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Mito fantástico 5 a 6 anos Leitura 15 min.

A chave de prata e o portal da lua

Quando a lua abre um portal misterioso na aldeia, Maire e seus amigos — incluindo um coelho lunar — unem coragem, música e parceria para enfrentar a sombra que tenta atravessá‑lo.

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Maire, mulher de rosto doux e cabelos gris tressés en couronne, agenouillée, manteau brun e botas de couro, segura uma pequena chave prateada em espiral sobre um círculo de pedras; ao seu lado esquerdo, o menino Tomás, 6 anos, cabelos castanhos despenteados, olha maravilhado e corajoso, segurando a mão dela e cantando; atrás à direita, Bran, o ferreiro, de ombros largos e mãos sujas de fuligem, levanta uma lanterna amarela para iluminar; atrás à esquerda, Nia, a pastora esguia de cabelos loiros trançados, sopra numa flauta de madeira; o coelho mágico Lúmen, branco com reflexos azuis, salta perto da pedra central emitindo um brilho suave; uma sombra longa e delgada, o Vulto da Fenda, recua para a escuridão com forma esfumaçada; tudo acontece num círculo antigo de pedras numa colina de urze sob a lua cheia, bruma luminosa formando um portal redondo no centro e um lago refletindo a lua ao fundo; momento tenso e caloroso: todos cantam enquanto Maire insere a chave no coração luminoso do portal, que se fecha suavemente, transmitindo esperança e unidade. reportar um problema com esta imagem

I. O brilho que não devia estar aberto

Na aldeia de pedra e urze, onde o vento cheirava a mel e a chuva cantava baixinho, vivia Maire, uma mulher de coração manso. Diziam que ela falava com as coisas simples: com a chaleira, com as árvores, com as pedras do caminho. E as coisas, de algum modo, respondiam.

Nessa noite, a lua estava grande demais. Não era só redonda e clara; parecia uma porta aberta no céu. Um fio de luz prateada descia como um cordão, e no meio do vale formava-se um círculo de névoa brilhante. A relva tremia, as flores fechavam-se de susto, e até os grilos ficaram calados.

Maire apertou o xale no peito e sussurrou:

— Isso é um portal lunar… e não devia estar aberto.

Ela caminhou até a colina sagrada, onde havia pedras antigas, altas e gastas pelo tempo. No centro do círculo de pedras, o ar fazia um som fino, como uma flauta distante. E então, do brilho, saltou uma criatura pequena, com olhos curiosos e orelhas pontudas: um coelho branco, mas com um leve brilho azul no pelo.

— Olá! — disse o coelho, falando como gente. — Eu sou Lúmen. Posso entrar? Posso sair? Posso… ficar?

Maire piscou, surpresa, mas não com medo. No seu mundo, o sobrenatural era como o nevoeiro: estranho, mas comum.

— Podes falar? — perguntou ela, sorrindo sem querer.

— Posso! Quando a lua abre portas, até o silêncio aprende palavras — respondeu Lúmen.

Maire ajoelhou-se para ficar da altura dele.

— Lúmen, este portal é perigoso. Se ficar aberto, coisas perdidas entram… e coisas queridas podem escapar.

O coelho baixou as orelhas.

— Eu não queria confusão. Só segui a luz. A lua chamou.

Do outro lado do círculo, uma sombra comprida mexeu-se. Não era um monstro enorme, mas era escura como carvão molhado. Dois olhos brilhantes apareceram, e uma voz rouca soprou:

— Se a porta está aberta, eu passo.

Maire levantou-se depressa.

— Não, não passas.

Ela sabia o que fazer, pelo menos um pouco. Nas velhas canções celtas, dizia-se: “Para fechar uma porta de luz, usa três coisas: coragem, canto e companhia.” Coragem ela tinha. Canto ela podia tentar. Mas companhia… ela teria de pedir.

II. Três amigos e uma canção antiga

Maire correu até à aldeia e bateu na porta da casa mais próxima. Abriu-se uma fresta, e apareceu Bran, o ferreiro, com as mãos sujas de carvão e os olhos ainda cheios de sono.

