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História sobre o regresso às aulas 7 a 8 anos Leitura 21 min.

A banda dos oito e o mistério do porte-manteau

Leonor vive o primeiro dia de escola entre novas amizades, aventuras e o mistério dos casacos no porte-manteau, aprendendo a importância de pedir ajuda e agradecer.

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Quatro crianças, cerca de 6 anos: Leonor, cabelo castanho curto, sorriso largo, veste casaco mostarda e pequena mochila azul, está no centro colocando seu casaco num gancho marcado por uma lua; Tomás, cabelo preto encaracolado com mancha de chocolate na bochecha, veste um moletom verde com tambor, está à esquerda apontando outra etiqueta; Íris, tranças ruivas longas, vestido com bolinhas roxas, segura uma maçã e uma caneta perfumada, está à direita rindo; Matilde, nova aluna, cabelo preto liso com faixa brilhante e mochila cintilante, segura um casaco grande e estende a mão para pegá‑lo; corredor escolar claro e acolhedor com azulejos claros, grande cabideiro de madeira pintado em tons pastéis com ganchos etiquetados (lua, tambor, moinho, estrela), pôsteres coloridos e luz suave pela janela; cena de volta às aulas em que as crianças se ajudam a encontrar e pendurar seus casacos, mostrando gentileza e descoberta. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: O cheiro a cadernos novos

Naquela manhã, a aldeia parecia mais acordada do que nunca. As galinhas cacarejavam como se também fossem para a escola e o sino da igreja tocava baixinho ao longe. A Leonor saltou da cama antes mesmo do despertador fazer “trim-trim”.

“Hoje é dia de aulas!” disse ela, a sorrir tanto que parecia ter engolido um raio de sol.

A mãe apareceu à porta do quarto com uma camisola dobrada nos braços. “Calma, foguete. Ainda tens de tomar o pequeno-almoço.”

“Eu tomo já! E rápido!” Leonor vestiu-se num instante. Depois parou e apontou para a mochila nova, que estava em cima da cadeira. “Mãe… posso cheirar?”

A mãe riu. “Cheirar a mochila?”

“Cheira a… aventura e borracha!” Leonor encostou o nariz e inspirou. “Hmmm. E a lancheira cheira a bolachas!”

O pai, na cozinha, colocou uma caneca de leite morno na mesa. “As bolachas ainda estão no armário, exploradora.”

Leonor sentou-se, mexendo as pernas. “Pai, hoje eu vou encontrar a minha sala sozinha. E vou pendurar o casaco no sítio certo. Eu sei.”

“Sabes?” perguntou o pai, levantando uma sobrancelha.

“Mais ou menos,” admitiu Leonor. “Mas vou aprender.”

A mãe colocou uma torrada no prato dela. “Isso é que importa. Aprender e pedir ajuda quando precisares.”

“Eu vou pedir à professora. Ou ao Tomás. Ou à Íris,” disse Leonor, contando pelos dedos. “Nós somos uma banda.”

“Uma banda?” o pai sorriu.

“A Banda dos Oito! Quase oito. Eu já tenho oito. O Tomás faz oito no mês que vem. A Íris já fez. Somos uma banda que… aprende coisas.”

A mãe deu-lhe um beijo no cabelo. “E que diz ‘obrigado'.”

Leonor mastigou a torrada e assentiu com muita seriedade. “Eu vou dizer ‘obrigada' a toda a gente. Até ao porte-manteau.

“Porte-manteau não é pessoa,” o pai brincou.

“Então vou dizer ‘obrigada' na mesma,” respondeu Leonor. “Porque ele segura os casacos. Isso é trabalho.”

Pouco depois, ela saiu de casa com a mochila às costas. O ar estava fresco e cheirava a terra e a folhas. À porta, a avó acenou do quintal.

“Boa escola, Leonor!”

“Obrigada, avó!” Leonor acenou com força, como se estivesse a espantar uma nuvem.

No caminho até à paragem do autocarro escolar, ela viu o Tomás a saltar nas pedras do passeio, como se fossem ilhas num rio invisível. Ele tinha cabelo encaracolado e um sorriso meio torto, como quem está sempre a preparar uma piada.

“Leonor!” gritou ele. “Achas que hoje nos dão muitos trabalhos?”

“Trabalhos não, aventuras,” corrigiu Leonor.

Tomás aproximou-se e apontou para a mochila dela. “A tua mochila é tão nova que até brilha.”

“A tua também,” disse Leonor. “Parece que está a piscar.”

