar? — perguntou, com ar trocista.

— Quero organizar um espetáculo. Um de verdade. Com luzes, música e surpresas. Um espetáculo de Natal que faça as pessoas lembrarem-se de partilhar.

A tesoura soltou um “clac” mais animado.

— Tu és… ambiciosa.

A fita não se ofendeu. Preferia a palavra “determinada”. E naquela noite, quando a papelaria fechou e a rua ficou coberta por uma camada fina de gelo que brilhava como açúcar, decidiu que era a hora de começar.

Deslizou devagarinho pela beira da prateleira, fez uma pequena cambalhota e caiu em cima de uma caixa de cartões. Doeu? Não. Era macia, mas tinha orgulho.

— Ai! — fez apenas para dar mais emoção ao momento.

A tesoura riu-se baixinho.

— Então vá, estrela vermelha. Mostra-me o teu plano.

A fita olhou pela montra. Do outro lado da rua, a escola do bairro estava decorada com grinaldas e uma árvore enorme no átrio. Havia cartazes: “Festa de Natal — Cada turma prepara algo!”

— Lá. Vai ser lá. Um espetáculo para toda a gente. E eu vou ajudar a juntar as partes.

E assim, com o coração a brilhar mais do que o próprio cetim, a fita partiu para a primeira surpresa da noite: atravessar a rua sem pés e sem escorregar no gelo.

Capítulo 2 — A Missão no Átrio da Escola

A fita conseguiu uma boleia improvável: enrolou-se no puxador de um saco de compras de um pai apressado. Quando ele atravessou a rua, ela voou ao ritmo dos passos, como uma bandeira de coragem.

— Huuu! — sussurrou ao vento. — Obrigada, senhor desconhecido com casaco verde!

O pai entrou na escola para buscar a filha e, com o movimento da porta, a fita soltou-se e caiu suavemente sobre um tapete com desenhos de estrelas. Ufa. Aterragem elegante.

O átrio cheirava a canela e cola branca. Um grupo de alunos carregava caixas, outro pendurava enfeites. Perto da árvore, uma rapariga de cabelo encaracolado lia uma lista em voz alta.

“Som: testar colunas. Luzes: arranjar extensão. Palco: emprestar bancos.” Ai, isto vai dar trabalho…

A fita aproximou-se, serpenteando discretamente pelo chão. Ninguém repara numa fita no Natal; é como neve num postal: faz parte.

— Estás preocupada? — arriscou a fita, numa voz pequena, como quem não quer assustar.

A rapariga olhou em volta, confusa.

— Quem falou?

A fita levantou uma ponta, como quem acena.

— Fui eu.

A rapariga piscou os olhos duas vezes, como se o cérebro estivesse a reiniciar.

— Ok… isto é a parte em que eu descubro que o ponche tinha algo esquisito?

— Eu não bebo ponche — disse a fita, com dignidade. — Chamo-me Fia. E vim ajudar. Quero organizar um espetáculo de Natal. Um espetáculo que aqueça as pessoas por dentro.

A rapariga, ainda a tentar não gritar, aproximou-se e baixou a voz.

— Eu sou a Matilde… e estou a coordenar a festa. Mas… uma fita falante? Isto é… impossível.

— É Natal — respondeu Fia, como se isso explicasse tudo. — E além disso, não sou perigosa. Só faço laços e… planos.

Matilde soltou uma gargalhada nervosa.

— Bem. Se és real, então podes mesmo ajudar. Temos pouco tempo e toda a gente quer fazer a sua parte, mas falta… ligação.

— Ligação é comigo — disse Fia, orgulhosa. — Eu junto coisas.

Matilde mostrou o quadro de tarefas. Havia números, horários, nomes. E, no meio, um espaço em branco: “Momento final — Surpresa”.

— Ainda não temos o final — confessou Matilde. — Queria algo especial. Um gesto de partilha. Mas ninguém sabe o quê.