— Maire? Aconteceu alguma coisa?

— A lua abriu um portal no círculo de pedras. Preciso de ajuda. Não consigo fechar sozinha.

Bran engoliu em seco, mas pegou numa lanterna.

— Então vamos. Eu não sou bom com feitiços… mas sou bom em ficar ao lado de um amigo.

A segunda porta foi a de Nia, a pastora, que sempre trazia uma flauta de madeira no bolso. Ela ouviu a palavra “portal” e não riu.

— Os antigos avisavam disso — disse Nia. — A música acalma o que é selvagem. Vou contigo.

A terceira ajuda veio de um lugar inesperado: um menino de seis anos, chamado Tomás, que tinha ouvido passos na rua e espreitou pela janela. Ele apareceu com um cobertor enrolado como uma capa.

— Eu posso ajudar! — disse, com os olhos brilhando. — Eu não tenho medo da lua.

Maire agachou-se e falou com doçura:

— Medo não é vergonha, Tomás. Mas coragem é ficar com cuidado. Se vieres, ficas sempre perto de mim. Combinado?

— Combinado! — respondeu ele, apertando o cobertor.

Voltaram ao círculo de pedras. O portal ainda brilhava, e a sombra ainda esperava, inquieta, como fumaça presa num pote. Lúmen estava ali, tremendo.

— Desculpem — murmurou ele. — Acho que eu trouxe essa… coisa.

— Não importa quem trouxe — disse Maire. — Importa quem ajuda a resolver.

Ela colocou as mãos sobre uma das pedras antigas. A pedra estava fria, mas parecia ouvir. E Maire falou como se falasse com uma avó muito velha:

— Pedras do vale, guardiãs do tempo, emprestem-me o vosso peso.

Bran levantou a lanterna alto, e a luz amarela encontrou a luz prateada. Nia tirou a flauta e tocou uma nota comprida, suave, como água correndo. Tomás segurou a mão de Maire com firmeza.

A sombra avançou um passo.

— A porta é minha — sibilou ela. — Eu sou o Vulto da Fenda. Eu procuro lugares vazios.

Maire respirou fundo. E começou a cantar, bem baixinho, como quem embala uma criança:

— Lua que sobe, lua que guia,

fecha a passagem, volta ao teu dia.

Luz que derrama, luz que consola,

vira-se a chave, fecha-se a sola…

Mas o portal não fechou. Pelo contrário: a luz tremeu e abriu mais, como um olho que acorda. Um mini-rebondissement, um susto simples: um vento gelado soprou, e pequenos pedaços de névoa saíram voando, rodopiando ao redor deles.

Tomás arregalou os olhos.

— Maire… não está a funcionar!

Nia parou a flauta, assustada.

— Talvez esteja a faltar alguma coisa.

Lúmen deu um saltinho.

— A canção antiga precisa de eco! No outro lado do vale há um lago. O lago repete as palavras. E as palavras, quando voltam, ficam mais fortes.

Bran franziu a testa.

— Um lago como espelho… faz sentido. A lua gosta de espelhos.

Maire olhou para o portal e para a sombra. O Vulto da Fenda já esticava dedos finos para fora.

— Não temos muito tempo — disse ela. — Vamos ao lago. Mas precisamos manter o portal “ocupado”, para ele não crescer.

Bran apontou para o círculo de pedras.

— Eu fico aqui com a lanterna, a segurar a luz.

Nia levantou a flauta.

— Eu fico também. A música prende o ar.

Tomás mordeu o lábio, mas disse:

— Eu vou contigo, Maire. Eu posso levar o eco… com a minha voz.

Maire apertou a mão dele.

— Então vamos, pequeno valente.

III. O lago-espelho e a chave de prata

Maire e Tomás correram pelo caminho de terra, com Lúmen saltando ao lado. A noite estava clara como leite. As árvores pareciam gigantes bons, de braços abertos. E, em cada passo, Maire repetia para si: “Coragem, canto e companhia. Coragem, canto e companhia.”

