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História sobre a diversidade 5 a 6 anos Leitura 7 min.

A escada do nosso ritmo e o lago de ideias

Num jardim de infância, Leonor aprende a ter paciência e a colaborar com o novo colega Tomás enquanto juntos transformam um desafio em criatividade e descobrem que cada um tem o seu ritmo.

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Menina de 6 anos, Leonor, rosto redondo com sardas, cabelo castanho em rabo de cavalo, sorriso tímido, olhos atentos, sentada numa mesa baixa desenhando uma pequena escada num grande papel; menino de cerca de 6 anos, Tomás, pele clara, cabelo castanho curto, expressão concentrada, desenha peixinhos numa mancha de água transformada em lago; professora Clara, 30–40 anos, pele clara, cabelo preso, sorriso afetuoso, de pé atrás das crianças com a mão no encosto de uma cadeira; sala de aula luminosa com grandes janelas, paredes com cartazes e desenhos infantis, mesa de madeira clara com lápis de cor e pincéis; no papel, grande mancha azul virada em lago com peixes coloridos, escada em cores quentes, letras ao redor, pequena poça e pano ao lado; ambiente caloroso em tons pastéis e luz matinal. reportar um problema com esta imagem

O dia do cartaz colorido

Na sala do Jardim B, a Leonor, de seis anos, pendurou a mochila na cadeira. Cheirava a lápis novos e a sabonete de mãos. A professora Clara disse que naquela semana iam fazer um cartaz sobre “Nós e as nossas diferenças”.

Leonor gostava de desenhar rápido. Fazia sóis, casas e gatos num instante. Nesse dia, chegou um menino novo. Chamava-se Tomás. Tinha olhos atentos e um sorriso pequeno, como quem está a ouvir música por dentro.

A professora apresentou-o com calma: “O Tomás aprende de um jeito um bocadinho diferente. Às vezes precisa de mais tempo. E nós, aqui, temos tempo.”

Leonor olhou para o relógio da parede, redondo e sério. “Temos tempo”, pensou, como se fosse um cobertor macio.

A tarefa era simples: cada criança ia desenhar algo que mostrasse quem era. Leonor começou logo a desenhar uma bicicleta vermelha. Ao lado, o Tomás segurava o lápis com cuidado, como quem segura um passarinho.

Ele fez uma linha. Depois outra. Parou. Olhou. Apagou devagar.

Leonor sentiu vontade de dizer: “Assim não vai acabar nunca!” Mas engoliu a pressa. Lembrou-se de quando tenta apertar o casaco e o fecho prende. A pressa só piora.

A professora passou por perto e sussurrou: “Leonor, queres ser parceira do Tomás no cartaz?”

Leonor acenou. O coração dela bateu como um tambor pequenino: tum-tum.

O ritmo do caracol

No recreio, Leonor e Tomás sentaram-se num banco ao sol. Havia folhas no chão, amarelas como fatias de banana. Leonor abriu a lancheira e tirou uma maçã. O Tomás tinha uma sandes bem cortada, em quadrados certinhos.

“Queres um pedaço?” perguntou Leonor.

Tomás sorriu e abanou a cabeça. Pegou num quadrado e comeu devagar, com a atenção de quem conta estrelas.

Leonor contou-lhe, sem muita conversa, que sabia fazer letras bonitas. Tomás mostrou um caderno com letras mais lentas, mas muito cuidadas. Algumas saíam grandes, outras pequenas. Pareciam uma família a passear: uns altos, outros baixos.

Quando voltaram para a sala, a professora deu-lhes uma missão: fazer um canto do cartaz com “coisas que ajudam”. Leonor pensou em mãos a dar as mãos. Tomás pensou numa régua com marcas.

“Eu… faço… uma escada?” disse ele, com pausas entre as palavras.

“Uma escada é boa”, disse Leonor. “Ajuda a subir.”

Tomás desenhou a escada com degraus bem contados. Um, dois, três… Parou no quatro, franziu a testa, e a borracha começou a trabalhar.

