No cantinho de uma casa cheia de luz, morava a Ana. Ana era uma artista. Ela gostava de desenhar, pintar e colar papéis coloridos. O seu avental estava sempre com pequenas manchas de tinta, vermelha, azul, verde, amarela.
Um dia, Ana sentou-se em frente à sua tela branca. Ela queria pintar uma grande árvore cheia de folhas dançantes. Mas, naquele dia, Ana ficou a olhar para a tela e não sabia por onde começar. Respirou fundo. Sentiu o coração bater devagar.
Enquanto pensava, ouviu uma vozinha suave: “O que vais pintar hoje, Ana?” Era o passarinho Piu, que costumava espreitar pela janela. Ana sorriu e mostrou a tela branca. “Ainda não sei, Piu. Às vezes, é difícil dar o primeiro passo.”
Piu piou e disse: “Eu gosto de árvores com folhas redondas!” Logo depois, entrou a gata Lila, que se enrolou aos pés de Ana. “Eu prefiro árvores com muitos ramos para eu subir”, miou Lila.
Ana ouviu com atenção. Gostava de escutar os amigos. Pegou num pincel e começou a desenhar o tronco da árvore. Devagarinho, traçou ramos largos e fortes, para a Lila. Depois pintou folhas redondas, como sugeriu o Piu.
Enquanto pintava, a Ana sorriu. Sentiu-se feliz por partilhar as ideias dos amigos. Teve algumas dúvidas e fez borrões, mas limpou com um paninho, sem ficar triste. “Não faz mal tentar outra vez”, disse baixinho.
O sol entrava pela janela. A mamã de Ana apareceu e olhou para o quadro. “Que árvore linda!”, exclamou ela. “Que folhas alegres! E que ramos cheios de força!” Ana sentiu-se quente por dentro. Estava orgulhosa do seu trabalho.
Quando terminou, Ana sentou-se no tapete com o Piu e a Lila. Olhou para a árvore que pintou. Agora, a tela não estava mais vazia. Ana escutou os amigos, tentou, experimentou e não desistiu.
“Fico contente por ter terminado a minha árvore”, disse Ana. “Foi bom ouvir as ideias e pintar juntos.” O Piu piou feliz, a Lila ronronou e Ana bocejou.
Naquele fim de tarde, Ana guardou os pincéis e sentiu-se em paz. Criar é divertido e todos podem tentar, sempre ouvindo o coração e os amigos.