Chegaram ao lago. A água estava lisa, lisa, como um prato de vidro. A lua refletia-se ali com tanta força que parecia haver duas luas: uma no céu e outra na terra. Tomás parou, maravilhado.

— Parece magia.

— É magia — disse Maire. — Mas magia também precisa de cuidado.

Lúmen tocou com a pata na margem.

— O lago repete o que é verdadeiro. Se a tua voz for gentil, ele devolve gentileza. Se for dura, ele devolve dureza.

Maire ajoelhou-se e viu o seu rosto na água, ao lado do rosto de Tomás. Ela falou com calma:

— Lago-espelho, amigo antigo, preciso do teu eco para fechar uma porta da lua.

A água ondulou, como se respirasse. E uma coisa cintilante apareceu entre as pedras da margem: uma pequena chave de prata, com um desenho de espiral, como um caracol de luz.

Tomás apontou, boquiaberto:

— Uma chave!

Maire pegou nela, e a chave estava morna, como se tivesse estado no bolso da própria lua.

Lúmen explicou:

— A lua abre portas com luz. Fecha com lembrança. Essa chave lembra à porta que ela deve ser porta… e não caminho.

Maire fechou os olhos e começou a cantar de novo, mas desta vez pediu a Tomás:

— Canta comigo. Mesmo baixinho. A tua voz é pequena, mas é verdadeira.

Tomás respirou fundo e cantou, com a pronúncia simples de criança:

— Lua que sobe, lua que guia…

O lago devolveu a frase, mais forte, como um coro:

— Lua que sobe, lua que guia…

Maire continuou:

— Fecha a passagem, volta ao teu dia…

O lago repetiu, brilhando:

— Fecha a passagem, volta ao teu dia…

A chave de prata vibrou na mão de Maire. E ela sentiu uma certeza doce: não estava sozinha. Tinha Tomás, tinha Lúmen, tinha os amigos no círculo, tinha o próprio vale a escutar.

— Agora! — disse Maire.

Eles correram de volta. Ao longe, o círculo de pedras brilhava como uma estrela caída. Quando chegaram, Bran estava firme, mas suando; Nia tocava uma melodia que parecia uma corda invisível. O Vulto da Fenda estava quase fora, uma sombra em forma de gente magra.

— Ela voltou! — gritou Bran.

Nia mudou a música para acompanhar o ritmo do canto.

Lúmen saltou para perto do portal e falou alto:

— Porta da lua, lembra-te do teu lugar!

Maire ergueu a chave.

— Não te expulsamos com raiva — disse ela ao Vulto. — Mas aqui não é tua casa.

O Vulto riu, um som seco:

— Eu vou para onde houver vazio.

Tomás, com a mão ainda na de Maire, disse com coragem:

— Então vai para um lugar que não seja o nosso.

Maire colocou a chave no ar, bem no centro da luz. Não havia fechadura, mas a luz abriu um pequeno círculo, como se esperasse. A chave encaixou, e a espiral brilhou.

Todos, juntos, cantaram. Bran, mesmo sem saber a letra, repetiu as últimas palavras. Nia fez a flauta soar como vento bom. Lúmen bateu as patinhas, marcando o ritmo. E o vale, silencioso, parecia inclinar-se para ouvir.

A luz do portal começou a encolher. O Vulto da Fenda tentou agarrar a borda, mas a música e o canto empurraram-no com firmeza, sem violência. Ele encolheu como sombra ao sol.

— Não! — sussurrou ele, ficando cada vez menor.

— Sim — respondeu Maire, com doçura. — Sim para a nossa casa.

Com um último brilho, o portal fechou-se, como um olho que adormece. Ficou apenas a lua normal no céu, redonda e tranquila. O ar aqueceu. Os grilos voltaram a cantar.

IV. A vale que responde

Por um momento, ninguém falou. Depois Tomás soltou o ar que estava a prender.

— Conseguimos!

Bran riu, aliviado.

— Nunca pensei que uma canção pudesse ser tão forte.

Nia baixou a flauta e sorriu para Maire.

— Não foi só a canção. Foi a união.