Fia sentiu o cetim arrepiar-se.

— Deixa isso comigo. Primeiro, precisamos de encontrar os artistas e as coisas esquecidas. Um espetáculo não se faz sozinho.

Matilde olhou para a fita como quem olha para uma ideia maluca… e, mesmo assim, luminosa.

— Está bem, Fia. Vamos. Mas se alguém perguntar, eu vou dizer que és… uma decoração moderna.

— Eu aceito — respondeu Fia. — Desde que seja uma decoração com agenda.

Capítulo 3 — Ensaios, Risos e Uma Extensão Desaparecida

O ginásio da escola parecia uma barriga gigante cheia de eco. No palco improvisado, alguns alunos ensaiavam uma peça cómica sobre um reno que tinha medo de voar. Ao lado, um rapaz testava uma guitarra, fazendo caretas sempre que uma corda desafinava.

Matilde caminhava com um bloco na mão; Fia deslizava no seu pulso, enrolada como uma pulseira elegante. Assim, pelo menos, ninguém fazia perguntas demais.

— O palco precisa de uma cortina — disse Matilde, apontando para os bancos.

— Cortina? Eu posso virar cortina! — ofereceu-se Fia, esticando-se com entusiasmo.

— Tu és… uma fita. Muito comprida, sim, mas não és exatamente uma cortina.

— Ainda. — Fia piscou… ou tentou. Não tinha olhos, mas tinha atitude.

Enquanto isso, o professor de música, senhor Artur, procurava algo debaixo das cadeiras.

— Alguém viu a extensão? Sem ela, as colunas não funcionam! — resmungou.

Um miúdo respondeu:

— Talvez o duende da manutenção tenha levado!

— Duende? — repetiu Artur. — O único duende aqui sou eu quando fico baixinho de paciência.

Fia ouviu “extensão” e sentiu uma faísca de missão. Sem som, não havia espetáculo. Sem espetáculo, não havia o final de partilha. E sem final… bem, o Natal ficava meio coxo, como mesa com uma perna mais curta.

— Matilde — sussurrou Fia —, eu vou procurar.

— Onde? A extensão não tem pernas.

— Eu também não, e olha onde estou.

Matilde teve de admitir. Fia escorregou do pulso e começou a sua busca. Passou por caixas de adereços: barbas brancas, chapéus de elfo, narizes vermelhos que piscavam. Um nariz piscou para ela.

— Ei, fita! Boa sorte! — disse o nariz, muito convencido.

— Obrigada, farol ambulante — respondeu Fia, sem perder tempo.

Atrás das cortinas laterais do ginásio, ouviu um som baixo: “zzzzzz”. Como um mosquito elétrico. Seguiu-o e encontrou… uma pequena luz de Natal enrolada numa extensão preta, como uma serpente abraçada a outra serpente.

A luz tremeluziu.

— Não é culpa minha! — disse ela, ofendida. — Eu caí e fiquei presa!

A extensão estava ali, escondida, com o fio enroscado num gancho.

Fia aproximou-se.

— Eu chamo-me Fia. E preciso de ti para o espetáculo.

A extensão respondeu com voz grossa, um pouco cansada:

— Eu só queria descansar. Fico sempre a levar pisões.

— Prometo que hoje vais ser tratada como heroína — disse Fia. — Mas tens de sair daí.

Fia enrolou-se no gancho, puxou com cuidado, deslizou, soltou o nó. Foi uma ginástica digna de um acrobata de circo… se o circo fosse feito de material de papelaria.

Quando finalmente a extensão caiu livre, a luz de Natal acendeu-se toda, como aplauso.

— Conseguiste! — cantou a luz.

Fia levou a extensão até ao senhor Artur, arrastando-a pelo chão como um dragão manso.

O professor arregalou os olhos.

— …Eu não vou perguntar. Obrigado.

Fia apenas fez um laço de satisfação no ar.