“A minha está a piscar porque eu esqueci-me de tirar o papel do preço,” confessou Tomás, e os dois riram.

A Íris chegou a correr, com duas tranças a baterem nas costas. “Estou atrasada? O autocarro já passou?”

“Não,” disse Leonor. “Ele chega quando o senhor Manel acaba o café.”

“O senhor Manel é o condutor,” explicou Tomás, como se fosse um segredo.

A Íris suspirou de alívio. “Ainda bem. Eu trouxe uma maçã… e uma caneta que cheira a uva.”

“Uma caneta que cheira a uva?” Leonor arregalou os olhos. “Isso é… perigoso para a fome.”

“Eu prometo que não a como,” disse a Íris, com orgulho.

O autocarro amarelo apareceu ao fundo da estrada, levantando um pouquinho de pó. O senhor Manel acenou pela janela.

“Bom dia, artistas!” disse ele, com voz alegre.

“Bom dia!” responderam os três ao mesmo tempo.

Ao subir, Leonor disse: “Obrigada, senhor Manel.”

“De nada, menina. Escolhe um lugar com boa vista,” respondeu ele.

Eles sentaram-se juntos, do lado direito, para verem as casas da aldeia a passarem devagar. Leonor apertou a mochila no colo, como se ela pudesse fugir.

“Estou mesmo contente,” disse ela.

“Eu também,” disse a Íris. “Mas o meu estômago está a fazer cócegas.”

Tomás deu uma palmadinha na barriga. “O meu também. Deve ser o bicho da escola.”

“Não é bicho,” disse Leonor. “É… borboletas.”

“Borboletas são bichos,” insistiu Tomás.

“Mas são bichos simpáticos,” concluiu a Íris. “Como nós.”

O autocarro virou para a estrada que levava à escola da aldeia. O edifício era pequeno, com paredes claras e um recreio com uma árvore grande que fazia sombra.

Leonor respirou fundo. “Vamos lá, Banda dos Oito.”

Capítulo 2: O mistério do porte-manteau

Quando chegaram, o recreio estava cheio de vozes e passos apressados. Algumas crianças abraçavam os pais, outras corriam como se o chão fosse um trampolim. A professora Clara estava à porta, com um sorriso tranquilo e um bloco de folhas na mão.

“Bom dia! Bem-vindos de volta!” disse ela. “Vamos entrando devagarinho.”

Leonor aproximou-se e esticou a mão, como gente grande. “Bom dia, professora Clara.”

A professora apertou-lhe a mão com carinho. “Bom dia, Leonor. Vejo que vieste cheia de energia.”

“Eu dormi com a mochila a olhar para mim,” confessou Leonor.

A professora riu. “Então hoje ela também aprende.”

A sala cheirava a lápis e a limpeza recente. Havia cartazes coloridos e uma prateleira com livros. Ao fundo, ao lado da porta, estava o porte-manteau: uma fila de ganchos com etiquetas, cada uma com um nome e um desenho.

Tomás apontou logo. “Olha! Ali está o… porta-casacos.”

“Porte-manteau,” corrigiu a Íris, orgulhosa. “A minha mãe disse.”

Leonor aproximou-se devagar. Havia muitos nomes. Alguns tinham desenhos: uma estrela, um peixe, uma bola, uma flor, um foguete…

“Eu quero o do foguete,” disse Tomás.

“Mas o do foguete já tem nome,” disse a Íris, a ler com o dedo. “É… ‘Gonçalo'.”

Tomás fez uma cara dramática. “Gonçalo, devolve-me o meu destino!”

Leonor riu, mas depois sentiu uma pontinha de dúvida. “E o meu? Onde está ‘Leonor'?”

Ela procurou. As letras pareciam brincar às escondidas. “Le… Le… Le…”

A Íris leu ao lado dela: “Aqui diz ‘Leandro'. Não é.”

Tomás apontou para outra etiqueta. “Aqui diz ‘Leonardo'. Também não.”

Leonor franziu o nariz. “Mas eu estou aqui. Eu sou verdadeira.”

A professora Clara aproximou-se sem pressa. “Estão à procura do lugar dos casacos?”

“Sim,” disseram os três.

“A primeira regra do porte-manteau é: respirar, disse a professora, com voz calma. “A segunda regra é: procurar com os olhos e com o dedo. Vamos lá.”

Leonor respirou fundo, como se estivesse a encher um balão.

A professora apontou para as etiquetas, uma por uma. “As etiquetas estão por ordem do alfabeto. Sabem o que é isso?”

“É quando as letras vão em fila, tipo uma cobra,” disse Tomás.

