Capítulo 1 — A Luz na Varanda
Eu chamo-me Inês e tenho 11 anos e meio, o que, segundo a minha avó, é “idade de notar coisas”. Eu noto mesmo. Noto quando a professora muda de brincos, quando o padeiro troca a farinha, quando o meu gato, o Pingo, finge que dorme só para eu não lhe pedir um abraço.
Nessa segunda-feira, a cidade parecia igual: autocarros a espirrar fumo, pombos a discutir migalhas e a minha mochila a pesar como se tivesse um tijolo escondido. Mas, ao virar a esquina para a nossa rua, reparei numa coisa nova.
No prédio da frente, na varanda do terceiro andar, havia uma lanterninha de papel, verde e dourada, a balançar ao vento. Não era luz de Natal, nem era festa de aniversário. Era uma luz quieta, como um segredo a respirar.
Fiquei parada a olhar, de boca meio aberta.
— Inês? — chamou a minha mãe, já com as chaves na mão. — Vens ou ficas a conversar com o ar?
— Mãe… aquela luz ali. Sempre esteve lá?
A minha mãe seguiu o meu dedo, sorriu e disse:
— Deve ser por causa do Ramadão. A família do Samir costuma pôr umas decorações.
Ramadão. Eu já tinha ouvido a palavra, claro. Na escola, a professora Helena tinha explicado por alto: um mês especial para muitos muçulmanos, com jejum durante o dia e encontros ao pôr do sol. Mas eu nunca tinha reparado que isso podia… aparecer nas varandas.
Na varanda do nosso prédio, o Pingo encostou-se ao vidro como um velho curiosíssimo. E eu, que observava muito, senti uma vontade súbita de observar ainda mais.
À noite, quando a rua começou a escurecer, vi as janelas do prédio do Samir acenderem uma luz mais quente. E, por uns segundos, juro que a lanterninha pareceu piscar para mim, como se dissesse: “Olá, vizinha.”
Eu quase respondi em voz alta.
Capítulo 2 — Cheiros que Contam Histórias
No dia seguinte, saí mais cedo para a escola, com a desculpa muito científica de “preciso apanhar ar”. Na verdade, queria passar de propósito pelo prédio do Samir.
O hall cheirava a detergente e a correio velho, como sempre. Mas, ao chegar ao patamar deles, veio uma onda de cheiro diferente: canela, mel e qualquer coisa tostada que me fez lembrar as tardes na casa da avó, quando ela inventa bolachas e finge que não inventou.
A porta estava entreaberta. Ouvi risos e pratos. E ouvi uma voz, jovem, a dizer:
— Cuidado, isso ainda está quente!
Fiquei ali, congelada, como se o chão fosse gelado de repente. O meu cérebro discutia consigo próprio:
“Não espreites.”
“Mas eu só vou… reparar.”
“Reparar é espreitar com educação.”
“Tá bem, mas devagar.”
Nesse momento, a porta abriu mais e apareceu a Leila, a minha colega de turma. Eu não sabia que ela morava ali! Ela tinha o cabelo preso num coque meio apressado e a testa com uma pontinha de farinha.
— Inês? — Ela arregalou os olhos. — Estás… a vigiar a nossa porta?
Corei até às orelhas.
— Não! Quer dizer… eu… vi uma luz na varanda e… e… — As palavras tropeçaram umas nas outras.
A Leila olhou para a minha cara atrapalhada e, em vez de se zangar, soltou uma gargalhada.
— Relaxa. Hoje toda a gente está a reparar em tudo. — Ela farejou o ar, orgulhosa. — O cheiro denuncia, não é?
— Cheira… incrível.
— A minha mãe está a preparar coisas para o iftar. — Ela disse “iftar” com a naturalidade de quem diz “jantar”. — É quando quebramos o jejum ao pôr do sol.
Eu quis perguntar mil coisas e, ao mesmo tempo, não queria parecer ignorante. Acabei por dizer só:
— Eu nunca tinha reparado… nas lanternas.
— Ah, as fanous! — Leila apontou para dentro. — O Samir insiste que a nossa varanda fica mais bonita assim. Ele diz que a luz lembra que há sempre caminho, mesmo quando o dia parece longo.
Eu gostei dessa frase. Pareceu-me uma coisa que cabia num caderno de citações, se eu tivesse um caderno de citações. Talvez eu fosse arranjar um.
— Queres entrar um bocadinho? — perguntou a Leila. — Só para veres. Sem obrigação de nada. E… se tiveres medo, o nosso tapete não morde.
— Tapetes mordem?
— Só os mal-humorados.
Eu ri, aliviada. Entrei.
Dentro do apartamento, havia mais luz. Na mesa, estavam tâmaras numa taça brilhante, pão achatado ainda a arrefecer, e um jarro com limonada que tinha folhas verdes a boiar como barquinhos. A mãe da Leila, a senhora Farah, acenou para mim com um sorriso que parecia uma manta.