Matilde apareceu, a correr.

— Encontraste! Salvadora!

— Só estou a começar — respondeu Fia. — Agora, vamos pensar na surpresa final.

Capítulo 4 — A Ideia do Presente Coletivo

Na biblioteca, o silêncio era macio, como manta. As janelas estavam embaciadas e, lá fora, a neve começava a cair em flocos preguiçosos. Matilde sentou-se à mesa grande com Fia ao lado, esticada como um traço vermelho sobre um caderno.

— Temos números de dança, teatro, música… — enumerou Matilde. — Falta o momento que una tudo e faça sentido.

Entre as estantes, uma turma recortava estrelas de papel. Um rapaz deixou cair um monte de purpurinas e ficou com a testa a brilhar.

— Agora pareces um planeta — comentou uma colega.

— Um planeta cansado — respondeu ele.

Fia observou. Pessoas diferentes, tarefas diferentes, mas todas a tentar fazer algo bonito. O que faltava era um gesto simples, que coubesse em todas as mãos.

— E se… — começou Fia — o final não for uma atuação, mas um presente coletivo?

Matilde franziu o sobrolho.

— Tipo… uma arrecadação de brinquedos?

— Também. Mas eu queria algo que acontecesse ali, na hora. Um momento em que cada pessoa dê um bocadinho de si.

Matilde apoiou o queixo na mão.

— Isso soa a discurso de filme. Mas gosto.

Fia continuou, com voz suave:

— Durante o espetáculo, cada turma traz algo pequeno: uma palavra, um desenho, um objeto simples que já tenha e possa partilhar… Não precisa ser caro. Pode ser um cartão com uma mensagem, um livro já lido, um cachecol que já não usa, um pacote de bolachas feitas em casa. No fim, juntamos tudo numa “Árvore de Partilha” ao lado da árvore de Natal. E cada pessoa pode levar algo… mas só depois de deixar algo.

Matilde abriu um sorriso que iluminou as bochechas.

— Isso é genial. E justo. E… dá para toda a escola participar, até quem não sobe ao palco.

— E eu posso ser a fita que ata os cartões na árvore — disse Fia, radiante. — Eu ligo as mensagens como quem liga pessoas.

Matilde levantou-se de repente.

— Vou anunciar isto hoje! — Depois hesitou e olhou para Fia. — Mas… e se ninguém trouxer nada?

Fia ficou por um segundo em silêncio. Até o relógio da biblioteca pareceu parar.

— Então começamos nós — disse ela. — Com o que tivermos. A partilha é assim: alguém dá primeiro, e isso acende os outros.

Matilde inspirou fundo, como quem engole o medo e o transforma em coragem.

— Está bem. Vamos acender.

Antes de saírem, a bibliotecária, dona Rosa, aproximou-se com um olhar curioso para a fita no caderno.

— Que laço bonito — comentou, sem estranheza nenhuma, como se fitas falantes fossem a coisa mais normal do mundo.

Fia sentiu-se corar por dentro.

— Obrigada… estou em serviço.

Dona Rosa piscou o olho.

— No Natal, todas as coisas têm serviço. Até o silêncio.

Capítulo 5 — A Noite do Espetáculo e as Pequenas Surpresas

Chegou a noite da festa. O ginásio transformou-se num mundo de luz. Havia estrelas de papel penduradas no teto, lanternas a piscar e uma fila de cadeiras cheias de pais, avós, irmãos e vizinhos com casacos grossos e olhos curiosos.

Atrás do palco, a correria era uma dança secreta: alguém procurava um gorro, alguém colava um bigode torto, alguém repetia falas com a cara muito séria… e depois desatava a rir.

Matilde segurava o microfone, com as mãos frias e o coração quente. Fia estava amarrada ao seu pulso, com um laço impecável, como se fosse uma pulseira de sorte.

— Estás pronta? — perguntou Matilde, a meia voz.