“Uma cobra bem educada,” acrescentou a Íris.

A professora sorriu. “Isso mesmo. Então… ‘L' vem depois de ‘K' e antes de ‘M'. Vamos encontrar a zona do ‘L'.”

Leonor observou as primeiras etiquetas: “Ana, Beatriz, Bruno…” Depois “Carla, Diogo…” E assim por diante.

“Olha, já estamos no ‘J',” disse a Íris.

Tomás fez de conta que era um detetive. “O caso do L perdido.”

Leonor apontou: “Aqui! ‘Laura'… ‘Leandro'… ‘Leonardo'…”

“E agora?” perguntou Tomás, ansioso.

A professora indicou uma etiqueta mais abaixo. “Vejam com calma.”

Leonor inclinou-se e viu: “Leonor” com um desenho de… uma lua.

“É este!” exclamou ela. “Mas… por que é uma lua?”

A professora explicou: “Este ano escolhemos desenhos para ajudar a encontrar o lugar mais depressa. Tu gostas da lua, não gostas? No ano passado disseste que ela parecia um queijo.”

Leonor riu. “Eu disse isso!”

“Disseste,” confirmou a Íris. “E eu disse que parecia uma panqueca.”

Tomás levantou a mão, como se fosse numa reunião. “Eu quero um desenho de… sanduíche.”

A professora Clara abanou a cabeça, divertida. “Tomás, se eu puser uma sanduíche, vais tentar comer a etiqueta.”

“Eu prometo que só cheiro,” respondeu ele, e os três voltaram a rir.

Leonor pendurou o casaco no gancho da lua. Ele ficou direitinho, como se também estivesse contente de ter casa.

A professora bateu palmas suavemente. “Muito bem. Agora, uma missão: cada um vai ajudar um colega a encontrar o seu lugar. Pode ser?”

“Pode!” disseram as crianças.

Leonor olhou em volta. Viu uma menina nova, com olhos grandes e uma mochila com brilhantes. Ela segurava o casaco como se fosse um peluche.

Leonor aproximou-se. “Olá. Eu sou a Leonor. Queres ajuda no porte-manteau?”

A menina sussurrou: “Eu sou a Matilde. Eu não encontro.”

“Vamos encontrar juntas,” disse Leonor. “Qual é a primeira letra do teu nome?”

“É… M.”

“Então vamos à zona do M,” disse Leonor, lembrando-se da cobra do alfabeto. “Depois do L e antes do N.”

Tomás apareceu ao lado, fingindo que tinha uma lupa. “Detetive Tomás ao serviço.”

A Íris acrescentou: “E eu sou a especialista em leitura.”

Matilde soltou uma risadinha. “Vocês são engraçados.”

“É para dar coragem,” disse Leonor. “Olha, aqui: ‘Madalena', ‘Manuel'… ‘Matilde'!”

Matilde abriu um sorriso enorme. “Achei!”

Ela pendurou o casaco e depois olhou para Leonor. “Obrigada.”

“De nada,” disse Leonor. E sentiu um calor bom no peito, como se tivesse bebido chocolate quente.

Mais tarde, a professora Clara fez um jogo. “Eu vou dizer um nome e vocês vão tocar na etiqueta certa. Mas sem correr, combinado?”

“Combinado!” disseram todos.

“Íris!”

Íris foi e tocou na etiqueta com uma íris desenhada, toda contente. “Aqui!”

“Tomás!”

Tomás tocou numa etiqueta com um… tambor. “Por que eu tenho um tambor?” perguntou ele.

“Porque tu estás sempre a bater o pé quando estás feliz,” respondeu a professora.

Tomás bateu o pé, provando o ponto. “Viram? É verdade.”

“Leonor!”

Leonor tocou na lua e fez uma vénia pequena. “Boa tarde, lua.”

A professora sorriu. “Agora sim. Já se conseguem orientar. Isso ajuda a sala a ficar organizada e ajuda o dia a correr melhor.”

Leonor olhou para o porte-manteau e pensou no que tinha dito de manhã. Talvez ele não fosse pessoa, mas ajudava muito.

“Obrigada, porte-manteau,” sussurrou ela, e a Íris ouviu e riu baixinho.

Capítulo 3: Uma confusão de casacos (e uma solução)

No recreio, a árvore grande parecia guardar conversas e risos. Tomás tirou da mochila uma garrafa de água e bebeu como se tivesse atravessado um deserto.

“Ufa! Aprender dá sede,” disse ele.

A Íris mordeu a maçã. “Aprender também dá fome.”

