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História de Veterinário 5 a 6 anos Leitura 13 min.

A doutora Clara e o dia das patinhas corajosas

Numa pequena clínica de abrigo, a doutora Clara e a sua equipa cuidam com carinho de vários animais assustados ou doentes, mostrando como atenção, trabalho em equipa e ternura ajudam na recuperação.

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Uma veterinária de ~35 anos, cabelo castanho preso em coque, usando um pequeno avental verde com patas, rosto suave e sorriso tranquilizador, faz uma injeção rápida e carinhosa em um cãozinho marron chamado Bolota; Joana, auxiliar de ~22 anos, cabelo preto solto, segura o cão como num abraço, sentada ao lado da mesa; Tiago, tratador de ~30 anos, pele clara e barba curta, está em pé atrás da mesa iluminando a orelha do cão com uma lanterna; Bolota é um macho pequeno de orelhas caídas, olhos arredondados e ainda um pouco assustados, coberto por uma mantinha azul sobre a mesa; a sala é uma pequena clínica veterinária clara com paredes creme, prateleira de madeira com frascos, pôster educativo, balança metálica e uma caixa de transporte azul no chão; cena calorosa e precisa, luz suave, gestos calmos, cores quentes e textura de guache visível. reportar um problema com esta imagem

Começo: A clínica pequena e o avental com patinhas

O sol da manhã entrava pela janela da Clínica do Abrigo Pata-Doce e fazia risquinhos dourados no chão. A doutora Clara, a veterinária, amarrou o cabelo num coque alto e vestiu o seu avental verde, cheio de patinhas desenhadas. A clínica era modesta: tinha uma mesa de exame, um armário de remédios bem organizado e uma balança que fazia “plim” quando alguém subia.

Lá fora, o abrigo já estava acordado. Havia miados curiosos, latidos animados e até um “grru” baixinho de um porquinho-da-índia.

A doutora Clara não trabalhava sozinha. A equipa era pequena, mas forte como um abraço: a auxiliar Joana, que era rápida e cuidadosa, e o tratador Tiago, que conhecia cada animal pelo nome e pelo jeitinho de andar.

— Hoje vai ser um dia cheio — disse a doutora Clara, sorrindo, enquanto conferia uma lista presa com um íman em forma de osso.

Na lista havia: “Pipoca, coelha com comichão”, “Nico, gato espirradeiro”, “Trovão, cão assustado com a pata” e “Zeca, tartaruga que não quer comer”.

A Joana apareceu com uma caixa de transporte azul.

— Chegou um novo visitante — contou ela, com voz baixinha, como se o ar também pudesse assustar.

Dentro da caixa havia um cãozinho castanho, com orelhas caídas e olhos enormes, muito redondos. Ele tremia como gelatina.

— Olá, pequenino — disse a doutora Clara, agachando-se para ficar à altura dele. — Aqui é um lugar seguro.

O Tiago trouxe uma manta macia.

— Este é o Bolota. Foi encontrado perto do mercado. Está magro e com medo.

A doutora Clara fez um plano simples, como uma história com três passos: primeiro, acalmar. Depois, examinar. E por fim, cuidar.

Ela mostrou ao Bolota a mão aberta para ele cheirar. O cãozinho cheirou devagarinho e deu um suspiro. Ainda estava nervoso, mas já não parecia uma tempestade inteira.

— Muito bem — disse a doutora Clara. — A equipa está pronta. Vamos cuidar de todos, um de cada vez.

Meio: Um dia de cuidados e pequenas surpresas

A primeira paciente foi a Pipoca, a coelha. Ela tinha o pelo branquinho como algodão, mas coçava-se sem parar.

A doutora Clara falou para a Joana:

— Vamos ver a pele dela e as orelhas. Coelhos escondem problemas. Às vezes, são bichinhos muito pequenos que fazem comichão.

A Joana segurou a Pipoca com jeitinho, apoiando o corpo dela para ela se sentir segura. O Tiago trouxe uma lupa pequenina.

— Olha só — disse a doutora Clara. — Aqui tem sinais de ácaros. São como pontinhos que incomodam muito.

Ela explicou de um jeito fácil:

— No abrigo, nós cuidamos do corpo e também da casa do animal. Não adianta tratar só a Pipoca, se o lugar onde ela dorme ficar com os mesmos bichinhos. Por isso a equipa trabalha junta: um trata, outro limpa, outro observa.

O Tiago anotou o que precisava lavar e trocar. A Joana preparou um remédio próprio para coelhos.

Depois veio o Nico, o gato espirradeiro. Ele entrou na sala com ar de “eu mando aqui”, mas… atchim! E mais um atchim!