— Pronta desde a prateleira — respondeu Fia. — Vai.

Matilde entrou no palco. A luz bateu-lhe no rosto. Ela respirou e sorriu.

— Boa noite! Bem-vindos à nossa festa de Natal!

A plateia respondeu com palmas e alguns “bravos”. Alguém assobiou, mas disfarçou quando a avó olhou de lado.

O espetáculo começou: a peça do reno medroso arrancou gargalhadas, especialmente quando o reno gritou “Eu não voo, eu… planooo!” e caiu de barriga num monte de almofadas. Depois veio um número de dança com cachecóis coloridos que pareciam rios no ar. Uma turma cantou uma canção suave que fez algumas pessoas apertarem as mãos umas das outras.

E as pequenas surpresas foram aparecendo, como neve inesperada.

Primeiro, o senhor Artur, que jurava ser sério, tocou um solo de saxofone e, no fim, fez uma reverência exagerada que quase o derrubou. A plateia riu com carinho.

Depois, as luzes piscaram três vezes. Matilde arregalou os olhos, mas Fia sussurrou:

— Calma. É a luz de Natal a dar sinais. Ela gosta de dramatizar.

No intervalo, um miúdo entregou a Matilde um envelope.

— É para a Árvore de Partilha — disse ele. — Não é nada de especial.

Matilde abriu um pouco e viu: um desenho de um cão com asas e a frase “Para quem precisar de rir”.

— Isto é especial — respondeu, e a voz quase lhe falhou.

Atrás do palco, a “Árvore de Partilha” esperava: um suporte de madeira com ramos secos pintados de branco, colocado ao lado da árvore grande. Fia preparou-se, esticando-se como uma atleta.

— Vamos começar a encher isto de bondade — disse ela.

E começaram.

Uma menina trouxe um livro de aventuras já lido, com um marcador a dizer “página favorita”. Um rapaz trouxe um cachecol azul, dizendo:

— Já não uso, mas aquece muito.

Uma avó trouxe um saco de bolachinhas e explicou:

— São de canela e paciência. A paciência dá trabalho, mas a canela ajuda.

Alguém trouxe uma carta com uma promessa: “Vou ajudar a minha irmã nos trabalhos de casa sem reclamar (muito).”

Fia amarrava tudo nos ramos com laços rápidos, cada nó como um abraço. A árvore ficou cheia de cores, cheiros e ideias. Não era uma árvore perfeita. Era uma árvore viva.

Quando o último número do palco acabou — um coro de vozes que subiu como vapor quente — Matilde voltou ao microfone.

— Antes de terminarmos… temos uma coisa nova este ano. A nossa Árvore de Partilha.

A luz baixou um pouco, como se o ginásio prendesse a respiração. Matilde continuou:

— Se trouxe algo para oferecer, pode vir colocar. Se quiser levar algo… leve, mas só depois de deixar também uma palavra, um gesto, uma ajuda. Porque o Natal fica maior quando cabe em mais mãos.

As pessoas levantaram-se devagar, como se estivessem a entrar num lugar sagrado… mas com meias de lã e narizes vermelhos.

E vieram.

O ginásio encheu-se de passos e murmúrios. Fia, no centro, fazia laços e mais laços, com tanta alegria que parecia que a fita inteira estava a cantar.

Matilde aproximou-se dela, inclinando-se.

— Está a funcionar.

— Disse-te — respondeu Fia, com um brilho que não era da luz, era de dentro.

Capítulo 6 — O Laço Final e o Chuchotis Alegre

Quando a maioria já tinha participado, a Árvore de Partilha parecia um céu baixo cheio de constelações humanas: bilhetes, livros, luvas, desenhos, pequenas caixas com chocolates, e até um “cupão” escrito à mão: “Vale uma conversa quando estiveres triste”.

As pessoas começaram a trocar. Uma senhora levou o cachecol azul e deu em troca um pacote de chá. Um rapaz levou o desenho do cão com asas e deixou um bilhete: “Obrigada por me salvares o dia. — M.”