— Bem-vinda, Inês. A Leila fala muito de ti. — Ela olhou para a minha expressão de espanto e piscou o olho. — E sim, hoje a casa está numa missão secreta: alimentar toda a gente.
Eu observei tudo como quem está num museu delicioso. E, no meio daqueles cheiros e risos, uma ideia começou a formar-se: eu queria conhecer melhor aquele mês que acendia luzes nas varandas.
Capítulo 3 — O Relógio que Parece Mais Lento
Na escola, naquele dia, eu olhei para o relógio como se ele fosse um animal estranho. Parecia mais lento. Talvez porque agora eu sabia que, para algumas pessoas, a espera do pôr do sol era parte importante do dia.
No recreio, sentei-me com a Leila e o Samir. O Samir tinha 12 anos e uma energia de quem está sempre a planear uma coisa. Ele estava a desenhar, num caderno, uma lua crescente com estrelas.
— Vocês fazem jejum mesmo? — perguntei, tentando não soar como uma repórter de televisão.
A Leila encolheu os ombros.
— Alguns dias, sim. Eu ainda estou a aprender. Nem toda a gente faz da mesma maneira, e há regras para crianças e para quem não pode. O importante é a intenção e… — Ela procurou a palavra. — A atenção.
— Atenção? — repeti.
— Tipo… prestar atenção a quem és, ao que tens, ao que podes partilhar. — Samir levantou o lápis. — E atenção ao cheiro de comida. Esse é o mais difícil.
Eu ri.
— E como é que vocês aguentam?
Samir apontou para a minha garrafa de água, brincando:
— A gente aprende truques secretos. Um deles é não olhar para garrafas suspeitas.
— Desculpa! — Eu escondi a garrafa como se fosse contrabando.
Leila riu-se.
— Não é por aí, Inês. Tu não tens de mudar o que fazes só porque nós… — Ela fez um gesto com a mão, como quem procura a frase certa. — Só precisamos de respeito. E de amigos que não comam bolos na nossa cara e digam “hmmm” com dramatização.
— Eu posso prometer zero dramatização — garanti, solene, como se estivesse a assinar um contrato.
Nesse momento, a professora Helena aproximou-se com uma caixa de cartolina e anunciou:
— Turma, este mês vamos fazer um mural sobre tradições do mundo. Quem quiser pode trazer histórias, receitas, músicas… O objetivo é aprendermos com curiosidade e respeito.
Os olhos da Leila brilharam. Os do Samir também.
E os meus… bem, os meus já estavam a imaginar lanternas de papel e estrelas recortadas.
— Inês — disse Samir, inclinando-se. — Temos uma missão: construir uma fanous para o mural. Uma fanous gigante.
— Gigante? — A minha voz subiu uma oitava. — A sala já é pequena para as mochilas!
— Por isso mesmo. — Ele sorriu como um general simpático. — Uma fanous gigante vai obrigar as mochilas a respeitarem o espaço.
Eu não sabia se isso fazia sentido, mas gostei.
À tarde, voltei para casa com uma lista mental: cartolina, tesoura, cola, papel celofane, fita adesiva… e coragem para perguntar coisas sem ter vergonha.
Quando passei pela varanda iluminada, tive a certeza de que a luz estava mais viva. Talvez eu estivesse apenas mais atenta. Ou talvez a luz gostasse de ser notada.
Capítulo 4 — A Fanous Gigante e o Gato Assistente
No sábado, a Leila veio a minha casa com um saco cheio de materiais. O Samir apareceu logo a seguir com um rolo de fita adesiva enorme, como se fosse um troféu.
— Isto — anunciou ele — é fita de nível profissional. Serve para colar, para reparar, e para prender sonhos no teto.
— Também serve para prender o Pingo? — perguntei, porque o meu gato já estava a rondar o saco, desconfiado.
— Não, isso é ilegal em vários países — respondeu a Leila, séria, e depois desatou a rir.
Espalhámos tudo pelo chão da sala. A minha mãe trouxe sumo e bolachas e disse:
— Se precisarem de ajuda, estou na cozinha. Se precisarem de silêncio, também estou na cozinha.
O plano era simples. Quer dizer… parecia simples na cabeça do Samir, que falava como se estivesse a montar um foguete.
— Primeiro, fazemos a estrutura. Depois, as janelas de celofane. Depois, a lua no topo. E no fim, a magia.
— Há magia? — perguntei, agarrando numa tesoura.
Samir encolheu os ombros.
— Sempre há, quando dá certo.
A certa altura, a fanous começou a parecer uma caixa torta, com um lado maior do que o outro. Eu olhei para aquilo e senti vontade de pedir desculpa à geometria.
— Está… artística — disse a Leila, tentando ser diplomática.