Leonor sentou-se no banco, ao lado deles. “Eu gostei do jogo do porte-manteau.”

Tomás fez uma careta engraçada. “Eu só não gostei do meu desenho. Um tambor é fixe, mas eu queria uma sanduíche.”

“Se fosse uma sanduíche, tu ias tentar pendurar-te no gancho para a comer,” disse a Íris.

“Eu ia só dar uma dentadinha pequena,” respondeu Tomás, e Leonor riu tanto que quase engasgou.

Depois do recreio, voltaram à sala para uma atividade de desenho. A professora Clara pediu: “Desenhem uma coisa de que gostam na escola.”

Leonor desenhou a lua do seu gancho, mas também desenhou a Matilde a sorrir. Em cima, escreveu com letras grandes: “OBRIGADA”.

Tomás desenhou um tambor com pernas a correr. “É o meu tambor a fugir de mim,” explicou ele.

A Íris desenhou a biblioteca. “Eu gosto dos livros. Eles não se mexem e não fogem.”

Quando a manhã terminou, a professora disse: “Vamos vestir os casacos com calma. Lembrem-se de ir ao vosso lugar.”

A sala encheu-se de movimento. Casacos a deslizar, mochilas a abrir e fechar. Leonor foi direta ao gancho da lua. Pegou no seu casaco… e parou.

O casaco era… maior. E tinha um capuz enorme, como uma tenda.

“Hum?” Leonor olhou melhor. “Este não é o meu.”

Tomás, ao lado, puxava um casaco azul e dizia: “Quem é que tem um casaco tão pequeno? Isto parece roupa de boneco!”

A Íris levantou um casaco cor-de-rosa. “Este também não é meu. Eu não uso cor-de-rosa… quer dizer, gosto, mas hoje não.”

Leonor sentiu uma confusão pequenina na barriga, mas não era medo. Era mais como um nó de atacadores.

“Calma,” disse ela, lembrando-se da primeira regra. “Respirar.”

Ela respirou fundo e falou: “Pessoal, acho que houve troca.”

Tomás levantou o casaco pequeno como uma bandeira. “Quem trocou o meu casaco por um casaco de formiga?”

A Matilde aproximou-se, a olhar para o casaco grande que Leonor tinha. “Esse… parece o meu,” disse ela, envergonhada.

Leonor sorriu logo. “Então deve ser isso. Tu pegaste no teu casaco no gancho da lua?”

Matilde mordeu o lábio. “Eu vi a lua… e achei bonita. E eu… eu esqueci-me do meu desenho.”

A Íris olhou para a etiqueta da Matilde. “O teu desenho é um moinho! Olha, ali.”

Matilde arregalou os olhos. “Um moinho! Claro, na aldeia há um moinho velho! Eu nem reparei.”

Tomás abanou a cabeça com humor. “A lua enganou-te. A lua é muito famosa.”

Leonor entregou o casaco grande à Matilde. “Toma. Está aqui. Sem problema.”

Matilde recebeu-o com as duas mãos. “Obrigada, Leonor. Eu fiquei atrapalhada.”

“Eu também me atrapalho,” disse Leonor. “Mas agora já sabemos: não é só olhar para o desenho. É olhar para o nome também.”

A professora Clara ouviu a conversa e aproximou-se. “Excelente descoberta. O desenho ajuda, mas o nome confirma. E se houver dúvida, perguntamos com educação.”

Tomás levantou a mão. “Professora, eu posso perguntar uma coisa com educação?”

“Claro.”

“Quem é que tem um casaco de formiga?” perguntou ele, muito sério.

Do outro lado, um menino riu. “Sou eu! Eu sou o Henrique. O meu casaco é pequeno porque eu sou pequeno… mas rápido!”

Tomás devolveu o casaco e disse: “Desculpa, Henrique. O teu casaco não é de formiga. É de… formiga atleta.”

Henrique riu mais. “Aceito!”

A Íris encontrou o seu gancho e vestiu o casaco certo. Leonor pegou no seu casaco, agora confirmado: era o dela, com o fecho um pouco gasto e uma mancha pequenina no bolso, de quando tinha derramado sumo no ano passado.

“Eu gosto do meu casaco,” disse ela. “Ele tem histórias.”

“Eu também tenho uma mancha,” disse Tomás. “De chocolate. Isso conta como história?”

“Conta como… aventura doce,” disse a Íris.

Antes de saírem, a professora Clara fez um resumo: “Para se orientarem no porte-manteau: primeiro, procurem a zona da letra do vosso nome. Depois, procurem o vosso nome. Por fim, confirmem o desenho. E, se precisarem, peçam ajuda. Isso é ser responsável.”