Leonor esperou. Esperou mesmo. Para não se distrair, respirou cheirando o papel. Cheirava a árvore.

“Posso ajudar?” perguntou ela.

Tomás apontou para os degraus. Leonor não pegou no lápis. Só contou com o dedo no ar: “Um, dois, três, quatro… está certo.” Tomás soltou um ar, como quando a sopa esfria e já dá para comer.

Mais tarde, aconteceu um mini-desastre: o copo de água da mesa tombou e fez uma poça no chão. A folha do cartaz ficou com uma mancha. Leonor arregalou os olhos. Tomás mordeu o lábio.

A professora trouxe um pano e disse: “Às vezes a água entra na história.”

Leonor teve uma ideia: “Podemos transformar a mancha num lago!”

Tomás olhou para a mancha como quem vê um segredo. Devagar, desenhou peixinhos. Um peixinho torto, outro redondo, outro com boca grande. Leonor desenhou juncos e uma rã. Ficou lindo. A mancha virou um lugar de brincar.

Leonor riu baixinho: “A água ajudou.”

Tomás riu também, um riso pequenino que fez cócegas no ar.

O coração no fim

No fim da tarde, o cartaz estava pronto. Tinha bicicletas, escadas, peixinhos, mãos, letras de todos os tamanhos e cores. A sala parecia mais luminosa, como se o cartaz fosse uma janela.

A professora Clara pediu que cada dupla explicasse a sua parte. Leonor sentiu um frio na barriga, mas ficou ao lado do Tomás.

Ela falou primeiro: “Nós fizemos uma escada e um lago. A escada é para lembrar que cada pessoa sobe no seu ritmo. O lago foi uma mancha que virou coisa boa.”

Tomás falou depois, com calma e coragem: “Eu… gosto… quando… esperam… por mim. Eu… também… espero… pelos outros.”

Leonor pensou que aquilo era verdade. Às vezes, ela também precisava de tempo: para atar atacadores, para lembrar uma palavra, para acalmar quando ficava zangada. Cada um tinha o seu “caracol” dentro.

Na hora de arrumar, Leonor ajudou Tomás a colocar os lápis na caixa. Ele alinhou-os por cores. Leonor achou engraçado e tentou adivinhar: “Agora vem o verde, não é?”

Tomás fez cara de mistério e pôs o verde. Leonor riu. Era um humor pequenino, bom para guardar no bolso.

Antes de irem para casa, a professora deu-lhes um papel pequeno para fazerem um resumo do que aprenderam. Leonor escreveu com letras redondas e pediu ao Tomás para desenhar no fim.

No papel, ficou assim:

Aprendemos que as pessoas são diferentes e isso é bonito.

Aprendemos a ter paciência, a esperar, a ajudar sem apressar.

Aprendemos que um erro pode virar uma ideia nova.

Aprendemos que cooperar deixa o dia mais leve.

Tomás pegou no lápis e desenhou um coração grande, com duas cores: metade vermelha, metade azul. No meio, fez uma escadinha pequenina e um peixinho a sorrir.

Leonor olhou para o coração e sentiu um calor bom, como manta antes de dormir. Ela pensou: “Temos tempo.” E, no cartaz da sala, parecia que o tempo também sorria.

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Cartaz
Desenho grande em papel para mostrar ideias na parede da sala.
Diferenças
Coisas que não são iguais entre as pessoas ou objetos.
Mochila
Saco que se leva às costas para pôr livros e materiais.
Sabonete
Coisa para lavar as mãos e o corpo e ficar limpo.
Franziu a testa,
Fez uma cara de preocupação ou de pensar, juntando as sobrancelhas.
Recreio
Tempo livre na escola para brincar e correr no pátio.
Lancheira
Caixa ou saco onde se guarda a comida da escola.
Juncos
Plantas finas que crescem perto da água, como canas.
Mancha
Marca que fica no papel ou na roupa quando algo cai.
Paciência
Esperar com calma sem ficar zangado ou apressado.
Cooperar
Ajudar e trabalhar junto com outras pessoas.

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