— Está… inclinada — admiti.
Samir mediu com o olhar, fez uma careta e decretou:
— Vamos chamar isso de “estilo vento do deserto”. Fica autêntico.
— Eu nunca vi vento do deserto — confessou a Leila.
— Nem eu — disse ele. — Mas agora existe. Aqui. Nesta sala.
O Pingo decidiu participar, sentando-se no meio da cartolina e olhando para nós como um supervisor exigente. Quando tentámos puxar o papel, ele esticou-se ainda mais.
— Pingo, por favor — pedi. — Estamos a construir uma luz.
O gato bocejou, como quem diz: “Vocês é que escolheram o caos.”
No fim, com fita “de nível profissional”, conseguimos levantar a fanous. Colámos celofane amarelo e verde nas “janelas” e desenhámos pequenas estrelas. O Samir fez uma lua crescente com papel dourado e colou no topo.
Quando terminámos, ficou grande, um pouco torta e absolutamente maravilhosa.
— Está linda — disse a Leila, com uma alegria limpa.
Eu fiquei a olhar para a fanous e, por um segundo, a luz da tarde atravessou o celofane e pintou a sala com manchas coloridas. O chão virou um lago amarelo. A parede, um jardim verde. O Pingo, coitado, ficou com um bigode dourado.
— Olha — murmurei. — Parece mesmo… uma coisa de outro mundo.
Samir cruzou os braços, satisfeito.
— Missão cumprida. Agora falta a parte mais importante: levar isto para a escola sem parecer que estamos a transportar um armário.
No domingo, a Leila mandou-me uma mensagem: “A minha mãe disse que podes vir ao nosso iftar um dia, se quiseres. Só se te sentires bem.”
Li aquilo duas vezes. Não era uma obrigação, nem um convite com pressão. Era um convite com espaço. E eu gostei desse espaço, porque o respeito também mora nele.
Escrevi: “Quero muito. Obrigada.”
E senti um calor no peito, como se uma fanous pequenina tivesse acendido dentro de mim.
Capítulo 5 — O Iftar e a História das Tâmaras
Na terça-feira, fui ao apartamento da Leila ao fim da tarde. A rua cheirava a primavera, com árvores a ensaiar folhas novas. Na varanda, a fanous balançava e a luz parecia sorrir.
A senhora Farah recebeu-me com um avental e uma expressão divertida.
— Entra, Inês. Hoje temos uma equipa especial: eu, a Leila e o Samir. E tu, que és a observadora oficial.
— Eu observo muito — confirmei, como se fosse um cargo importante.
— Então vais reparar numa coisa — disse ela. — Quando estamos à espera do pôr do sol, tudo fica mais… atento. Até o barulho da colher.
Na sala, a mesa estava posta com cuidado, como se cada prato fosse uma pequena carta de amor. Havia sopa, pão, saladas coloridas, um prato de arroz com cheiro de especiarias, e uma travessa com pastéis que brilhavam de mel.
Eu não sabia para onde olhar primeiro.
— Primeiro, começamos com tâmaras e água — explicou a Leila, apontando para a taça. — É uma tradição em muitas famílias.
— Porquê tâmaras? — perguntei.
Samir endireitou-se, pronto para uma explicação épica.
— Porque são doces, dão energia e… — Ele baixou a voz, dramático. — Porque são pequenas, mas fortes. Como nós antes de um teste de matemática.
Eu ri.
A senhora Farah contou-me uma história simples, de como as tâmaras eram comida de viagem, fácil de levar, e como aquele gesto de começar com algo pequeno lembrava gratidão. Não parecia uma aula. Parecia uma história que cabia na palma da mão.
Esperámos. Eu olhei o relógio, mas não como na escola. Era uma espera diferente, com vozes baixas, com o cheiro da sopa a subir, com o Samir a tentar não encarar os pastéis como quem encara um tesouro proibido.
Quando o sol finalmente desceu o suficiente, houve um silêncio curto e bonito. Depois, como se a casa inteira suspirasse, começaram.
A Leila ofereceu-me uma tâmara.
— Queres provar?
Eu hesitei só um segundo. Não por medo, mas por respeito ao momento. Depois peguei nela.
— Obrigada.
Mordi. Era doce, com um sabor que parecia ter guardado sol lá dentro.
Samir apontou para mim, triunfante.
— Vês? É o poder das coisas pequenas.
Durante o jantar, conversámos sobre tudo e nada: a professora Helena, o campeonato de futebol da escola, a dificuldade de desenhar mãos (segundo o Samir, mãos são “um complô contra artistas”).
Eu contei-lhes que, em casa da minha avó, também havia tradições: a sopa de domingo, o bolo de laranja quando alguém está triste, a mania de dizer “come mais um bocadinho” mesmo quando o prato está a transbordar.
— Então também tens rituais — disse a Leila.