A doutora Clara escutou o peito dele com o estetoscópio. O aparelho estava frio e o Nico fez uma careta, como se dissesse “isso não”.

— Respira, Nico — pediu ela, com voz calma. — Só um bocadinho.

Ela explicou:

— O estetoscópio ajuda a ouvir o coração e os pulmões. É como ter o ouvido com superpoderes.

O coração do Nico batia forte, como um tamborzinho. Os pulmões tinham um som um pouco chiado.

— Parece constipação de gato — disse a doutora Clara. — Vamos fazer vapor e limpar o nariz. E precisamos de um lugar quentinho, sem corrente de ar.

A Joana trouxe uma toalhinha morna para limpar o focinho do Nico. O Tiago prometeu arrumar uma cama longe da porta.

A seguir, entrou o Trovão, um cão grande com nome de trovão… mas com medo de tudo. Ele olhava para os cantos e encolhia a pata, como se ela tivesse uma pedra escondida.

— Não te preocupes — disse a doutora Clara. — Eu não vou correr atrás de ti. Eu espero.

Ela deixou o Trovão cheirar a sala, cheirar a mesa, cheirar a balança que fazia “plim”. A Joana pôs uns pedacinhos de biscoito no chão, como um caminho de migalhas.

Quando o Trovão chegou perto, a doutora Clara tocou a pata devagar. Ele fez um “au” baixinho.

— Aqui está — disse ela, mostrando para a equipa: uma farpa minúscula, quase invisível.

A doutora Clara usou uma pinça fina. O Tiago segurou uma lanterna para iluminar bem. A Joana falou ao ouvido do Trovão com voz doce, contando até cinco.

E, plim, a farpa saiu.

O Trovão abanou o rabo devagarinho, como um leque.

— Vês como a equipa funciona? — disse a doutora Clara. — Uma pessoa segura a luz, outra acalma, outra tira a farpa. Juntos, é mais fácil e mais seguro.

Então veio a surpresa do dia: o Bolota, o cãozinho novo, começou a ganir e a coçar a orelha. O Tiago olhou e franziu a testa.

— Parece que ele está com dor.

A doutora Clara colocou o Bolota na mesa, com a manta por baixo. O cãozinho tremia outra vez.

— Eu sei, Bolota — disse ela. — Coisas novas dão medo. Mas eu vou explicar tudo.

Ela olhou a orelha com um aparelho com luz.

— Isto chama-se otoscópio — explicou, mostrando para a Joana e o Tiago. — Serve para ver lá dentro da orelha, onde os olhos não chegam.

Lá dentro, havia cera escura e um cheirinho forte.

Inflamação — disse a doutora Clara. — Ele vai precisar de limpeza e de um remédio. E também de uma picadinha para ajudar a melhorar mais rápido.

A palavra “picadinha” fez a Joana levantar as sobrancelhas. Ela sabia que picadas assustavam os animais — e às vezes assustavam as pessoas também.

A doutora Clara preparou a seringa com cuidado. Ela limpou o local com algodão e álcool, que cheirava a “hospital”.

O Bolota encolheu o corpo.

— Joana, podes abraçar o Bolota com firmeza e carinho? — pediu a doutora Clara. — Não é para prender com força, é para ele sentir que não vai cair e que estamos aqui com ele.

A Joana envolveu o Bolota como um cobertor vivo. O Tiago segurou um petisco bem perto do nariz do cãozinho.

A doutora Clara respirou fundo e falou com voz divertida, no momento certo, antes da picada:

— Bolota, sabes qual é a vacina preferida dos cães?

O Bolota piscou, confuso.

— É a “au-torização”!

A Joana soltou uma risadinha sem querer. O Tiago também. Até o Bolota, distraído pelo petisco e pela voz alegre, parou de tremer por um segundo.

A doutora Clara fez a picadinha rápida, como uma mordidinha de mosquito que já vai embora.

— Pronto! Já passou — disse ela. — Foste corajoso.

O Bolota cheirou a própria pata, como se procurasse a tal “au-torização”. Depois lambeu o petisco e abanou o rabo com mais vontade.

— Viste? — disse a doutora Clara, baixinho para a equipa. — Um pouco de humor ajuda a aliviar o medo. Mas sempre com cuidado e respeito.

Mais tarde, apareceu o Zeca, a tartaruga. Ele vinha numa caixa com folhas verdes e tinha uma cara de “não quero conversa”.

A doutora Clara colocou o Zeca numa toalha e observou os olhos, o casco e a boca.

— Tartarugas precisam de calor e luz certa — explicou. — Se estiver frio, elas ficam lentas e comem menos.

O Tiago contou que a lâmpada da área dos répteis tinha queimado na noite anterior. A Joana fez um “ah!” de quem encontrou a peça que faltava no puzzle.