Matilde observava, com os olhos húmidos e o sorriso preso, como quem não quer chorar em público mas também não quer perder a beleza do momento.

O senhor Artur aproximou-se de Matilde e pigarreou.

— Isto… foi uma boa ideia.

— Foi de uma fita — confessou Matilde, apontando discretamente.

O professor olhou para Fia e, em vez de desmaiar, apenas assentiu como se estivesse a avaliar um instrumento musical.

— Faz sentido. As fitas juntam.

Fia sentiu-se importante, mas manteve a humildade. O Natal não era uma medalha; era uma mesa posta para todos.

Quando a festa já ia a terminar, Matilde colocou a mão perto de Fia.

— Quero agradecer-te — disse baixinho. — Eu estava a tentar controlar tudo sozinha. E tu… lembraste-me que isto é para ser feito em conjunto.

Fia encostou-se ao pulso de Matilde como quem dá um abraço sem braços.

— O segredo do espetáculo é esse: ninguém brilha sozinho. Até as luzes precisam de fios.

Do outro lado do ginásio, uma criança pequenina, irmã de um aluno, aproximou-se da Árvore de Partilha com um desenho amassado. Olhou para os ramos, hesitou e disse ao pai:

— Mas eu só tenho isto.

O pai ajoelhou-se.

— Então dá isso. É teu. E é bonito.

A criança colocou o desenho e, em troca, pegou num livro fino de poemas ilustrados. Abraçou-o como se fosse um tesouro.

Fia viu aquilo e sentiu um nó na garganta… se tivesse garganta. Em vez disso, fez o que sabia fazer melhor: deu um laço ao ramo onde o desenho estava, prendendo-o com carinho.

Matilde desligou o microfone e, aos poucos, as pessoas foram saindo, deixando no ar o calor das risadas e o cheiro de canela. Lá fora, a neve caía mais forte, mas parecia menos fria.

No ginásio quase vazio, ficaram apenas Matilde, Fia e a luz de Natal, que piscava devagar, satisfeita.

— Conseguimos — disse Matilde.

— Conseguimos — repetiu Fia. — E amanhã, quando alguém usar um cachecol oferecido ou ler um bilhete, o espetáculo continua, só que em silêncio.

Matilde aproximou os lábios da fita, como quem conta um segredo.

— Posso guardar-te comigo?

— Claro — respondeu Fia. — Mas cuidado… eu arranjo projetos.

Matilde riu, tão baixinho que parecia não querer acordar a magia.

As luzes apagaram-se uma a uma. No escuro suave, antes de fecharem a porta, Matilde e Fia trocaram o final que o Natal merecia: um chuchotis alegre, leve como um floco a pousar.

— Feliz Natal… — sussurrou Matilde.

— Feliz Natal… e partilha sempre — sussurrou Fia, contente, como se todo o ginásio tivesse ouvido com o coração.

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Prateleira
Prateleira é um plano horizontal onde se põem livros ou objetos para guardar.
Cetim
Cetim é um tecido macio e brilhante usado em fitas e roupas elegantes.
Sesta
Sesta é um curto período de sono durante o dia, como uma pequena pausa para descansar.
Tilintava
Tilintava descreve um som leve e metálico, como o de um sino pequeno a tocar.
Inquieta
Inquieta significa não conseguir ficar calma, sentir-se agitada ou ansiosa.
Trocista
Trocista é quem faz troça, ou seja, zomba ou ri de alguém de forma leve.
Serpenteando
Serpenteando é mover-se de forma curvada, como uma cobra a deslizar.
Tremeluziu
Tremeluziu quer dizer que algo brilhou de forma instável, como uma luz a piscar.
Embaciadas
Embaciadas descreve vidros cobertos de vapor ou névoa, que ficam pouco claros.
Purpurinas
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