— Tenho. Só que eu nunca lhes chamei isso.
— Às vezes — disse a senhora Farah — a gente só percebe as próprias coisas quando aprende a ver as dos outros.
Eu guardei essa frase como quem guarda uma pedrinha bonita no bolso.
Quando me despedi, a Leila veio comigo até à porta.
— Obrigada por teres vindo — disse ela. — É fixe quando as pessoas não fazem cara esquisita.
— Eu só fiz cara de “cheira bem demais” — respondi.
— Essa cara é permitida — ela riu.
No caminho para casa, a rua parecia mais macia. As luzes dos candeeiros eram pequenas luas. E eu senti que o Ramadão, para mim, tinha virado uma janela: dava para uma casa cheia de partilha, sem eu precisar de ser outra pessoa para a visitar.
Capítulo 6 — O Mural, a Tempestade e a Esperança
Na quinta-feira, levámos a fanous gigante para a escola. Eu, a Leila e o Samir caminhámos com cuidado, como se transportássemos um animal frágil e muito orgulhoso.
— Se o vento do deserto aparecer agora, estamos feitos — murmurei.
— Não te preocupes — disse Samir. — Eu trouxe fita de nível profissional.
— Outra vez?
— A fita é uma filosofia.
No meio do caminho, o céu fez aquela coisa irritante de mudar de ideias. Começou a chover de repente, com gotas grossas, decididas. Nós tentámos correr, mas correr com uma fanous gigante é como correr com um guarda-chuva que não pediu para existir.
— Para a paragem! — gritou a Leila.
Chegámos debaixo do abrigo do autocarro, ofegantes. A fanous tinha apanhado água e o celofane parecia triste, enrugado, como uma alface cansada.
Eu senti um aperto. Tínhamos trabalhado tanto.
Samir passou a mão no cabelo molhado e olhou para a fanous com um ar de luto teatral.
— Está a derreter a nossa magia.
Eu queria dizer algo útil, mas só me saiu:
— Desculpa, fanous.
A Leila, porém, respirou fundo e disse:
— Ei. Não acabou. Só… mudou.
Ela tirou do bolso um saco de plástico grande (eu nem perguntei de onde veio; a Leila aparentemente tinha sempre o objeto certo) e cobriu parte da fanous.
— Na escola, secamos e consertamos — decidiu ela. — E no mural, a gente pode até contar a história da chuva. Faz parte.
Samir abriu um sorriso, meio surpreendido.
— “Estilo tempestade da cidade” — anunciou. — Uma continuação do “vento do deserto”.
Eu ri, e o riso devolveu-me a coragem.
Na sala de aula, a professora Helena ajudou-nos a colocar a fanous no canto do mural. Trouxemos um pequeno texto, escrito pelos três, explicando o que era o iftar e como o mês tinha muitas formas de ser vivido, sempre com respeito pelas escolhas e pelos limites de cada um.
A professora leu, assentiu e disse:
— Isto está bonito. Sem pressionar ninguém, mas ensinando de verdade. É assim que se constrói uma turma.
Alguns colegas aproximaram-se, curiosos. A Marta perguntou:
— A lanterna é para desejar boa sorte?
O Samir respondeu:
— É mais para lembrar luz. Tipo… quando o dia é comprido, a luz ajuda.
O Diogo, que às vezes faz piadas sem pensar, ia dizer qualquer coisa, mas parou, olhou para o texto e perguntou, com uma sinceridade nova:
— Posso fazer perguntas sem ser chato?
A Leila sorriu.
— Podes. Desde que eu também possa perguntar coisas sobre as tuas tradições. Tipo… por que é que tu comes cereais com sumo.
O Diogo ficou ofendido, mas a rir.
— Isso não é tradição, é… criatividade.
A sala encheu-se de risos leves. Eu olhei para o mural: havia desenhos de festas, de comidas, de músicas, de famílias. E a nossa fanous, um pouco torta e agora com a marca da chuva, parecia ainda mais real. Mais nossa.
Naquela tarde, quando saí da escola, vi o céu abrir. O sol apareceu por entre as nuvens como alguém que voltou só para dizer “não desistam”.
E eu pensei: talvez a esperança seja isso. Uma luz que não precisa de ser perfeita para ser forte.
Em casa, o Pingo estava à janela, a observar o mundo como se fosse dele. Eu encostei a testa ao vidro e olhei para a varanda do Samir, onde a fanous pequenina brilhava.
Eu ainda tinha muitas coisas para aprender sobre o Ramadão, sobre as pessoas, sobre como caber no mundo sem empurrar ninguém. Mas uma coisa eu sabia com certeza: quando a gente observa com respeito, as portas aparecem. E quando as portas se abrem, entram amizades, histórias e um tipo de esperança que fica, sólida, como uma luz acesa numa varanda, mesmo depois do dia mais comprido.