— Então é isso — disse a doutora Clara. — Hoje vamos arrumar uma lâmpada nova e um cantinho quentinho para o Zeca.

A equipa correu, cada um com uma tarefa: o Tiago foi buscar uma lâmpada, a Joana ajustou o termómetro, e a doutora Clara ensinou a posição certa do calor, para não queimar o casco.

— No abrigo, ser veterinária é também ser detective — disse ela. — Às vezes o problema não está no animal. Está no ambiente.

Quando o Zeca sentiu o calor suave, mexeu as patinhas e, devagarinho, mordeu uma folhinha.

— Ele está a comer! — comemorou o Tiago.

— Boa, equipa — disse a doutora Clara. — Cuidar é observar, aprender e melhorar.

Fim: Um banco à espera de novos amigos

O dia foi ficando mais quieto. Os sons do abrigo mudaram: os miados ficaram sonolentos, os latidos viraram bocejos, e até o porquinho-da-índia fez um “grru” que parecia uma canção de ninar.

A doutora Clara lavou as mãos mais uma vez. Ela sempre lavava antes e depois de cada animal.

— Porquê tantas lavagens? — perguntou a Joana, enquanto arrumava o armário.

— Para não levarmos germes de um paciente para outro — respondeu a doutora Clara. — É uma das coisas mais importantes do nosso trabalho. Mãos limpas ajudam a salvar.

O Tiago voltou com notícias.

— A Pipoca já não se coça tanto. O Nico está numa cama quentinha. O Trovão está a pisar melhor. E o Bolota… — ele olhou para a porta — está a brincar com uma bolinha!

A doutora Clara espreitou. O Bolota empurrava uma bolinha amarela com o nariz. Quando ela rolava, ele dava um saltinho desajeitado, como se as patas fossem novas.

— Ele está a confiar — disse a doutora Clara, com um sorriso macio. — Confiança também se cura.

A noite chegou, e as luzes da clínica ficaram suaves. A doutora Clara saiu para a frente do abrigo com a Joana e o Tiago. Ali havia um banco simples de madeira, com tinta azul já um pouco gasta. Era o banco das esperas: esperas por boas notícias, por visitas, por encontros.

A doutora Clara passou a mão no encosto do banco.

— Amanhã este banco vai receber mais gente — disse ela. — Talvez alguém venha adotar. Talvez alguém venha pedir ajuda. E nós vamos estar aqui.

A Joana sentou um instante.

— É um banco pequeno, mas parece importante.

— É importante porque dá tempo — respondeu a doutora Clara. — Tempo para respirar, para acalmar, para decidir com o coração.

O Tiago apontou para a placa da clínica, onde se lia: “Cuidamos juntos”.

— Hoje foi mesmo isso — disse ele. — Cada um fez uma parte.

A doutora Clara concordou.

— Ser veterinária num abrigo é cuidar de muitos jeitos. Às vezes é remédio. Às vezes é calor. Às vezes é tirar uma farpa. Às vezes é contar uma piada na hora certa. E quase sempre é trabalhar em equipa.

Lá dentro, o Bolota deu um latido baixinho, como se dissesse “boa noite”. A doutora Clara olhou para o céu e sentiu o cansaço bom de um dia bem vivido.

Ela apagou a última luz e, antes de fechar a porta, olhou mais uma vez para o banco azul.

O banco ficou ali, quietinho, à espera dos próximos visitantes, como um guardião gentil. E a Clínica do Abrigo Pata-Doce adormeceu com um segredo simples: quando muitas mãos ajudam, o mundo fica mais leve.

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Clínica
Lugar onde os animais recebem cuidados e remédios quando estão doentes.
Avental
Peça de roupa que se põe por cima para não sujar a roupa.
íman
Objeto que gruda coisas de metal, usado para prender papéis.
Caixa de transporte azul
Caixa usada para levar um animal com segurança, geralmente para o carro.
Estetoscópio
Instrumento que o médico usa para ouvir o coração e os pulmões.
Otoscópio
Pequeno aparelho com luz para olhar dentro da orelha.
Inflamação
Quando uma parte do corpo fica vermelha, quente e dói.
Corrente de ar
Movimento de ar que passa pela casa e pode deixar alguém frio.
Termómetro
Objeto que mede se está quente ou frio num lugar.
Manta
Coberta macia que aquece os animais quando estão com frio.
Farpa
Pedaço de madeira ou outro material que fere a pele.
Lâmpada
Objeto que faz luz para deixar o lugar mais quente ou claro.
Detective
Pessoa que procura pistas para entender um problema.
Confiança
Sentir-se seguro com alguém, sem ter tanto medo.

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