Lúmen aproximou-se de Maire.

— Desculpa pela confusão — disse ele.

Maire acariciou-lhe o pelo brilhante.

— Às vezes, os erros são portas para aprender. Mas hoje… a porta fechou bem.

Tomás olhou para as pedras antigas.

— E agora? A lua volta a abrir?

— Talvez um dia — disse Maire. — Mas se abrir, nós saberemos o caminho: coragem, canto e companhia.

Então aconteceu a última surpresa, suave como um cobertor: o próprio vale respondeu.

Um vento morno passou entre as colinas, cheirando a maçã e a terra boa. As flores, que estavam encolhidas, abriram-se como pequenas lanternas coloridas. As pedras do círculo brilharam por um instante, não com luz de portal, mas com luz de agradecimento.

E uma voz, não de pessoa, mas de lugar, de chão e de árvores, sussurrou ao redor deles, como se o vale falasse:

— Obrigado… guardiões.

Tomás apertou a mão de Maire.

— O vale falou comigo?

— Falou com todos nós — disse ela. — Quando cuidamos da nossa casa, a casa cuida de nós.

Bran colocou a lanterna no chão e olhou o céu.

— Maire, tu és… uma guardiã.

Maire abanou a cabeça, com humildade.

— Hoje fomos guardiões. Juntos.

Nia soprou uma última nota, pequenina, e a nota subiu como um vagalume invisível.

Lúmen olhou para a lua e depois para Maire.

— Eu posso ficar por aqui? Posso ajudar a vigiar… e a lembrar.

— Podes — disse Maire. — Mas com uma condição.

— Qual?

— Que aprendas a pedir antes de entrar numa porta.

Lúmen fez uma reverência engraçada.

— Prometo pela luz da lua e pela paz do vale.

Voltaram para a aldeia devagar, com passos leves. O medo tinha ido embora, como um sonho que se desfaz ao acordar. No coração de Maire havia cansaço, mas também um brilho calmo. No coração de Tomás havia orgulho, quente e seguro.

Quando chegaram às casas, as janelas pareciam olhos sonolentos. Maire acompanhou Tomás até à porta dele.

— Boa noite, pequeno cantor — disse ela.

— Boa noite, Maire. Amanhã posso aprender mais canções?

— Podes. E também podes ensinar as tuas.

Tomás entrou e acenou. Maire ficou um instante a olhar as colinas. A lua seguia no alto, agora apenas lua, não porta. E lá longe, muito longe, o vale respirou de novo, como se sorrisse.

Maire sussurrou para a noite:

— Obrigada por responderes.

E o vento, passando pelo caminho de urze, trouxe a resposta simples e luminosa do vale, como uma promessa para a próxima noite:

— Estamos juntos.

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Aldeia
Pequena cidade onde as pessoas vivem perto umas das outras.
Urze
Planta baixa e florida que cresce em terrenos ásperos.
Chaleira
Recipiente que se usa para aquecer água na fogueira ou no fogão.
Névoa brilhante
Névoa que parece iluminada e cobre o chão como um véu leve.
Relva
Grama verde que cresce no chão dos campos e jardins.
Grilos
Insetos que fazem um som fino à noite com as patas.
Portal lunar
Abertura de luz ligada à lua, como uma porta no céu.
Colina sagrada
Pequena montanha que as pessoas respeitam por ser especial.
Pedras antigas
Rochas velhas que ficaram nesse lugar por muitos anos.
Flauta
Instrumento musical de madeira que se toca soprando.
Lanterna
Fonte de luz portátil que ajuda a ver no escuro.
Pastora
Mulher que cuida das ovelhas e as guia pelos campos.
Canção
Música com palavras que as pessoas cantam.
Lago-espelho
Lago com água tão lisa que reflete como um espelho.
Chave de prata
Pequeno objeto de metal usado para abrir ou fechar coisas.
Espiral
Desenho em forma de rampa curva que se enrola.
Guardiãs do tempo
Seres ou coisas que protegem um lugar por muitos anos.
Cobertor
Tecido grosso que aquece quem está frio ao dormir.

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