Leonor levantou a mão. “E dizer ‘obrigada'.”

A professora sorriu com ternura. “Sim. A gratidão também organiza o coração.”

Leonor pensou nisso enquanto caminhavam para o autocarro. O sol já estava alto, a estrada brilhava e a aldeia parecia ainda mais pequena e acolhedora.

Capítulo 4: Um sorriso no autocarro

O senhor Manel abriu a porta do autocarro e disse: “Então, como foi o primeiro dia?”

Tomás subiu e respondeu: “Eu sobrevivi ao tambor.”

A Íris disse: “Eu sobrevivi à caneta que cheira a uva. Não a comi!”

Leonor subiu a seguir e disse com clareza: “Obrigada por nos trazer, senhor Manel.”

“Eu é que agradeço pela companhia,” respondeu ele. “Vocês fazem o caminho mais alegre.”

Os três sentaram-se no lugar de sempre. Leonor encostou a testa à janela e viu a escola a ficar para trás. Sentia-se cansada, mas era um cansaço bom, como depois de brincar muito.

“Leonor,” disse a Íris, “tu ajudaste a Matilde. Isso foi fixe.”

Leonor encolheu os ombros, um pouco envergonhada. “Ela só precisava de um empurrãozinho.”

Tomás inclinou-se para a frente. “E tu disseste ‘respirar'. Parecias uma professora pequenina.”

Leonor riu. “Eu só não queria fazer confusão.”

“Confusão foi quando eu pensei que o casaco do Henrique era de formiga,” disse Tomás. “Mas ele gostou.”

A Íris olhou pela janela. “Acho que amanhã vai ser mais fácil.”

Leonor assentiu. “Sim. Amanhã eu já sei: letra, nome, desenho. E se eu vir uma lua… eu sei que é meu.”

“E se eu vir um tambor…” Tomás suspirou. “Eu vou aceitar o meu destino.”

“Ou podes aprender a tocar,” sugeriu a Íris, com ar de sábia.

Tomás abriu um sorriso. “Boa ideia. Eu vou ser o baterista da Banda dos Oito.”

Leonor bateu palmas baixinho. “Então eu sou a… cantora da gratidão.”

“E eu sou a leitora oficial,” disse a Íris.

“E a Matilde?” perguntou Tomás.

Leonor pensou um segundo. “A Matilde pode ser a… guardiã do moinho.”

Os três riram, imaginando uma banda com moinhos e luas e tambores.

O autocarro passou por campos verdes, por uma fonte e por casas com varandas floridas. O senhor Manel cantava baixinho uma música antiga. Leonor sentiu o coração cheio.

Ela lembrou-se da mãe, do pai, da avó, da professora Clara, do porte-manteau que segurava os casacos, e dos amigos ao lado dela. Havia tanta coisa simples para agradecer.

Leonor virou-se para o Tomás e para a Íris. “Obrigada por serem meus amigos.”

Tomás fingiu que ia chorar. “Ai, que eu fico derretido.”

A Íris riu. “Eu também agradeço. Assim a escola parece menos grande.”

Leonor olhou outra vez para a janela. A aldeia aproximava-se e, de repente, ela viu o seu reflexo no vidro: uma menina com olhos brilhantes, um pouco despenteada, mas com um sorriso enorme.

Ela sorriu ainda mais, ali, no autocarro escolar, sabendo que no dia seguinte ia conseguir encontrar o seu lugar outra vez — e ajudar quem precisasse.

E o autocarro continuou, cheio de vozes pequenas e felizes, a levar a Banda dos Oito para casa.

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Despertador
Relógio que faz som de manhã para acordar as pessoas.
Lancheira
Caixa ou bolsa onde se guarda o lanche para a escola.
Porte-manteau
Estrutura com ganchos na sala para pendurar casacos.
Etiqueta
Pequeno papel com o nome ou desenho que indica a quem pertence.
Alfabeto
Conjunto de letras usadas para escrever palavras, em ordem.
Respirar
Inspirar e expirar o ar pelo nariz ou pela boca.
Vénia
Pequeno gesto de respeito, como inclinar ligeiramente o corpo.
Recreio
Tempo e lugar da escola onde as crianças brincam.
Capuz
Parte do casaco que cobre a cabeça para proteger do frio.
Confirmem
Verifiquem se algo está certo antes de agir.
Gratidão
Sentir e dizer obrigado quando alguém nos ajuda.

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